Ilhas Cayman: de paraíso fiscal a apenas paraíso

Ilhas Cayman: de paraíso fiscal a apenas paraíso

Atualizado: Quinta-feira, 1 Setembro de 2011 as 11:52

As Ilhas Cayman querem se reapresentar ao Brasil. O arquipélago, que é um dos mais conhecidos paraísos fiscais do mundo, pretende transformar sua imagem atual - que é atrelada aos benefícios fiscais e ao sigilo de contas bancárias - para atrair turistas brasileiros. O objetivo é fazer com que as pessoas vejam o local como um destino paradisíaco e seguro para viagens de férias em família.

Empenhados nesta missão, representantes do governo local e do setor hoteleiro estão no Brasil nesta semana para encontros com companhias aéreas e operadores de turismo. O objetivo, segundo eles, é conversar com quem já tem experiência com viajantes brasileiros para bolar um projeto certeiro na atração dos brasileiros de todas as classes sociais ao arquipélago.

O maior desafio, segundo os representantes de Cayman, é desenhar o plano de abordagem aos brasileiros. Outras ilhas do Caribe, como Aruba e Barbados, por exemplo, são muito mais conhecidas como destino turístico no País.

Depois de conversar com representantes brasileiros dos setores aéreo e de turismo, o governo do arquipélago começará um projeto de propaganda no País, diz Shomari Scott, diretor de marketing internacional do Departamento de Turismo das Ilhas Cayman.

A ideia é repetir o que já foi feito nos Estados Unidos, no Canadá e na Inglaterra, segundo Scott. Nos três países, que são os maiores emissores de turistas às Ilhas Cayman, com 80%, 7% e 3% do total, respectivamente, já foram lançadas diversas campanhas para divulgar as belezas do local, sempre desvinculando a imagem do território à de paraíso fiscal. “Fizemos programas diversos na mídia para mudar a imagem das pessoas, incluindo campanhas na televisão voltadas às famílias,” diz o diretor de marketing internacional das Ilhas Cayman.

“Agora vamos diagnosticar a melhor abordagem para os brasileiros. Não queremos apenas ‘copiar e colar’ as campanhas já feitas em outros locais,” diz Laura Skec, diretora de vendas e de marketing do Grand Cayman Resort.

Acesso

Outro grande desafio é descobrir a melhor forma de acesso ao arquipélago. “Precisamos conversar com as companhias aéreas para saber, por exemplo, se é melhor termos um voo direto do Brasil às Ilhas Cayman,” afirma Enrique Tasende, gerente geral do resort Grand Cayman do grupo hoteleiro Marriott.

Atualmente, a opção de voo disponível tem uma parada em Miami. Da cidade norte-americana até as ilhas a viagem dura 45 minutos. Por um lado, os visitantes podem aproveitar a passagem pelos Estados Unidos para fazer compras. Por outro, é preciso que tenham o visto norte-americano. Para entrar nas Ilhas Cayman, o documento não é necessário.

Classe C

O principal motivo que leva o governo e as empresas das Ilhas Cayman a olharem ao mercado brasileiro de turismo é o crescimento do Brasil e o elevado poder de consumo dos brasileiros. Agora, a primeira nova aposta do governo de Cayman é o Brasil. “O País será o nosso primeiro teste de promoção das ilhas como destino de turismo, começando por São Paulo,” diz Scott.

“A economia brasileira é assunto em todos os lugares,” comenta Tasende. Ao elevar o número de visitantes de locais como o Brasil, o arquipélago também reduz sua dependência dos turistas norte-americanos.

“Depois da crise de 2008, algumas famílias dos EUA ficaram com um pé atrás e deixaram de viajar tanto. Hoje, já voltaram. Mas no ano passado, o Canadá – e não os Estados Unidos - foi o país que mais cresceu no número de viajantes para cá”, diz Scott.

Cientes de que o Brasil vive um bom momento econômico, que tem permitido um maior acesso a população de classe C ao consumo, os representantes de Cayman dizem que pretendem atrair não apenas os turistas de maior poder aquisitivo, mas também as famílias da classe média. "Faremos promoções e pacotes especiais.

Atualmente, o custo de uma diária de um quarto para uma família de duas a quatro pessoas no Grand Cayman da Marriot varia de US$ 120 (R$ 190) na baixa temporada a US$ 500 (R$ 795) na época das festas de fim de ano, segundo Tasende.

Paraíso fiscal

Hoje, cerca de 70% da economia das Ilhas Cayman gira em torno do setor financeiro. Turismo e mercado imobiliário também têm participação expressiva no Produto Interno Bruto (PIB) local, segundo Scott. Descoberto em 1503 por Cristóvão Colombo, o arquipélago fica perto de Cuba e da Jamaica e tem uma área de 260 quilômetros quadrados.

Ao lado de Bahamas, Ilhas Jersey e Ilha de Chipre, as Ilhas Cayman são um paraíso fiscal que permitem que um brasileiro abra uma empresa, com conta bancária, apresentando apenas um nome para a companhia, uma cópia do passaporte de um responsável e uma carta de recomendação de um banco brasileiro. Os bancos garantem sigilo e os impostos sobre os lucros da companhia chegam a ser quase 10 vezes inferiores aos cobrados no Brasil.

veja também