Espanha é a porta de entrada mais barata da Europa

Espanha é a porta de entrada mais barata da Europa

Atualizado: Sexta-feira, 11 Fevereiro de 2011 as 3:35

A Espanha está em meu coração, e nem é porque jogou o futebol mais bonito na Copa da África do Sul. A Espanha está em meu coração por causa das minhas origens. Não é preciso ser nenhum Sherlock Holmes para descobrir isso. Basta ver minha ascendência (Garcia-Quintanilha) e o nome da minha editora (Cadiz). Por isso, se me perguntam, eu quase sempre sugiro começar uma viagem à Europa por Espanha ou Portugal. De Portugal já falei, então desta vez vou falar da Espanha. Na verdade, existem duas Espanha: a Espanha do bem e a Espanha do mal.

Embora não seja uma de minhas companhias aéreas preferidas, a Iberia é uma ótima opção para quem quer voar para qualquer capital da Europa pagando um preço baixo. Pesquisei em vários sites e os melhores preços que achei foram na Iberia. É possível viajar para Madri, Barcelona, Lisboa, Londres, Paris, Zurique, Amesterdã, Berlim, Roma, Milão, Munique, Genebra, Porto ou Viena, para citar só algumas, pagando uma tarifa de ida e volta entre R$ 1 194 e R$ 1 368.

Eu mesmo, quando voei recentemente para Munique, fui de Iberia, que era disparada a companhia com os melhores preços. A Iberia não é uma das melhores em termos de atendimento, mas voa bem. Ela tem voo diário de São Paulo para Madri com o moderníssimo Airbus A340-600, de 342 assentos, equipado com quatro motores Rolls-Royce e 81 cm de espaço para as pernas na classe econômica. A comida a bordo é boa e a bebida é generosa. Chegando em Madri, existem rápidas conexões para várias cidades europeias em aviões Airbus A320, igual aos que a TAM utiliza no Brasil. Fica a dica.

Eu já estive quase 20 vezes em Madri e, portanto, conheço um pouco do país.

O lado bom e bonito da Espanha é a sinceridade de seu povo, a comida deliciosa, os bons vinhos, a magia do flamenco, o fantástico Museu do Prado, a obra gigantesca de Picasso, os craques do Barça, a eficiência do Real Madrid, o "cochinillo asado" do restaurante Butín, os tapas nos bares de Barcelona, as torres de Cadiz, as corridas de moto em Jerez de la Frontera, o encanto de Sevilha, a brise de Valencia, a riqueza de Granada, a liberdade de Ibiza, a arquitetura de Gaudi, a ironia de Dali, o apoio financeiro a Cristóvão Colombo, os segredos de Toledo, o desafio dos caminhos de Santiago de Compostela e até os vulcões das Ilhas Canárias.

É fácil falar bem da Espanha, tantos são os seus encantos.

Por outro lado, a Espanha não tem sido muito amistosa com os visitantes da América Latina, logo ela, que deveria sempre escancarar suas portas para os latino-americanos. Por tudo que seus "colonizadores" fizerem pós-Colombo, o Reino de Espanha deveria emitir um salvo-conduto perpétuo para todos os cidadãos latino-americanos que desejam entrar em seu país.

Ou não foi a Espanha que dizimou o México, ao se deparar com o Império Azteca, que tinha muito mais história, sabedoria e tesouros do que os seus próprios? Ou não foi a Espanha que destruiu a cultura do Peru? Tanto foi assim que os meninos-guias peruanos de Machu Picchu falam dos incas e dos "inca-pazes"... Não foi a Espanha que levou quase toda a riqueza da América Hispânica para além-mar? Não foi a Espanha que encontrou acolhida no Brasil, quando sua economia estava em crise, no início do Século 20? Não foi a Espanha que trouxe pencas de trabalhadores espanhóis para o Brasil no rastro da Telefonica e do Santander?

No Brasil e nos demais países da América Latina, o Reino de Espanha sempre teve portas abertas para realizar seus projetos, até para facínoras como Hernán Cortez, Francisco Pizarro e Diego Almagro. Por isso, é bom que os brasileiros que viajam para lá conheçam os dois lados da moeda. O que não inviabiliza uma verdade: a Espanha é a porta de entrada mais barata da Europa. E merece muito, muito mesmo, ser visitada sempre que possível.

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