Novos conceitos mudam turismo de luxo

Novos conceitos mudam turismo de luxo

Atualizado: Sexta-feira, 9 Setembro de 2011 as 8:03

De acordo com dados da Organização Mundial do Turismo, os turistas de luxo correspondem a 3% dos turistas do mundo. Os gastos dessas pessoas em suas viagens representam 25% dos valores movimentados em viagens internacionais e, segundo o relatório da International Luxury Travel Market (ILTM), elas gastam por dia durante seus passeios, em média, oito vezes mais do que os turistas convencionais.

Mas, se você relacionou luxo com grandes hotéis decorados com itens e materiais preciosos, dúzias de camareiras e carregadores prontos para atender qualquer assobio, muito caviar e champanhe, saiba que várias ideias mudaram e deslocaram o conceito de luxo para a esfera das experiências exclusivas e humanizadas.

Guilherme Alvarez de Toledo Padilha, CEO da Auroraeco, agência de viagens especializada em destino de luxo na América do Sul, comenta que entre seus clientes pesa mais ser informado minuciosamente sobre o que vão encontrar no destino da viagem do que ficarem hospedados em um hotel cinco estrelas.

"O luxo hoje não é necessariamente a imagem de luxo francês Luis XV como imaginamos, esses passageiros estão atrás de relações humanizadas, o luxuoso é encantá-los com lugares onde o luxo convencional está ausente. Existem destinos que não tem estruturas de hardware de luxo, como hotéis cinco estrelas, mas nós avisamos e explicamos aos clientes detalhadamente como funcionam os serviços no local", menciona Guilherme.

Ele explica que algumas das características deste público são dar valor ao volume de informações que podem ser prestadas antes do embarque, buscar viagens personalizadas e estabelecer relações humanizadas com o lugar que vão visitar.

Para Marcos Piaskowy, professor de marketing de produtos de luxo da ESPM, muitos empresários brasileiros ainda não entenderam os novos conceitos que envolvem as necessidades do consumidor classe A de turismo. "Muitos empresários acham que é só subir o preço para seu negócio passar a ser de luxo, mas também é preciso ter um nível alto de investimento em pessoas, para prestar atendimentos cuidadosos e diferenciados", argumenta.

Ele exemplifica que o Pantanal brasileiro é um dos destinos do país com maior potencial para o turismo de luxo e cita que ensinar línguas para os barqueiros da região, para que os turistas fossem atendidos em suas línguas maternas, agregaria valor ao serviço. "Uma coisa é ter preço alto por oferecer valor agregado, outra é estipular preços elevados para criar uma linha de exclusão para nivelar quem consumir o produto", ressalta o professor.

O CEO da Auroraeco também ressalta que o custo da viagem, seja ele alto ou não, fica em segundo plano em relação à qualidade do serviço. "O importante é saber a expectativa do cliente e humanizar o máximo possível. É claro que se o destino for Paris nós vamos levar as pessoas para conhecer a torre Eiffel, mas ao invés de apenas subirmos lá, levamos um guia especialista em arquitetura e história. Então, não é porque o destino é barato que o turista de luxo vai deixar de ir, tudo depende da qualidade dos serviços que serão prestados", destaca Guilherme.

Neste contexto, a figura do corretor de viagens é substituída pela do consultor, que mais do que vender pacotes, vai conseguir construir um roteiro que se encaixe no perfil do cliente, passando pela hospedagem adequada, evitando que uma família se hospede, por exemplo, num local indicado para casais, personalização da infraestrutura terrestre, encontrando passeios de bicicleta para uma pessoa que gosta de pedalar ou fotografar, e assim por diante.

"Na hora de pesquisar novos roteiros vemos principalmente o que está fora dos circuitos convencionais do turismo padrão. Pesquisamos o que está sendo vendido nos pacotes e vamos atrás justamente do contrário, porque o turista de luxo não quer apenas hardware de luxo, ou seja, hotéis de luxo e coisas do tipo, mas experiências autênticas", comenta Guilherme.

Para o professor Marcos Piaskowy, a demanda do turismo de luxo por exclusividade e pelo exótico cria grandes oportunidades para o Brasil. "As pessoas acham que o luxo é ser chique, mas na verdade é ter serviços e produtos exclusivos e nisso o Brasil tem muito potencial, com Manaus e o Pantanal, principalmente, que são muito pouco explorados para o turismo", afirma.

Ele ressalta que para colocar esses lugares na rota do turismo de luxo é preciso investimentos em infraestrutura hoteleira e de transporte e elevar a qualidade dos serviços locais para um nível altamente profissional, já que hoje, cita o professor, o amadorismo é grande. Marcos ainda comenta que preparando as pessoas da região para atender essas tendências, que favorecem as relações humanas, as trocas culturais e as experiências autênticas, vai acabar levando-as a obter renda de uma forma que preserva as florestas, por exemplo.

Os órgãos governamentais de gestão de turismo também reconhecem o potencial de crescimento do mercado brasileiro de serviços de luxo. Em 2009, pensando em atender à demanda internacional por produtos turísticos de luxo, a Embratur firmou um acordo de cooperação técnica com a Brazilian Luxury Travel Association (BLTA), chamado de "Clube de Produtos de Turismo de Luxo", cujo objetivo é apoiar as ações de promoção e comercialização do Brasil como destino de luxo no mercado internacional.

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