Especialistas discutem a importância do cinema para o turismo

Especialistas discutem a importância do cinema para o turismo

Atualizado: Sexta-feira, 5 Junho de 2009 as 12

Cinema e Turismo. É amor ou simplesmente amizade? Este foi o grande questionamento da mesa redonda "O papel das produções televisivas e cinematográficas para o fortalecimento do turismo no Rio Grande do Sul" desenvolvida no evento "As Fronteiras do Turismo e o Turismo sem Fronteiras", no auditório da PUC, nos dias 02 e 03 de junho. Para tentar elucidar a questão, o cineasta gaúcho Carlos Gerbase afirmou que, segundo a história da sétima arte, esta relação começou com os irmãos Lumiére, filhos do proprietário de uma fábrica de filmes, responsáveis, na época, de filmar tudo à sua volta e os primeiros a tirar fotografias turísticas a cores.

"Mas o encontro do cinema com o turismo iniciou mesmo com o cinematógrafo, produzindo imagens animadas feitas na França e depois em outros países", comentou o cineasta. O sucesso foi tão imediato que 31 diferentes nações apareceram registradas no catálogo dos Lumiére, incluindo o império Austro-Húngaro, a Rússia, a Indochina, a Austrália e o México. Outro exemplo citado por ele foi o sucesso da produção "Senhor dos Anéis", uma combinação perfeita entre imagens naturais e efeitos computadorizados. "Os cineastas precisam de ambientes exóticos, pois fica bem mais barato recriar e acrescentar imagens através da alta tecnologia e seus inúmeros recursos".

Carlos Gerbase também comentou sobre a existência dos film-commission e a importância de regras claras e abertas a todos. "Isto por que outros países virão para o Brasil. E este intercâmbio tem de ser bom para ambos os lados, pois gera renda e uma movimentação cultural", acrescentou. Na opinião do cineasta, a relação entre dois países se altera quando há financiamento governamental, principalmente de secretarias de turismo, para as produções estrangeiras. "Muitos acreditam que basta apenas mostrar as belezas naturais de uma região a fim de conseguir financiamento. Um bom filme não pode depender apenas de um cartão- postal e sim de uma história empolgante e personagens", finaliza.

Diferenciais competitivos

Editor do programa de rádio Mapa Mundi, da Band AM, de Porto Alegre, Henrique Raizler complementou que muitas regiões brasileiras já estão "vendendo" suas film-comission, com exceção do Rio Grande do Sul. "Existe uma associação internacional que possui mais de 300 cidades associadas. Só a França disponibiliza aos diretores de cinema do mundo inteiro mais de 1 mil locações", afirma. O convidado, no entanto, questionou se o Estado poderia oferecer aos visitantes itens como infra-estrutura, sinalização turística, segurança, posicionamento mercadológico e marketing. "Nós gaúchos não temos uma marca própria. É preciso mostrar algum diferencial para competir com outros países do mundo", provocou.

Segundo informações do professor de turismo da PUC, e diretor da ABIH nacional para o Mercosul, Abdon Barretto Filho atualmente 40 países já constituíram mais de 300 film-commision. Os resultados imediatos são a divulgação da imagem das localidades, o impacto econômico e a visitação. No ponto de vista do professor, as cidades gaúchas com maior possibilidade de implantar film-comission seriam Porto Alegre, Caxias do Sul, Santa Maria e Pelotas. "Estas cidades tem uma cultura que entende a importância da iniciativa e também uma cadeia de produção", completa. Em Porto Alegre, existe ainda um grupo de profissionais atuantes nesta questão e com as ações concentradas na Fundacine.

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