Morro de São Paulo reúne praias reservadas e animada vida noturna

Morro de São Paulo reúne praias reservadas e animada vida noturna

Atualizado: Quarta-feira, 1 Dezembro de 2010 as 12:38

Morro de São Paulo respira o ar puro das ilhas que ainda não convivem com asfalto e automóveis. É dos morros mais verdes do litoral brasileiro, verde escuro, denso e aromático, quando chove. Neste pedaço da Bahia, a diversão começa em praias de águas transparentes: algumas rústicas e reservadas, outras com tradição de animadas festas noturnas.

Não é difícil chegar lá, no vilarejo turístico da ilha de Tinharé, que pertence ao município-arquipélago de Cairu, a 272 km de Salvador. Na capital baiana, as opções de transporte são táxi aéreo, lancha, catamarã e ainda um combinado de balsa, ônibus e barco ou lancha. Qualquer dos meios deixa ver o privilegiado ecossistema da Costa do Dendê, fonte da culinária afro-brasileira.

São quatro as praias principais: Primeira, Segunda, Terceira e Quarta. Quem busca silêncio e privacidade costuma preferir as duas últimas, que ficam relativamente distantes da infra-estrutura de lojas, restaurantes, danceterias e agências de passeio da Primeira e da Segunda. Estas, próximas da rua principal da vila, o Caminho da Praia, atraem o público mais jovem e os festeiros de plantão.

A graça do lugar reside justamente na diversidade de paisagens que pode ser percorrida no mesmo dia. Da muvuca da orla lotada, de gente, de guarda-sóis e de quiosques com atendentes em trajes mínimos, até os quilômetros desimpedidos para caminhadas entre piscinas e coqueiros da Quarta Praia, por exemplo.

Outra característica marcante é a forte presença estrangeira entre moradores e turistas. Nos últimos 20 anos, europeus andaram comprando (e cercando) grandes extensões de terra, morro abaixo e morro acima. Morro de São Paulo tem lá seu charme internacional na culinária, nos sotaques e nos cabelos loiríssimos dos herdeiros dos imigrantes nascidos ali.

Ainda que a submersão nas águas cálidas capitalize boa parte da programação diurna, não dá para dispensar as trilhas que desbravam um cenário especial, de ruas de terra no meio da mata. Trilhas fáceis levam às raras construções históricas do período colonial, como as ruínas da Fortaleza e a Fonte Grande. Quem se dispõe a trilhas de dificuldade média pode partir para a vila da Gamboa, a Fonte do Céu e o Teatro do Morro, estes dois lá no alto, numa zona chamada de Mangaba.

O transporte local se limita a tratores puxando cabines para poucos passageiros. Se a hospedagem escolhida não oferecer o translado desde o desembarque, visitantes com bagagem pesada vão precisar do serviço de carregadores, por exemplo.

De Morro, partem embarcações para viagens plácidas rumo a ilhas vizinhas, como a já famosa Boipeba, e também aventuras para velejadores experientes. Mergulhadores iniciantes e veteranos encontram infra-estrutura para o esporte em agências locais.

Antes de mais nada, faça como manda a hospitalidade baiana: relaxe. Respire. Se fizer sol, ótimo. Se despencar água, cores surpreendentes vão brotar das árvores, das bromélias, dos mangues. O festerê noturno segue em etapas e não tem hora para acabar, então descanse durante a tarde, esconda-se do mundo na rede do bangalô ou sob a sombra dos coqueiros.

E continue relaxando ao pôr-do-sol, sente na areia da praia para acompanhar uma partida de futebol com o azul do mar ao fundo, um paredão verde à esquerda (o do Farol) e o vermelho do céu acima. Meia caipirinha depois e aquele entrevero de pernas masculinas vai parecer mais um balé, uma pintura em movimento. O isolamento tem seu valor.

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