África do Sul - Johannesburgo, a metrópole Sul-africana

África do Sul - Johannesburgo, a metrópole Sul-africana

Atualizado: Quarta-feira, 6 Abril de 2011 as 8:51

Para a abertura da Copa do Mundo de Futebol, prevista para quinta-feira (11 de junho),  os organizadores do evento estarão virando noites para deixar os cronogramas das obras em dia. Não está sendo fácil. Pois em meio a tanto trabalho e ansiedade, África do Sul ainda tem que encontrar forças para tentar demonstrar que o apartheid praticamente se extinguiu e que estão encarando de frente os problemas estruturais e sociais, como a corrupção, a criminalidade, a desigualdade social e epidemias (como a de HIV). Sem fazer vista grossa para estas realidades, muitas vezes longe dos olhos dos visitantes, o mundo poderá conhecer uma nova África, que não se esquece do passado mas só tem olhos para o futuro.

Seja para a Copa do Mundo ou não, a porta de entrada para a África do Sul é metrópole local, Johannesburgo, que recebe do Brasil vôos diários da South African Airways. Frenética, com trânsito caótico e alvo de críticas por causa da falta de segurança principalmente à noite, será palco da abertura da Copa e sede dos dois primeiros jogos do Brasil (contra Coréia do Norte no dia 15 de junho e diante da Costa do Marfim, no dia 20).

Com grande concentração de renda, Johannesburgo esbanja uma riqueza bastante visível extraída em grande parte das minas de ouro e diamante que ficam na periferia. As modernas autopistas, com mão inglesa (herança da colonização britânica) estão abarrotadas de BMW e Mercedes. Visitantes desavisados vão ficar de queixo caído ao descobrirem uma cidade moderna e agitada. Há ainda um esforço das autoridades locais para combater a violência, crimes diversos e assaltos que deram má fama à cidade a exemplo do que aconteceu com o Rio de Janeiro (RJ) durante o Jogos Pan-Americanos de 2007.

De certa forma, Johannesburgo não tem cara de “cidade”, mas sim de uma malha urbana que une distritos um tanto longe uns dos outros. Alguns dizem que lembra Brasília, outros comparam à Alphaville, o bairro de residências bacanas e prédios de negócios projetado nas redondezas de São Paulo. O jogo de abertura e a finalíssima da Copa serão no imponente estádio Soccer City, gigante que foi reformado para receber 94.700 torcedores. Importante na história recente, o estádio foi palco do primeiro encontro de Nelson Mandela com o grande público após a libertação do líder negro sul-africano. Também na cidade, o estádio Ellis Park  (61 mil lugares) é mais antigo e abrigará o primeiro jogo do Brasil.

Hoje, Johannesburgo tem uma grande oferta de hotéis chique e bacanas. Uma boa sugestão de hospedagem é o modernoso Melrose Arch, numa das regiões mais prósperas do norte da cidade. Dele é possível ir a pé para centros de compras e também se deliciar com a arrojada gastronomia da cidade. A decoração colorida e futurista são marca registrada e a piscina cheia de mesinhas é o cartão-postal. Em frente ao hotel, você pode conferir uma ótima variedade de carnes do restaurante bar Moyo, que fica num belo bulevar iluminado com tochas, que sempre é lotado de casais e visitantes assistindo a shows de jazz e de dança típica.

Entre os passeios, o Apartheid Museum pode ser o primeiro passeio em Johannesburgo. La é possível compreender um pouco da história surreal das leis criadas pelos brancos que apartaram a população negra durante anos. Impossível não sair de lá cheio de perguntas e indignações, que farão o visitante refletir sobre o inferno vivido por gerações em um cruel embate mediado pela da pele. E também perceber a importância que a figura de Nelson Mandela teve na reconstrução do país.

Historicamente, muitos negros que antes eram apartados pelo regime de segregação racial agora estão migrando para a classe média e dando início a uma nova formação social, ainda não muito miscigenada, mas que está deixando para trás os “muros” que os separavam dos brancos. Hoje, todos frequentam os mesmo restaurantes, clubes, lojas e praças, um cenário impensável no final até meados dos anos de 1980.

Para saber mais, é possível fazer, no mesmo dia, um tour guiado pelo bairro do Soweto, o bairro negro habitado pelos mais pobres e símbolo da resistência ao apartheid. Programão para quem se interessa pela história da África do Sul.

Muitas agências de turismo organizam o trajeto que pode ser de uma tarde ou até de três dias, dependendo do tempo livre. O que não pode ficar de fora são as casas de Nelson Mandela e de Desmond Tutu, dois prêmios Nobel da Paz que moravam no mesmo quarteirão.

Dos movimentos que ali nasceram entre estudantes e desempregados revoltados nos anos 1960 e 1970, surgiu aquilo que seria um novo tempo de espe­rança e democracia para o país, levando ao fim do Apartheid e a libertação (1990) e eleição (1994) de Nelson Mandela como presidente da África do Sul.

