Giro em Fortaleza, bem longe do mar

Giro em Fortaleza, bem longe do mar

Atualizado: Quinta-feira, 3 Setembro de 2009 as 12

Mesmo que o destino principal seja Jericoacoara ou Canoa Quebrada, Fortaleza vai se impor entre o desembarque no aeroporto e o horário do transfer para essas duas badaladas praias. Desconsiderado o Beach Park, algumas horas na capital são suficientes, especialmente para quem já esteve lá. Mas, para aproveitar sem pressa as sugestões a seguir, que tal deixar a partida para o dia seguinte? Ou reservar uma pernoite no fim das férias?

Caso faça questão de praia, siga direto para a do Futuro. Com infraestrutura incrementada, suas megabarracas compensam um pouco a falta de charme natural. Mas os banhos de mar são muitíssimo mais gostosos fora da capital. As atrações culturais de Fortaleza desbancam facilmente qualquer trecho da orla.

O ponto de partida para curtir um roteiro bem longe do mar é também o lugar mais legal da cidade. Em uma vizinhança não exatamente bonita, no canto do bairro de Iracema, fica o Centro Cultural Dragão do Mar (www.dragaodomar.org.br), um primor arquitetônico cheio de passarelas metálicas suspensas que interligam museus, um planetário, um teatro, uma biblioteca, salas de cinema e a indefectível lojinha de souvenirs. Antigos armazéns coloniais foram incorporadas pelo centro cultural e transformados em bares e restaurantes. A praça central tem uma cúpula com propriedade acústica que amplifica vozes. No fim da tarde, adolescentes se reúnem embaixo dela.

Na praça de mesmo nome, o Teatro José de Alencar (0--85- 3101-2583), que completa 100 anos em 2010, é um dos orgulhos da cidade. Em homenagem ao criador da virgem dos lábios de mel foi erguida uma estrutura formada por arcos metálicos e vitrais art nouveau trazidos da Escócia. "Porque os ricos de antes e os de agora gostam mais das coisas da Europa", graceja o guia.

Há várias opções de visita guiada por dia, a R$ 4 por pessoa. O foyer, uma sala de recepções chique com pinturas restauradas, onde autoridades e famosos se alojam nos intervalos das peças, está incluído no tour.

Já na primeira sala de exposição permanente do Museu do Ceará (tel.: 0--85-3101-2611), o visitante se vê diante de uma provocação. "O Ceará não havia, nem fazia falta", diz o texto do curador, ao apresentar histórias dos índios que viviam na região antes da chegada dos portugueses. O palacete do século 19, no número 51 da Rua São Paulo, tem um acervo histórico precioso. Basta dizer que a batina, o chapéu e o cajado originais do Padre Cícero estão ali.

No capítulo gastronomia, deixe para comer a peixada cearense na praia. No restaurante Colher de Pau (www.restaurantecolherdepau.com.br) há receitas regionais que você não encontrará à beira-mar. Como a bem-servida carne de sol com manteiga da terra e baião de dois e o carneiro desfiado com arroz.

Postado por: Felipe Pinheiro

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