Mauritânia une esforços para reviver seu turismo

Mauritânia une esforços para reviver seu turismo

Atualizado: Quarta-feira, 7 Dezembro de 2011 as 11:46

O terrorismo no Sael e os temores na Europa afugentaram os turistas da Mauritânia, um país que costuma receber turistas em busca de paisagens desérticas e verdes oásis.

Estes medos surgiram principalmente depois dos assassinatos e sequestros de europeus, ocorridos nos últimos anos por grupos ligados à Al Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI).

O assassinato de quatro turistas franceses em dezembro de 2007 nos arredores de Aelg, ao sul de Nouakchott, e de um americano em junho de 2009, mais os sequestros nesse mesmo ano de três espanhóis e um casal de italianos, despertaram um sentimento de insegurança entre os turistas ocidentais.

De todos estes fatos, a morte dos quatro franceses tenha sido talvez o maior responsável pela péssima impressão deixada nos estrangeiros, gerando além disso a anulação quase imediata do rali Paris-Dacar, que atravessava todo ano o território mauritano.

Esta anulação foi uma decisão do ministério de Relações Exteriores francês, que também desaconselhou às operadoras francesas organizar viagens para Mauritânia.

"Foram sobretudo as decisões políticas que levaram a esta situação", disse Jadiyetu Mint Dua, diretora-geral do Escritório Nacional de Turismo (ONT), que acredita que "é preciso relativizar esta ameaça de segurança porque ela existe em todos os países do mundo".

Uma posição compartilhada por Idumu Ould Abderrahman, presidente de uma empresa turística, já que, segundo ele, o problema real do turismo está na "falsa imagem" do país no exterior.

"A imprensa estrangeira, sobretudo a europeia, apresenta nosso país como perigoso em nível de segurança", explica Abderrahman, sustentando que o ocorrido com o rali Paris-Dacar foi "um complô fomentado por grandes empresas automobilísticas europeias que buscavam a todo custo levar os grandes ralis para a América Latina onde têm grandes interesses".

Para pôr fim à crise do setor, a ONT desenvolveu em 2010 um plano de marketing que tenta impulsionar a oferta turística e a expandir para novos países como Bélgica, Alemanha, Itália, Espanha e Estados Unidos e para os asiáticos.

A Mauritânia possui muitas paisagens desérticas com dunas de areia dourada, oásis aos pés das montanhas e uma rica herança cultural, como as antigas cidades de Chinguetti, Ouadane, Tichit, Oualata, classificadas pela Unesco como Patrimônio Mundial da Humanidade.

Segundo a diretora do ONT, o atrativo destas cidades torna imprescindível que sejam estruturadas para receber os viajantes, adequando a qualidade dos alojamentos e melhorando o transporte público para que os turistas possam visitá-las com faciliade.

Os números da ONT apontam que 50 mil turistas chegaram em 2010 à Mauritânia em voos regulares e pelos pontos terrestres de entrada de Nuadibu (fronteira norte do país), Diama e Rosso (fronteira com o Senegal). Além disso, o Escritório Nacional de Estatísticas, referência oficial, indica que o turismo contribui com 1,5% do PIB, mas a ONT considera que este número esteja muito abaixo da realidade.

Paralelamente às melhoras estruturais, o Governo realiza um esforço sustentado e constante para garantir a segurança em todas as partes do país, sobretudo nos lugares frequentados por estrangeiros, sejam turistas ou investidores.

Abderrahman elogia os esforços do ministério e ressalta que outro problema é o alto custo do visto de entrada ao país - 152 euros no caso dos franceses, que representam a maioria dos turistas.

"Parece que a renda dos vistos são importantes para o orçamento da Mauritânia", disse Abderrahman, reconhecendo que Nouakchott gasta enormes somas de dinheiro para tornar o país seguro contra os grupos terroristas e criminosos.

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