Obra e museu fazem mea-culpa e condenam época do Holocausto

Obra e museu fazem mea-culpa e condenam época do Holocausto

Atualizado: Segunda-feira, 25 Abril de 2011 as 8:34

Após 1990, quando Berlim recuperou o status de capital alemã, a arquitetura ultracontemporânea foi usada para criar uma nova metrópole e para simbolizar uma ruptura com o passado.

Sucessivamente capital do Reino da Prússia (1701), do Império Alemão (1871-1918), da República de Weimar (1919-1932) e do Terceiro Reich (1933-1945), a cidade mergulha suas raízes até o século 13, quando surgiu às margens do rio Spree.

A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) não deixou grandes cicatrizes urbanas, mas o mesmo não se pode dizer da Segunda Guerra (1939-1945), quando 70% da metrópole foi destruída por bombardeios aliados.

Hoje, a Berlim pós-comunismo, que depois do período nazista viveu o pesadelo de ter um lado pró-soviético e um ocidental, é a única grande cidade europeia que ainda tem espaço para crescer.   Para deplorar o atormentado período iniciado com a ascensão de Adolf Hitler, em 1933, a metrópole edificou monumentos como o Museu Judaico (www.juedisches-museum-berlin.de ), projeto polêmico do norte-americano Daniel Libeskind.

Mas homenagens singelas que aludem ao período em que 6 milhões de judeus europeus foram assassinados são igualmente tocantes, como placas com o nome das pessoas mortas afixadas nas calçadas defronte às casas e o pequeno monumento no antigo cemitério nas proximidades da Nova Sinagoga (www.cjudaicum.de ), inaugurada em 1866 e reconstruída no pós-Guerra, no bairro Mitte.

Demasiado contundente e pesado, o Memorial do Holocausto (www.holocaust-mahnmal.de ), do arquiteto Peter Eisenman, lembra túmulos de um cemitério e ocupa, desde 2005, uma área de 19 mil m² na superfície.

Não por acaso, tal monumento fica ao lado da rua Hannah Arendt, nome da cientista política e filósofa judia-alemã que, radicada nos EUA, analisou a gênese do totalitarismo nazista.

Quando a temperatura permite --e elas são mais amenas de maio a setembro--, o bom é caminhar ou pedalar um quilômetro entre Potsdamer Platz e o neoclássico Portão de Brandemburgo, o mais icônico e fotografado marco berlinense, no final da Unter den Linden.    

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