México, Vilas, museus e um pedacinho do Brasil

México, Vilas, museus e um pedacinho do Brasil

Atualizado: Sexta-feira, 8 Abril de 2011 as 11:33

Quando se fala de símbolos do México, o que lhe vem à mente? Os mariachis – aqueles cantores em trajes típicos e com sombreros na cabeça – certamente serão lembrados. Assim como a tequila, bebida que há muito ganhou as prateleiras do mundo. Para os fanáticos por futebol, o México é a terra em que a escrete canarinho, com Pelé & cia., conquistou, em 1970, o tricampeonato mundial de futebol, com uma equipe que muitos saudosistas consideram a melhor seleção de todos os tempos.

Mas, antes de ser símbolos mexicanos, os mariachis, a tequila – e por que não dizer a campanha brasileira do tri – são ícones de Jalisco, Estado que fica ao norte da Cidade do México e que carrega a fama de ser, como se viu por esses exemplos, o berço de muitas tradições do país. Além de orgulhosamente ostentar as raízes mexicanas, outros ímãs da região são as praias banhadas pelo Pacífico, a exemplo de Puerto Vallarta, e as cidades que guardam um precioso conjunto arquitetônico colonial, como Guadalajara.

Capital do Estado de Jalisco e uma metrópole e centro econômico modernos, que fica apenas atrás da Cidade do México, distante 650 km dali, Guadalajara é conhecida como “Pérola do Oeste”, graças aos prédios coloniais imponentes, ladeados por sucessivas praças.

É uma delícia perambular pelo centro histórico de Guadalajara, sempre cheio de vendedores de chicharón (uma espécie de pururuca) com pimenta ou de frutas já cortadas e de gente entrando e saindo de lugares como a catedral, junto à Plaza de Armas e seu coreto.

O início da construção desse templo se deu em 1542, mas ele seguiu inconcluído até o século 18. Depois dos terremotos de 1750 e 1818, a catedral ganhou as marcantes torres revestidas de ladrilhos amarelos que, junto dos altares e pinturas dos séculos 18 e 19 na sacristia, transformaram-na num cartão-postal da cidade. Ali pertinho, na esquina da Avenida Hidalgo com a Calle Liceo, está o Museu Regional de Guadalajara, uma imponente construção do século 18.

O espaço apresenta exposições de paleontologia e arqueologia – entre os itens à mostra estão um esqueleto completo de mamute e uma réplica de um túmulo de poço descoberto em Zapopan. Objetos que contam um pouco da história da região e também dos índios locais, além de pinturas de artistas de Jalisco, completam o acervo.

De lá, pode-se tomar vários rumos para continuar apreciando a arquitetura do período colonial, como a Plaza Liberación, logo atrás da catedral. Ali estão, por exemplo, o Supremo Tribunal de Justiça do Estado de Jalisco, que ocupa o antigo Convento de Santa Maria de Gracia, construído entre 1588 e 1590.

O Teatro Degollado, que segue em atividade e comporta 1.400 pessoas, é outra atração do pedaço, com um pórtico com oito colunas coríntias e um friso na parte superior mostrando Apolo e as nove musas. Por dentro, a imponência não é menor: são cinco andares decorados em dourado e vermelho e uma cúpula pintada com cenas da Divina Comédia, de Dante Alighieri. O toque contemporâneo da praça é o Muro da Catarse, um muro de pedras sobrepostas em que as pessoas deixam bilhetinhos, com suas lamúrias ou com seus desejos, enfiados nos vãos das pedras.

A próxima parada dessa caminhada pode ser o Palácio do Governo (Calle Moreno com Avenida Corona), erguido em 1774 no estilo barroco e hoje usado como sede do governo estadual de Jalisco. O destaque fica por conta dos grandes e impressionantes murais de José Clemente Orozco (1883-1949), um artista de influência expressionista, que pintava com formas ousadas e cores vivíssimas.

Na cúpula da escadaria principal está uma pintura cheia de metáforas visuais – até aparecem os símbolos do fascismo e do nazismo –, em que Orozco retrata o herói da independência mexicana Miguel Hidalgo, que em Guadalajara proclamou a abolição da escravatura em 1810.

