Marrakech revela o lado mais exótico da cultura muçulmana

Marrakech revela o lado mais exótico da cultura muçulmana

Atualizado: Terça-feira, 3 Maio de 2011 as 8:40

As distâncias religiosas e de costumes, sobretudo em tempos de conflito no Oriente Médio, exercem enorme fascínio e receio aos viajantes ocidentais que se aventuram no exótico mundo muçulmano. Localizada no centro-sul do Marrocos, Marrakech é uma ótima opção para se conhecer a genuína cultura islâmica com conforto e segurança.

Na encruzilhada entre o Saara e o litoral atlântico da África, a cidade é a mais preservada de influência europeia em relação a outros pontos turísticos ao norte, como Casablanca, Tanger ou a capital Rabat. Marrakech tem também ótima infra-estrutura turística e clima acolhedor aos estrangeiros, além oferecer roteiros nos arredores que vão desde um passeio à costa, visita aos picos nevados do Atlas ou dormir no deserto.

Fundada no século 11, Marrakech teve tempos de apogeu, como a ocupação moura na Península Ibérica, alternados por guerras e invasões. Até os anos 1950, o Marrocos sofreu a influência de colonizadores espanhóis e principalmente franceses, que ainda dominam o país cultural e economicamente. Por outro lado, um traço marcante de Marrakech é sua ligação com as tribos berberes, como são conhecidos os povos nômades do interior.     Os tempos de glória muçulmana estão muito presentes nos jardins, belíssimos palácios e mesquitas, como a Kutubiyya. Seu imenso minarete pode ser visto a quilômetros de distância, enquanto logo abaixo se abre um imenso jardim com laranjeiras e palmeiras. Infelizmente, o acesso aos templos é vedado aos não-muçulmanos. A única opção de visitação ao turista é a grande mesquita de Casablanca.

Comércio, religião e gastronomia

Um das características mais fascinantes da cultura muçulmana é a estreita relação entre comércio e religião. O profeta Maomé, fundador do islamismo do no século 7, foi um próspero mercador em seu tempo, o que reforça vocação desse povo ao comércio. Em Marrakech, é difícil saber os limites entre fé e negócios, duas características muito frequentes dentro da Medina, o centro antigo, circundado por uma grande muralha, que era usada no passado para a defesa da cidade.

Do outro lado da Mesquita Kutubiyya nasce a praça Djemaa El-Fna. É dali que se espalha o grande mercado central, o   souk . A primeira visão impressiona. Milhares de homens em roupas típicas e mulheres de véu da cabeça aos pés; músicos com macacos, encantadores de cobras, vendedores de tâmaras e charretes passando apressadamente. Os marroquinos assediam muito os turistas, mas há poucos pedintes. Todos querem oferecer alguma coisa. Embora assuste um pouco, o povo é muito cordial e assaltos são incomuns. Vale, claro, ficar sempre de olho na mochila e não expor objetos de valor.

O   souk   se perde por um emaranhado de ruelas onde se vende de tudo. O cheiro de especiarias domina o ar e as lojas oferecem de frutas secas a víveres, passando por tapetes, cristais, cerâmica fina e joias. Em algumas partes do mercado pode-se ver os artesãos trabalhando com metalurgia ou pintura. Perder-se por ali fácil e divertido.

Com um milhão de habitantes, Marrekch é uma das metrópoles mais emblemáticas do Magreb, que compreende toda a região de domínio cultural muçulmano no norte da África. Outro traço marcante da cidade é seu trânsito frenético de motocicletas, carros velhos e carroças que obriga o visitante a ter muita atenção ao caminhar nas ruas e até pelas calçadas. Por outro lado, oferece tranquilos refúgios em praças e parques, onde os marroquinos, muito conversadores, se encontram para pôr o assunto em dia.

Há ainda uma elegante área nova, fora da Medina, o bairro de Guéliz. Ali se concentram os hotéis de luxo, novos edifícios comerciais, bares e restaurantes da moda, onde se destaca a culinária contemporânea, sobretudo de influência francesa. Marrakech atrai também o turismo cinco estrelas com enormes resorts e campos de golfe.

Além da área urbana, a posição privilegiada do seu núcleo urbano permite chegar sem dificuldade a diversas atrações nos arredores. Um itinerário imperdível, a 150 quilômetros, é a pacata cidade litorânea de Essaouira, onde se destaca um belíssimo forte português do século 16. Ou pode-se visitar a cordilheira do Atlas, uma série de picos nevados distante a menos de uma hora do centro. Para quem busca um pouco mais de aventura, é possível ainda acampar em um oásis sob o céu estrelado do Saara.

Nessa terra, os limites incertos entre Ocidente e Oriente, fé e secularismo, desafiam os estereótipos e despertam ainda mais a admiração dos viajantes. Marrakech mostra que o mundo muçulmano segue a seu próprio ritmo, como em uma longa caravana pelo deserto.

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INFORMAÇÕES E SERVIÇO Site do país   -   www.maroc.ma

Site de turismo do país   -   www.visitmorocco.com   e   www.travel-in-morocco.com   (em francês)

Site da cidade   -   www.marrakech-cityguide.com

Embaixada do Brasil em Rabat   - Avenue Al Jacaranda, M-10, Secteur 2, Hay Riad, 10100 Rabat, tel. 212 (0) 537-71-46-63 / 71-46-13 / 71-61-10. Atendimento: seg. a sex., das 9h às 13h.www.abe.mre.gov.br/mundo/africa/reino-do-marrocos/rabat/informacoes/informacoes-praticas . E-mail:[email protected] . Fora desse horário, em feriados ou fins de semana, mas apenas nos casos de comprovada   emergência , poderá ser acionado o funcionário de plantão no tel. 212 (0) 664-96-87-54.

