Iphan quer transformar bairro do Bom Retiro em patrimônio cultural

Iphan quer transformar bairro do Bom Retiro em patrimônio cultural

Atualizado: Sexta-feira, 29 Agosto de 2008 as 12

A diversidade do bairro do Bom Retiro, em São Paulo, deve virar patrimônio cultural do Brasil. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que vem estudando o reconhecimento da importância do local desde 2004, apresentou projeto, nessa quarta-feira, 27 de agosto, às lideranças das várias comunidades e etnias que vivem no bairro.

Segundo Simone Toji, coordenadora da pesquisa do Iphan sobre o Bom Retiro, a idéia do instituto é registrar as ruas do local como um bem imaterial do país já no ano que vem. É nelas, explicou ela, que muitos imigrantes italianos, judeus, árabes, coreanos, bolivianos e paraguaios que ingressaram no país desde o final do século 19 ou que continuam chegando se relacionam, transformando assim a cultura do bairro em uma riqueza nacional.

“Para muita gente, muita gente, o Bom Retiro é só um lugar de compras, mas ele é muito mais do que isso”, afirmou Flávia Brito do Nascimento, arquiteta e uma das pesquisadoras envolvidas no projeto. “No bairro, imigrantes do mundo inteiro se reuniram devido à proximidade com a estação do trem, e trouxeram consigo seus costumes.”

Ela explicou que nas ruas do Bom Retiro realizam-se diversas feiras, manifestações culturais e religiosas que precisam ser preservadas. Existem também restaurantes, lojas e sedes de associações e grupos culturais que ajudam a definir a identidade multifacetada do bairro.

Com o reconhecimento do Iphan, o governo federal se tornará co-responsável pela manutenção do local e de suas características. Além de apoio financeiro, algumas ações para a organização de projetos de preservação passarão a ser financiadas pela União.

De acordo com Toji, o Iphan estuda também o tombamento histórico de seis edifícios do bairro: duas escolas, um antigo abrigo de imigrantes, duas igrejas e mais um teatro. Os prédios, segundo ela, também representam parte da diversidade do local e, por isso, devem ser incluídos no rol de lugares cujas características não podem ser modificadas.

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