Exposição croata exibe o mítico navio Galeb de Tito

Exposição croata exibe o mítico navio Galeb de Tito

Atualizado: Segunda-feira, 20 Junho de 2011 as 8:57

Uma mostra local, com exibição de trabalhos artísticos banidos pelos regimes autoritários do século XX, tirou da esquecimento um símbolo poderoso do glamour socialista: o Galeb, famoso navio presidencial do ex-ditador iugoslavo Josip Broz Tito.

"Procurávamos um espaço atraente para ser um contraponto da arte que representamos", disse Branko Franceschi, curador da exibição "Em uma Parada", montada a bordo do navio de 117 metros cujo nome significa gaivota em croata.

"Nós nos demos conta de que o Galeb era perfeito. Construído em 1938 na Itália de (o líder fascista Benito) Mussolini, em uma sociedade totalitária que marcou a primeira metade do século, a embarcação ganhou fama mundial como 'o gabinete flutuante do marechal Tito', em outro regime totalitário", acrescentou.

Cerca de 200 itens multimídia, como fotos, pôsteres, livros, revistas e gravações de áudio e vídeo de cerca de 60 artistas sobretudo da antiga Iugoslávia, mas também de países da Europa central, antiga União Soviética e Japão, são expostos em três dos cinco deques do navio.

A exposição, inaugurada em 4 de junho e em cartaz até este fim de semana, cobre o período da fundação do futurismo - um movimento artístico internacional que rejeitou o romantismo e celebrou a tecnologia -, em 1909, à queda do Muro de Berlim, em 1989.

Os trabalhos, que pertencem à coleção privada de arte de vanguarda de Marinko Sudac, foram "na verdade criados como oposição aos regimes totalitários, notadamente aqueles sistemas políticos e sociais que o Galeb representa", disse Franceschi.

Para a ocasião, o "Navio da Paz", como o Galeb foi chamado durante o regime de Tito, foi rebocado até o porto desta cidade do norte da Croácia, procedente de um estaleiro vizinho onde envelheceu por décadas.

Usado para entreter mais de 100 líderes mundiais como Nikita Khrushchev, Muamar Kadhafi e Indira Gandhi, ou estrelas do cinema, como Elizabeth Taylor e Richard Burton, o Galeb agora é um casco enferrujado.

O navio chamou a atenção do mundo pela primeira vez em 1953, quando Tito navegou o Tâmisa para encontrar Winston Churchill, na primeira visita à Grã-Bretanha de um chefe de Estado comunista.

O falecido líder também costumava usá-lo para visitar alguns países não-alinhados ao redor do mundo.

"Os visitantes estão mais interessados no navio, mas eles gostam do conceito como um todo. Querem saber o que vai acontecer com o Galeb", disse a voluntária Ivana Galeb, estudante de arte.

Parte da exibição é dedicada ao próprio navio, com fotos de Tito e placas feitas para as visitas de líderes mundiais.

"Este navio é qualquer coisa", disse seu capitão, Zeljko Matejcic. "Tem um desenho fantástico, motores que ainda funcionam. É pena que esteja sendo corroído pela ferrugem. Tem uma história, não só por causa do Tito", acrescentou.

Algumas partes da embarcação são abertas ao público, inclusive os quartos usados por Tito e sua esposa, Jovanka, uma sala de conferências e as cabines dos convidados.

Originalmente construído para transportar bananas, o Galeb foi convertido em um cruzador auxiliar pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial.

Afundado pelo bombardeio aliado em Rijeka, em 1944, o navio foi recuperado e consertado para se tornar o navio presidencial de Tito.

Após o fim da antiga Iugoslávia, um empresário greco-americano o levou de Montenegro para Rijeka.

A cidade o comprou em 2009 depois de ser proclamado parte do patrimônio cultural da Croácia.    

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