Erupção de vulcão islandês provocou maior caos na história da aviação

Erupção de vulcão islandês provocou maior caos na história da aviação

Atualizado: Quarta-feira, 15 Dezembro de 2010 as 10:54

A nuvem de cinza do vulcão islandês Eyjafjalla provocou em abril deste ano o maior caos na história mundial da aviação, ao paralisar o tráfego aéreo europeu durante vários dias e causar perdas milionárias.

Mais de 100 mil voos foram cancelados e milhões de passageiros foram prejudicados durante a primeira semana de erupção do vulcão, quando viveram os momentos mais dramáticos.

O impacto do Eyjafjalla, situado no sul da Islândia, que entrou em erupção no dia 15 de abril, suspendeu um quarto do tráfego aéreo no norte da Europa em seu primeiro dia, incluindo o aeroporto britânico de Heathrow, um dos principais do continente.

De acordo com o protocolo de segurança, a cinza vulcânica pode afetar o funcionamento dos motores dos aviões, causar curtos-circuitos e afetar à visibilidade.

Nos dias seguintes, o que começou como um fenômeno do norte da Europa se estendeu a todo o continente e chegou a paralisar quase 100% do tráfego aéreo, superando o caos após os atentados de 11 de Setembro.

Perante as pressões da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) e a redução das emissões de cinza, a União Europeia (UE) começou a flexibilizar as restrições de forma progressiva, após uma semana.

As restrições em diferente grau do espaço aéreo europeu tiveram efeitos múltiplos em todas as áreas.

Visitas presidenciais e ministeriais foram canceladas, vários líderes mundiais não puderam comparecer ao funeral do falecido presidente polonês, Lech Kaczynski, shows e exposições foram postergados, incluindo competições como a Liga dos Campeões.

Mas enquanto o Eyjafjalla adquiria fama mundial e o resto da Europa sofria as consequências da nuvem de cinza, a Islândia quase não teve restrições, já que a nuvem se deslocou em direção ao leste.

O fato da Islândia ter saído relativamente imune ao caos enquanto o Reino Unido por outro lado ter sido um dos países mais afetados, provocou comentários irônicos sobre uma suposta "vingança" pela crise econômica que colapsou a economia islandesa em outubro de 2008.

Ao congelar então os depósitos dos bancos islandeses no Reino Unido, aplicando a lei antiterrorista, o Governo do país provocou a crise definitiva do setor financeiro da Islândia, que teve que recorrer a um empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI).

A erupção do vulcão islandês evidenciou a necessidade de revisar os protocolos de emergência da UE e motivou o grupo a acelerar o processo de implantação do céu único europeu, previsto para 2012.

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