Mas a obra-prima do muralista está no Hospício Cabañas (Calle Cabañas, 8), considerado o maior prédio colonial das Américas e que ao longo dos séculos 19 e 20 funcionou como quartel e orfanato, alternadamente duas vezes, sendo transformado, em 1983, em centro cultural e museu de belas artes.

Entre 1938 e 1939, Orozco pintou ali 57 murais – 25 deles usando a técnica de perspectiva – nas paredes, na abóboda e na capela. A temática foi novamente a história do México, dos tempos pré-hispânicos aos modernos.

Mas o que inevitavelmente chama mais a atenção é o imenso mural Hombre de Fuego (Homem de Fogo), concebido para ser visto a uma distância de 27 metros e que, pintado na cúpula, passa a perfeita impressão de ser uma imagem ereta, mas, na verdade, está numa superfície curva.

Além de usar as próprias pernas, você pode optar por conhecer o centro histórico a bordo de um ônibus que lembra um bonde e circula por 31 pontos turísticos de Guadalajara. O tour dura uma hora e custa a partir de 90 pesos por pessoa (cerca de R$ 17,00). Também há passeios de charrete pelas redondezas, ao preço de 200 pesos (em torno de R$ 37,00) para até seis pessoas. Nos dois casos, as partidas ocorrem na praça da catedral, em vários horários ao logo do dia.

Cidade onde o Brasil iniciou a campanha do tricampeonato mundial de futebol, Guadalajara homenageou a conquista da seleção canarinho com a construção da Plaza Brasil, uma praça bem em frente ao Estádio Jalisco, onde o inigualável time de Pelé, Jairzinho, Tostão, Rivelino e companhia jogou a primeira fase da Copa de 1970.

Além de uma grande placa com os dizeres “Plaza Brasil – Homenagem da cidade ao povo-irmão em comemoração ao 9º Campeonato Mundial de Futebol”, o lugar conta com um conjunto de esculturas de bronze, obra do artista Miguel Miramontes, formado por três jogadores sobre uma bola, em posições típicas do futebol.

Os “trimaníacos” que não se contentarem em visitar a praça e a parte exterior do Estádio Jalisco podem assistir a uma partida do Campeonato Mexicano de futebol, já que Guadalajara tem dois times, o Chivas e o Atlas, disputando a primeira divisão do certame.

Nos arredores de Guadalajara, há outras duas coisas obrigatórias de se fazer: visitar uma destilaria de tequila e ir aos “subúrbios” da cidade para garimpar artesanato e objetos de decoração. Um desses subúrbios é Tlaquepaque, que mesmo colada a Guadalajara, conserva um clima de interior.

Além de uma grande feira que funciona diariamente e na qual se encontra todo tipo de badulaque – sendo uma coisa ou outra realmente interessante, como os vestidos tipicamente bordados –, Tlaquepaque conta com várias lojas bacanas de artesanato, que vendem esculturas, cerâmicas e objetos dos mais variados materiais, de papel machê e madeira a metal e vidro, muitas vezes com preços exorbitantes.

A antiga vila, que já foi um destino chique de veraneio, também é o lugar onde os moradores de Guadalajara vão almoçar (ou jantar) nos fins de semana e feriados, o que os turistas podem e devem fazer em qualquer dia da semana. Isso porque Tlaquepaque reúne vários restaurantes charmosos – um dos campeões de preferência é o agradável El Parián, ao lado da praça central. Trata-se de um complexo que reúne quase duas dezenas de restaurantes. Todos com uma parte voltada para o pátio, onde está um coreto que abriga… as festejadas apresentações de mariachis, um dos símbolos-mor do Estado de Jalisco.

Outro lugar para compras é Tonalá, anteriormente uma vila independente e hoje também uma espécie de bairro da cidade. O lugar certamente vai levar as mulheres, em especial, à loucura, já que guarda cerca de 400 ateliês, que produzem toda sorte de artigos de decoração, souvenires e roupas, entre outros. Para não andar a esmo, prefira visitar Tonalá aos domingos e quintas, quando suas ruas ficam tomadas de bancas vendendo os “cobiçados” artigos, numa feira de rua concorridíssima.

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