Ilha de Marajó

Ilha de Marajó

Atualizado: Terça-feira, 14 Agosto de 2007 as 12

Paisagens selvagens, tomadas por búfalos e pássaros, são alguns dos atrativos do lugar

A Ilha de Marajó não figura entre as principais dicas de roteiro para os turistas do Sul-Sudeste. Parece um lugar distante, desconhecido, inacessível e sem muitos atrativos. Nenhuma dessas impressões se confirmam. Conhecida nacionalmente por sua criação de búfalos, o lugar é ideal para quem busca ver algo novo e diferente, contato com a natureza e tranqüilidade. Ali, a vida é calma, a fauna e a flora são exóticas e as paisagens são de encher os olhos daqueles que as vêem pela primeira vez.

A Ilha de Marajó é a maior ilha flúvio-marinha do mundo. Está localizada na foz do rio Amazonas, no extremo Norte do Estado do Pará, e é cercada pelo oceano Atlântico e pelos rios Amazonas e Tocantins. É essa condição que permite que seja palco do fenômeno conhecido nacionalmente como pororoca. Trata-se de um dos eventos mais fantásticos da natureza e é caracterizado por grandes e violentas ondas formadas a partir do encontro das águas do mar com as do rio.

Esse grande território só dispõe de 12 municípios. O principal é Soure, considerado sua capital. Essa cidade serve de portão de entrada da ilha, feito a partir de Belém (PA). Em virtude disso, possui a melhor infra-estrutura de Marajó, servindo também de porto seguro para que dali o turista saia para explorar toda a beleza da local, como o povoado de Cachoeira do Arari, a 74 quilômetros de Soure, que foi construído sobre palafitas. Ali se encontra o Museu de Marajó, onde estão belos exemplares da cerâmica marajoara.

Outra dica é conhecer Salvaterra, o menor município da ilha, ocupando apenas 2% do território. No entanto, tamanho não é documento quando o assunto é beleza natural. A cidade possui belas praias, como a Praia Grande, cercada por coqueiros, florestas e campos inundáveis com paisagens fascinantes.   O melhor momento para conhecer a ilha   Uma das principais características da Ilha de Marajó é a chuva constante. No entanto, o melhor momento para visitá-la é de junho a janeiro, quando está um pouco mais seco e os passeios se tornam mais acessíveis. Nos restante do ano, a ilha fica praticamente alagada devido ao alto índice pluviométrico. Mas, independente da estação (chuvosa ou menos chuvosa), a fauna e a flora são sempre exuberantes. O número de aves, por exemplo, impressiona os visitantes. Nos campos marajoaras, avistam-se facilmente, guarás, mergulhões, garças e jaburus, pacas, cutias, jacarés e, claro, búfalos. Muitos búfalos. Não é à toa que é o símbolo da região.

Quanto ao litoral de Marajó, é ainda deserto e selvagem, marcado por praias e pequenos braços de rios (igarapés). As principais são Praia Sul, Joanes e Monsarás (em Salvaterra); e Praia Norte, Barra Velha, do Araruna e do Pesqueiro (em Soure). Essa última tem três quilômetros de extensão e é uma das mais visitadas. Possui areia batida e amarelada, que permite a formação de pequenas dunas, e coqueiros que a deixam bastante sombreada.

Para visitar a praia de Araruna é preciso se esforçar um pouco mais e atravessar o rio Araruna. Ali, as atrações são os mangues, que as águas do mar vêm tomando. Já a praia de Joanes (em Salvaterra), com dois quilômetros de extensão, também é bastante procurada por guardar ruínas do século XVIII.

Cerâmica - A cerâmica marajoara é famosa em todo Brasil. Estima-se que os primeiros exemplares dessa arte remetam a 980 antes de Cristo e os originais mais recentes datam do século XVIII. Essas peças foram descobertas a partir de escavações arqueológicas e são os únicos resquícios do povo marajoara, que dominou a região até o século XIV. A riqueza e beleza desse tipo de cerâmica podem ser conhecidas no Museu do Marajó, premiado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e no Museu Emílio Goeldi, em Belém (PA).   Como chegar a partir de Belém (PA)

Via fluvial: Saindo de Belém, há barcos que partem do Cais Escadinha. A duração da viagem é de 2h. Quem vai de carro deve pegar a balsa que parte de Icoroaci, a 13 quilômetros de Belém. Outro ponto de partida para os turistas que ali chegam de barco é Salvaterra - que está a 83 quilômetros via terrestre ou a quatro horas de barco de Belém.

Via aérea: Há a opção dos vôos realizados por empresas de táxi aéreo. Agências de viagem de Belém organizam pacotes completos para a Ilha de Marajó. Mais informações podem ser obtidas na companhia Paraense de Turismo (Paratur), fone (91) 3212-9135 e (91) 3242-7264; site www.paratur.pa.gov.br .

Por: Oséias Brandão. 

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