Não vá embora do Soweto sem passar no Museu Hector Pieterson, que para muitos é o mais emocionante do país, pois mostra o legado deixado pelos jovens que perderam a vida lutando pelo fim da segregação racial. O caso mais emblemático foi do rapaz que dá ao nome ao museu. Ele estampa a famosa fotografia onde aparece tentando salvar uma criança que havia sido baleada. A irmã de Hector é quem administra hoje o local para receber turistas e falar da história de adolescentes que como seu irmão morreram lutando por justiça e igualdade.

Outro passeio indicado é pela região central de Joahannesburgo, próximo à Ponte Mandela, que se chama New Town. O centro velho está sendo revitalizado pelo governo em função das obras da Copa do Mundo e isso passa pelo oferecimento de uma maior segurança para os visitantes. Lá você encontra um museu interessantíssimo, construído no antigo mercado central de alimentos da antiga Johannes, o African Museum. É possível percorrer longos corredores com fotos, esculturas, roupas, carros antigos enfim, uma parte do legado da história do jovem país.

Para quem curte arqueologia, o seguno dia pode ser reservado para uma visista às Cavernas de Sterkfontein, um complexo de formações subterrâneas onde se descobriu um punhado de crânios e esqueletos que delinearam a história da compreensão da evolução do homem.

Bem estruturado e preparado para receber grandes grupos de visitantes, as Cavernas estão equipadas com corrimão, piso e iluminação adequadas para a observação seguras das impressionantes estalactites. Lá também existe o Museu Maropeng, que conta a evolução do planeta e ainda celebra o conhecimento da a civilização humana, exibindo ideias e des­cobertas, sempre enaltecendo a liberdade como uma grande conquista.

No caminho de volta pra o hotel é possível dar uma parada de meia hora no belíssimo Voortrekker Monument, uma construção imponente em pedra na parte mais alta da região que conta a história dos pioneiros e dos embates entre as tribos regionais e o brancos invasores. Se tiver pique pare, para jantar em um dos inúmeros restaurantes do Mandela Square, no caminho para o hotel. É uma bela a praça em forma de “U”, rodeada de shoppings, hotéis e cafés. Até a bolsa de valores sul-africana está ali. Ao centro, uma enorme estátua de Nelson Mandela vive rodeada de turistas posando com para fotografias.

Existem algumas tribos que podem ser visitadas nas redondezas de Joahannesburgo. Uma delas, a mais colorida e estilosa, é a dos Ndebele, cujo agendamento e visita deve ser organizado com antecedência com a agência de viagem ou no hotel. Fica cerca de três horas de carro do centro da cidade.

Reserve um dia todo para este passeio. Além de permitir o contato com um povo de tradições e indumentária muito curiosa, você poderá comprar alguns objetos feitos a mão pela mais famosa artista do país, a elegante Esther Mahlangu. Ela desenha à mão-livre, sem medições ou esboços, usando tintas brilhantes que conferem aos  trabalhos um vigor e colorido extraordinário. À primeira vista puramente abstratas, as composições são construídas com base num complexo sistema de sinais e símbolos.

Mahlangu foi a primeira artista Ndebele a transpor os murais para telas e chegar a um grande público. Em 1989, ela foi até Paris para criar os murais da exposição Magiciens de la Terre e recebeu encomendas de trabalhos para museus e outros edifícios públicos como o Civic Theater de Johannesburgo e para a BMW. Mahlangu levou a arte Ndebele ao mundo e afirma hoje “A minha mãe e a minha avó ensinaram-me a pintar quando tinha apenas dez anos. A partir daí nunca mais parei. Sinto-me feliz quando produzo.” Se der sorte, ainda conseguirá uma foto ou autógrafo da célebre artista ou um encontro com a Matriarca da tribo.

Existem outras tribos que mantiveram tradições e que podem ser visitadas na África do Sul. A maior etnia do país é a dos Zulus (24% da população). A tribo dos homens guerreiros e das mulheres de rosto pintado de vermelho está espalhada por todo o território sul-africano, sobretudo da parte sudeste, próximo à cidade de Durban, onde se encontra o Reino do Zulus. Não é fácil visitá-los, pois são um povo com costumes antigos, muito formais e bem preservados. Mas há uma opção curiosa para quem quiser ter acesso ao universo dessas tradições, que é a Shakaland, complexo hoteleiro, a duas horas de Durban , mais ao sul do país, montado para a produção do filme Shaka Zulu.

O elenco e a equipe ficavam em um hotel, ao lado das instalações da tribo cenográfica. Hoje, este local é realmente habitado por Zulus que apresentam um visual incrível e exibem tradições para os hóspedes do hotel que pagarem por isso.

É excesivamente turístico e um tanto artificial, mas não deixa de ser uma experiência divertida e cultural. Lá você poderá testar as habilidades com uma lança ou beber a cerveja rústica que eles mesmo produzem. Antes de ir e se arrepender, confira o site shakaland.com.

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