Europa a baixo custo de mochilão

Europa a baixo custo de mochilão

Atualizado: Terça-feira, 25 Maio de 2010 as 3:41

Difícil encontrar alguém que não sonhe fazer uma viagem à Europa. Além da beleza de seus países, um passeio pelo Velho Continente é garantia de enriquecimento cultural e experiências gastronômicas únicas. Há ainda a possibilidade de se comprar artigos exclusivíssimos. Mas quem realiza cotação através de agências de viagens, geralmente, acaba desistindo por conta do alto custo. Em média, R$ 8 mil por 15 dias de passeio.

Mas não desista ainda! Você pode ser seu próprio agente de viagens programando todo o roteiro com a ajuda da internet. É possível contratar todos os serviços com muita facilidade, desde que você tenha conhecimentos intermediários de inglês e/ou espanhol. Se não é o seu caso, peça ajuda a um parente ou amigo. Mas não adianta fechar os pacotes sem antes estar com a documentação necessária em dia.

Para ir à Europa, é preciso ter passaporte (http://www.dpf.gov.br/). A maioria dos países não exige visto de entrada, mas na Inglaterra, por exemplo, o turista passa por uma pequena entrevista no setor de imigração. Ultimamente, muitos brasileiros têm sido barrados no país.

Se você quer visitar a "Terra da Rainha", a dica é deixá-la por último no roteiro, pois o risco de deportação é grande. A Itália e, principalmente, a Espanha também têm dificultado o acesso de brasileiros a seus territórios. O melhor que você tem a fazer é apresentar todos os documentos, garantias financeiras, reservas de hotéis e/ou albergues e o bilhete aéreo de regresso.  

Preparando a bagagem

O dia do embarque está próximo, assim, é importante se preocupar em arrumar as malas. Malas? Pode esquecer. O termo "mochilão" não é à toa. Se você não dispõe de mochilas de acampamento ou não tem quem empreste, é válido investir cerca de R$ 150 em um bom equipamento, que continuará a ser útil em outras viagens. Uma mochila traz vantagens preciosas. Uma delas é que não há necessidade de ser despachada. Isso vai fazer com que você economize tempo no desembarque e fique livre do risco de extravio de bagagem.

O mochileiro dinamarquês Nikolaj Pilgaard, que visitou diversos países da Europa e da América do Sul durante um ano - entre 2008 e 2009 -, diz que é preciso levar somente o indispensável, como roupas, remédios, lanterna, dicionário, câmera fotográfica, netbook ou laptop e produtos de higiene pessoal. Outra questão importante é o planejamento financeiro da viagem. "Pense em não gastar mais de US$ 50 por dia, contando passeios e refeições. Use o cartão de crédito apenas nas compras grandes. De resto, use dinheiro", recomenda.

Outra boa dica é com relação à comunicação. Em vez de gastar quantias consideráveis com cartões telefônicos, telefonistas e com ligações do próprio celular, utilize todos os recursos que a internet tem a oferecer. "Meu netbook proporcionou uma economia enorme na última viagem. Como a maioria dos hotéis e albergues oferece serviço de conexão wi-fi (internet sem fio) gratuito, falei com meus parentes e amigos sem gastar nada, só utilizando Skype, MSN e e-mail", conta Pigaard, que viveu a grande aventura após pedir baixa do exército dinamarquês.

Deslocamento e acomodação ideais para os mochileiros na Europa

É sempre importante que o turista tenha consciência do que é necessidade e do que é prazer. Por exemplo, a viagem de trem pela Europa é muito mais charmosa e prazerosa, mas leva mais tempo de um destino ao outro e é mais cara em comparação ao avião. Um voo chega a custar 50% menos que um bilhete ferroviário. E quanto antes você adquirir as passagens aéreas, mais baratas elas serão.

O engenheiro civil carioca Paulo Peixoto conta que esse planejamento é fundamental para o sucesso do passeio. "É bom pegar o calendário e definir quantos e quais dias a pessoa vai passar em cada lugar. A partir daí, compre os bilhetes no site de sua companhia predileta. É bastante seguro. Nunca tive problemas", diz.

Ele afirma que só pôde ir à Europa duas vezes seguidas porque aderiu à prática do mochilão. "Na primeira vez que fui à Europa, contratei os serviços de uma agência de viagens que é líder de mercado. Gastei quase R$ 12 mil, contando com coisas que eu comprei para mim e presentes. A saudade foi tão grande, que voltei no ano seguinte. Como é muito fácil se locomover por lá, decidi fazer tudo por conta própria. O custo total foi de R$ 6,5 mil. E os roteiros foram praticamente os mesmo", relata o engenheiro.

Geralmente, todo mochileiro é um alberguista, e as reservas nos albergues da juventude são feitas com muita facilidade pela internet. No site da Hosteling International (www.hihostels.com/), a maior e mais conceituada rede do setor, é possível garantir vagas. Vale destacar que o site está em inglês.

Nos albergues, os quartos coletivos (variam de quatro a oito pessoas por habitação) são bem mais baratos, mas existem estabelecimentos com dormitórios individuais e para duas pessoas. A maioria oferece café da manhã. As acomodações e refeições são simples, mas a higiene é marca registrada. Na Europa, a diária de um hotel três estrelas custa, em média, 70 dólares, enquanto que em um albergue sai a 25 dólares.

Em todas as grandes cidades há metrô. E na maioria delas é possível comprar um bilhete especial que dá direito a se deslocar quantas vezes for necessário durante um dia. Sai muito mais barato do que adquirir o bilhete unitário. Para quem é estudante, a carteira internacional (seja da União Nacional dos Estudantes – UNE -, ou da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas - UBES) dá desconto em museus e alguns restaurantes, principalmente os de fast food.

Outra possibilidade de poupar dinheiro é comprando produtos em lojas que fazem Tax Free, que permite ao turista receber o valor de tributos que dizem respeito somente aos cidadãos europeus embutidos nas notas fiscais. A devolução do dinheiro é feita em postos no aeroporto do destino final. Mas atenção: a operação não pode ser feita durante a conexão. Por exemplo, se você estiver voltando de Londres para São Paulo, com conexão em Paris, o trâmite tem que ser feito na capital inglesa.

Por: Leandro Duarte

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