NY, gigante por todos os lados

NY, gigante por todos os lados

Atualizado: Sexta-feira, 8 Abril de 2011 as 11:29

É bom que se saiba logo: Nova York, ou Big Apple (Grande Maçã), como é conhecida, é uma cidade impossível de ser inteiramente desvendada em apenas uma viagem. Por mais tempo que você tenha. É um daqueles lugares em que se pode ter um fim de semana prolongado absolutamente intenso, ou passar um mês e, ainda depois de tudo, deixar a cidade com a sensação de que vale a pena voltar para aproveitar mais. Assim, saber o que se quer e perseguir os objetivos com foco é uma primeira dica importante para quem vai à cidade.

Ok, você passou pelo hotel, trocou de roupa e está pronto para o primeiro passeio – vá, sem dúvida, ao Central Park. Inaugurado em 1876, hoje ele tem 46 mil árvores, alamedas, quiosques, playgrounds e até um charmoso zoológico em seus 3,4 milhões de m2 de área – o dobro do tamanho do Parque do Ibirapuera, de São Paulo.

Essa enorme área verde é um ótimo lugar para a primeira aclimatação após a viagem. Chegue até ele descendo a 5a Avenida e, por qualquer lado que você saia, estará outra vez defronte à agitação de Manhattan. O Central Park divide os lados East (Leste) e West (Oeste) da cidade. Um bom endereço para o almoço, dentro do parque, é o Tavern On The Green, restaurante tradicional, charmoso e com preços bastante razoáveis. No lado Oeste, na esquina do parque com a rua 72, está a praça Strawberry Fields, na qual os fãs deixam suas homenagens a John Lennon, que vivia ali em frente, no Dakota Apartments. Se estiver com crianças, vá também ao Central Park Zoo, onde os macaquinhos são a principal atração. Tomar uma das carruagens puxadas a cavalo que circulam por dentro do parque não tem contra-indicações para os casais, bem ao contrário, é paixão que aumenta.

Na mesma caminhada, vale a pena chegar ao Metropolitan Museum, do lado Leste, entre as ruas 79 e 84. O preço sugerido para o ingresso, a título de colaboração com a manutenção, é de US$ 15 por pessoa. Você só paga se quiser, claro, mas o bom senso recomenda pagar. O Metropolitan – com suas salas que alternam iluminação natural com um escuro absoluto, no qual jardins de inverno se sucedem a espaços intimistas – tem, além do seu belo acervo permanente e fantásticas exposições temporárias, uma das melhores coleções de arte egípcia do planeta. Não faltam múmias e longas cartas escritas com hieróglifos sobre papiros.

Poucos metros adiante, do outro lado da 5a Avenida, fica o Guggenheim Museum. Não entre com tanta pressa. Observe, de fora, o prédio todo branco, obra do lendário Frank Lloyd Wright, o mais badalado dos arquitetos americanos do século passado. A visita ao museu começa pela parte de cima, aonde se chega de elevador. A partir daí, vai descendo as rampas curvas enquanto aprecia o acervo de arte moderna. Bem ao lado, a National Academy of Design vale a visita para uma atualização com o que há de mais moderno em objetos e peças de decoração.

Por falar em museus, ajuste seu tempo para ir a pelo menos mais dois. No lado do oeste do Central Park, defronte à rua 79, está o American Museum of Natural History. Ele conta a história da evolução da vida na Terra, reunindo, em ambientes diferentes, relíquias que vão dos esqueletos de dinossauros a equipamentos utilizados pelos EUA para a chegada à Lua e, também, a Marte. Numa das salas de projeção, no melhor estilo planetário, um filme narrado por Tom Hanks conta o Big Bang, a formação do universo.

Outro museu obrigatório é o MoMA – Museum of Modern Art. Afinal, não é sempre que se tem a oportunidade de admirar telas como The Water Lilies, uma trilogia de cerca 12 m de extensão do impressionista francês Claude Monet, de 1920. Só isso já valeria o ingresso de US$ 10, mas o acervo de arte do século 20 conta ainda com Picasso, Miró e muitos outros. Situado na rua 53, do lado Oeste, foi reinaugurado na virada do ano, após uma reforma milionária.

Na ponta da ilha de Manhattan, próximo ao centro financeiro nas adjacências de Wall Street, a majestosa Estátua da Liberdade foi erguida sobre uma ilhota chamada Ellis. Esverdeada, com a tocha dourada erguida na mão direita, sua visão causa arrepios até nos mais céticos. Chega-se até ela exclusivamente de barco e o melhor a fazer é tomar o Circle Line no terminal da rua 42 com a 12. Na volta, antes de pisar outra vez em Manhattan, o barco fará uma parada em outra ilhota, na qual foi erguido o Museu do Imigrante. Seja qual for a origem do seu sobrenome, confirme se algum parente não pisou ali antes, bem antes de você. É que o museu reúne um memorial das famílias que chegaram aos Estados Unidos na virada dos séculos 19 para 20. Os descendentes de italianos, espanhóis e judeus têm maiores chances de encontrar seu sobrenome gravado ali.

Para passeios durante o dia, o quadrilátero mais badalado de Nova York fica entre as ruas 48 e 54, de um lado, e a 5a e a Madison Avenues, de outro. Neste espaço estão o Rockefeller Center, com seu rinque de patinação no gelo aberto o ano todo. Redes de TV costumam promover ali shows com transmissões ao vivo. A poucos passos fica a Catedral de St. Patrick, a maior da cidade. Nos arredores, aquelas lojas que todo mundo adora – e que você vai poder conferir na reportagem da página 88 desta edição.

Se seu plano é visitar a cidade nos próximos dias, saiba que em abril começa a temporada do esporte nacional dos americanos – o basebol. Nova York tem paixão pelos Mets e, sobretudo, pelos Yankees. É possível comprar ingressos pelo telefone (718) 293 43 00 direto no Yankee Stadium. Por falar em ingressos, na Times Square– talvez a confluência de ruas mais famosa do planeta, da Broadway com a 5a. Avenida – é possível adquirir bilhetes para todos os museus e, sobretudo, para os espetáculos que ocupam os 40 teatros enfileirados na região. Há peças para todos os públicos, com destaque para os grandes (e famosos) musicais.

É fácil perceber que a capacidade da cidade atrair o turista é inesgotável. Para uma visão geral, suba ao Empire State Building. Sempre há filas, que podem durar mais de uma hora, mas a vista vale cada minuto empregado. Para programas, digamos, mais diferenciados, vá a Conney Island, onde há um parque de diversões dos anos 50, cenários de vários filmes daquele período, ou ao Zoológico do Bronx, que por ficar num bairro mais distante – apesar de dentro da ilha de Manhattan – é pouco conhecido dos brasileiros. Por falar em bairros, não esqueça de visitá-los.

Chinatown, o distrito chinês, é um dos mais interessantes, mas logo ao lado há os restaurantes de Little Italy, as lojinhas de decoração do Soho, as muitas possibilidades de Chelsea Piers – de quadras de tênis a picadeiros para equitação –, o charme do Brooklyn, com sua ponte erguida no final do século 19, que é um dos marcos da cidade. Use o metrô, que parece confuso à primeira vista, mas é bastante funcional, e não tema os táxis. As tarifas são módicas, incapazes de quebrar um planejamento financeiro bem realizado. Bem-vindo à América.

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