Consulado Honorário em Casablanca   - Subordinado à Embaixada do Brasil em Rabat. Rue Al Amaouni Brahim, 23, 12001, Casablanca, tel. 212 (0) 522-20-18-98.

Idioma oficial   - Árabe. O francês é a segunda língua mais falada do país e o inglês funciona razoavelmente bem. No norte do Marrocos o espanhol também é utilizado.

Palavras de uso comum em árabe:

Sim:   naam/Oukha

Não:  

Obrigado:   shukran

Ok:   muwáfiq

Por favor:   min fadlik

Até logo:   ilál-liqá/Beslama

Bom dia:   sabáhal-jír

Perdão:   ismahlí

Quando custa?   Kam/Chhal?

Não compreendo:   lá afhham

Fuso horário   - O Marrocos segue o horário do meridiano de Greenwich, com três horas a menos de diferença do Brasil.

DDI   - 212. Para ligações do Brasil para o Marrocos deve-se acrescentar 0 entre o código do país e da cidade. Dentro do Marrocos os números utilizados começam pelo código da cidade ou do celular.

Código de acesso da cidade   - 524

Telefones úteis :

Polícia

Rabat - tel. 212 (0) 537-72-02-31 / 537-23-25-18

Casablanca - tel. 212 (0) 522-77-83-00 / 666-34-09-41

Imigração

Marrakech - tel. 212 (0) 522-53-96-10 / 97-10

Pronto-socorro

Marrakech- tel. 212 (0) 524-44-37-24

Informações turísticas   - Não é muito fácil encontrar pontos de informação turística na cidade. Você pode se informar nos hotéis ou procurar as   Délégations du Tourisme . Place Abdelmmoumen Ben Ali, Av Mohamed V, Gueliz - Marrakech, tel. 212 (0) 524-43-61-31 / 79.   [email protected]

Moeda   - A moeda local é o Dirham marroquino (DH). Acesse   economia.uol.com.br/cotacoes   para acompanhar a cotação da moeda local.

Câmbio   - Logo no aeroporto de Marrakech há um posto de troca com melhores cotações, mas é possível fazer o câmbio em bancos, hotéis ou em alguns caixas eletrônicos com cartão de crédito internacional. É bom ter o passaporte em mãos caso seja solicitado.

Horário de funcionamento dos bancos   - Segunda a sexta, das 8h15 às 14h15. No mês do Ramadã (que varia de ano a ano), das 9h30 às 14h. É aconselhável andar sempre algum dinheiro na moeda local, já que nem todos os lugares aceitam cartões de crédito e o câmbio do comerciante para dólares ou euros é sempre pior que o dos bancos.

Gorjetas   - Não existem regras para gorjeta, mas é sempre bom ter moedas à mão, pois serão utilizadas com frequência. Ao tirar fotos de transeuntes e artistas de rua ou ainda aceitar a orientação de um "guia" se estiver perdido, é esperado algum pagamento. Procure acertar os valores antes quando estiver em alguma dessas situações.

Tenha cautela ao tirar fotos e procure sempre pedir autorização antes. Mulheres com véus e policiais não gostam de ser fotografados. Fotos em lugares religiosos também podem render uma boa dor de cabeça.

Telefone   - É fácil encontrar telefones públicos pela cidade ou cabines telefônicas. Há também boa oferta de oficinas de correio.

Internet   - O sinal Wi-Fi de internet dos hotéis nem sempre é de boa qualidade e em muitos casos está limitado às áreas próximas à recepção. Não é difícil, contudo, encontrar cyber cafés pela cidade.

Segurança   - Guarde seu dinheiro em lugar seguro e utilize cofres nos hotéis, tomando o cuidado de conferir de vez em quando.

Não ande com objetos de valor à mostra e fique atento com bolsas, sacolas e carteiras.

Para não chamar atenção demais, no caso das mulheres, prefira utilizar cabelo preso e roupas discretas, evitando shorts, minissaias e regatas. Braços, pernas e cabelos à mostra são tabus na cultura muçulmana. Ainda assim, não há hostilidade contra os trajes ocidentais.

Andar acompanhado, principalmente nos mercados e à noite, evita problemas. Não é comum ver mulheres nas ruas depois das 22h.

Procure certificar-se de que sucos sejam feitos com água engarrafada e evite o consumo de gelo.

Voltagem e tomadas   - Novas construções utilizam sistema de 220 V e nas antigas predominam as de 110 V, então é sempre bom conferir a voltagem do local antes de usar aparelhos eletrônicos.

Vacinas   - Não são necessárias.

Quando viajar   - Marrakech possui as estações do ano bem demarcadas, sendo as épocas de primavera e outono as mais agradáveis, com temperaturas em torno dos 25 graus. No inverno, as tardes são bem agradáveis, mas a temperatura chega a cair para 5 graus à noite. No verão, que vai de julho a setembro, além de ser a alta temporada europeia, as temperaturas são escaldantes, com média de 38 graus.

Vale sempre conferir o calendário islâmico para saber mais sobre as festas típicas da religião:www.ing.org/about/islampage.asp?num=14

(em inglês).    

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