Lisboa, moderna e cheia de história

Lisboa, moderna e cheia de história

Atualizado: Terça-feira, 23 Agosto de 2011 as 11

  Muitos brasileiros, quando viajam à Europa, não fazem questão de colocar Lisboa em seus roteiros, preterindo a cidade por lugares mais famosos do Velho Continente, como Barcelona, Roma e Paris. Grande engano. Poucos lugares no mundo têm tanta beleza e personalidade como a capital lusitana: construída no decorrer dos últimos três mil anos, às margens do estuário do rio Tejo, Lisboa não é apenas o celeiro das grandes navegações, mas um centro de cultura, história e muito entretenimento.

Dizem algumas versões da história que a cidade foi fundada pelos fenícios no século 12 a.C. e batizada Allis Ubbo, ou "Porto Encantador", em referência ao porto natural que o Tejo oferecia às embarcações. Sua localização, para a época, era altamente estratégica: todo o movimento náutico entre o norte da Europa, o Mar Mediterrâneo e o interior da Península Ibérica passava por suas proximidades, o que acabou por torná-la um importante entreposto comercial.

Tal posição foi disputada por várias civilizações e, no decorrer dos séculos, o local esteve sob o domínio de romanos, visigodos, mouros - estes fariam da cidade, a qual chamavam de Al-Ushbuna, um dos principais centros islâmicos do mundo. Após a reconquista cristã, Lisboa iria se tornar, em 1255, capital do reino de Portugal e se ergueria, duzentos anos mais tarde, como um dos berços dos grandes empreendimentos marítimos.   A cidade foi destruída por um terremoto em 1755 e reconstruída sob a liderança de Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal. Hoje, parte das paisagens lisboetas são testemunho fiel do rico passado local e detêm grande charme de antiguidade. Bairros como Alfama, Chiado, Baixa Pombalina e Bairro Alto são cercados por edifícios históricos, bondes antigos, praças centenárias e restaurantes tradicionais. Suas vielas, calçadões e mirantes são um convite para caminhadas longas e contemplativas, que podem passar tanto por monumentos dedicados a antigos reis como por estátuas de Fernando Pessoa.

E o cenário tem trilha sonora. O fado, música de timbre melancólico e grande poesia que surgiu no século 19, emana de suas tavernas todas as noites, enquanto o vinho verde é servido de mesa em mesa. A boa culinária, por sua vez, faz parte da vida diária e pode ser saboreada a qualquer hora, seja numa velha padaria, na fábrica de pastéis de Belém ou num luxuoso bistrô. E o apetite por cultura é saciado a cada incursão a museu ou igreja antiga.

Mas engana-se quem pensa que a capital portuguesa, hoje com 600 mil habitantes, é feita apenas de tradições. Desde a Expo '98, evento que modernizou boa parte da cidade e deu origem ao belíssimo Parque das Nações, Lisboa vem se destacando como um dos principais polos de arquitetura de vanguarda e arte moderna da Europa. Aqui, é possível passar dias apenas visitando edifícios e centros culturais que se encontram, de corpo e alma, no século 21. E atravessar noites em bares e discotecas que funcionam, a pleno vapor, até o sol nascer.

E não se deve esquecer de um detalhe: Lisboa não perdeu sua posição estratégica. A cidade está situada no extremo ocidental da Europa, o que faz dela um ponto de partida perfeito para viajantes que almejam desbravar o continente. Começar uma jornada pela terra dos grandes navegadores pode ser, sem dúvida, um sinal de belas aventuras.      

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