Na serra mineira, Inhotim é complexo de arte cercado de verde

Na serra mineira, Inhotim é complexo de arte cercado de verde

Atualizado: Terça-feira, 28 Julho de 2009 as 12

A fazenda de "Nhô" Tim não existe mais. A propriedade localizada a 60 km de Belo Horizonte, no município de Brumadinho, ganhou ares de museu a céu aberto.

Cercado por serras, onde imperam, à noite, brumas, o cenário mineiro hoje abriga o Instituto Inhotim, que preserva o nome do antigo proprietário. Aberto ao público desde o fim de 2006, o espaço cultural viu florescer dez galerias de arte contemporânea, que se espalham por 645 hectares de uma extasiante paisagem.

Nomes fundamentais da produção brasileira, como Cildo Meireles e Tunga, e destaques do panorama mundial, como Victor Grippo e Matthew Barney, foram parar no interior das Gerais.

Tudo começou quando o colecionador Bernardo Paz doou parte de seu acervo para o que hoje se converteu em um complexo museológico. O projeto está de pé com a curadoria de Allan Schwartzman, Jochen Volz (cocurador da 53ª Bienal de Veneza) e Rodrigo Moura (curador da Paralela 2008).

No cenário, ainda há traços das curvas do projeto original de Burle Marx (1909- 1994), além de uma coleção botânica com mais de 2.100 espécies, que conserva trechos de mata nativa.

Árvores, como um gigantesco tamboril, convivem com atrações como a "Magic Square # 5", criação de Hélio Oiticica (1937-1980).

Separados por alamedas e lagos, estão instalações como as de Janet Cardiff e de Doris Salcedo, que incitam sensações controversas em seus visitantes.

A primeira, "Forty Part Motet", é sublime. Em uma sala, 40 pequenas caixas acústicas reproduzem o coro da catedral de Salisbury, que entoa uma composição de 1575. Já "Neither", da colombiana Doris Salcedo, oferece uma experiência asfixiante e vertiginosa. Em seu cômodo completamente branco, paredes revestidas por grades e gesso remetem à opressão de um campo de concentração.

Apesar de seu tamanho colossal, Inhotim não tem placas: cada visitante descobre sua maneira própria de aproveitar o lugar. Por ali já passou, por exemplo, uma excursão de freiras. "Ficamos impressionados.

Elas se relacionaram muito bem com as obras", conta Maria Eugênia Repolês, 27, educadora pós-graduada na Escola Guignard (MG), que formou Amilcar de Castro (1920-2002).

Ao passar por uma instalação -um globo que em seu interior tem uma fonte de água iluminada por raios de luz estroboscópica-, as visitantes tomaram um "banho de arte". "As freiras brincaram e saíram molhadas", relata a funcionária.

Crianças também são bem-vindas. Certa vez, um grupo delas se recusou a entrar na instalação "Através", de Cildo Meireles, um conjunto formado por barreiras de diversos materiais sob um chão de vidro estilhaçado. Mas, depois, surpreenderam os monitores interagindo com as obras e provando que arte não é só para ver.

Arte e cozinha

No último mês, Inhotim recebeu, como parte do evento Sabor e Saber, jantares com chefs estrelados pelo guia "Michelin".

Os catalães Jordi Juncá e Paco Pérez abriram, em duas noites, o projeto que pretende, em 2010, aportar na Catalunha.

Garfadas (ou colheradas) surgiam entre pausas para contemplar a beleza do local à noite. Nuances como a da salada foie gras com amoras preparada com nitrogênio líquido arrancaram dos comensais reações semelhantes às dos trabalhos nas galerias.

Essa ala das artes deve ser incrementada até outubro deste ano com novas obras. Entre os destaques, Doug Aitken, cuja instalação já esteve presente no MoMA (Museu de Arte Moderna de Nova York).

Mais uma razão para subir a serra mineira e contemplar esta produção reunida desde 1980.

ONDE

Inhotim fica a 60 km de Belo Horizonte, no município de Brumadinho

PARA QUEM

Famílias, apreciadores de arte e amantes da natureza. Oferece visitas orientadas

ONDE SABER MAIS

A programação e a previsão do tempo do local estão em www.inhotim.org.br

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