Ouro Preto - MG mistura arte e história em suas ladeiras

Ouro Preto mistura arte e história em suas ladeiras

Atualizado: Segunda-feira, 30 Julho de 2012 as 9:52

Fundada há 300 anos, e eleita Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, Ouro Preto é, para muitos, e com toda a razão, a grande joia das cidades históricas brasileiras. Não há, no centro antigo do município, uma única rua, ladeira ou edifício que não guarde lembranças de alguns dos mais importantes episódios da história do país.

A cidade nasceu quando, sob a febre do ouro, no final do século 17, bandeirantes encontraram enormes reservas do nobre metal no Vale do Tripuí, sudeste de Minas Gerais. Os casebres e capelas que serviam à moradia e devoção dos exploradores, porém, logo dariam lugar a um dos principais centros urbanos e religiosos da colônia: Ouro Preto, em meados do século 18, então chamada de Vila Rica, chegou a abrigar quase 40 mil pessoas (população que, à época, era maior que muitas cidades da Europa), todas seguramente interessadas nos dividendos extraídos das profundezas terrenas.

Tal riqueza motivou a Guerra dos Emboabas (que, entre 1707 e 1709, opôs bandeirantes e portugueses pelo domínio das reservas auríferas da área) e a construção do que ainda hoje é um dos principais conjuntos arquitetônicos do país: em Ouro Preto há pelo menos dez igrejas que representam o ápice do barroco mineiro. Todas elas exibem obras de grandes gênios da arte - como Manuel Francisco Lisboa, Antônio Francisco Lisboa (Aleijadinho), Manuel da Costa Ataíde e Francisco Xavier de Brito - e, com seus altares dourados e fachadas decoradas com intrincados frontispícios, ainda mostram os melhores exemplos de arte religiosa já produzidos no Brasil.

Ouro Preto também foi cenário da Inconfidência Mineira, e hoje, entre sua dezena de museus, o visitante pode conhecer as casas de Tomás Antônio Gonzaga e Cláudio Manoel da Costa (famosos poetas e líderes da conjuração), além do Museu da Inconfidência, instalado na antiga Casa da Câmara mineira, e que guarda importantes testemunhos do episódio - como os corpos dos inconfidentes.

O passado mineiro da região, por sua vez, ainda se faz presente em toda a cidade. Acredita-se que existam cerca de duas mil bocas de mina abertas dentro de Ouro Preto, e algumas delas, como a Mina do Chico Rei, embora totalmente exauridas, estão abertas para os turistas. O Museu de Ciência e Técnica da Escola de Minas, por sua vez, dará a introdução teórica ao passeio: localizada no coração da cidade (a Praça Tiradentes), a instituição abriga mais de 20 mil objetos relacionados ao fascinante mundo da mineralogia.

Vale lembrar que as ruas que separam todas essas atrações são extremamente íngremes e que o visitante irá passar boa parte do dia subindo ou descendo ladeiras. Antes de ser um defeito, porém, tal característica representa uma das grandes virtudes da cidade. Com seu formato ondulado, Ouro Preto é um paraíso para os amantes da fotografia, que sempre irão encontrar ângulos inusitados na hora compor imagens com igrejas, casas e ruas com calçamento irregular de pedras.

Apesar de tricentenária, Ouro Preto está longe de ser um lugar “careta”. A cidade é um importante centro universitário (abriga, por exemplo, a primeira faculdade de farmácia do país, fundada em 1839) e está recheada bares e repúblicas estudantis que dão muita animação à vida noturna local. Das procissões religiosas ao profano carnaval, as festas populares de Ouro Preto estão entre as mais animadas do país – o que deixa a cidade ainda mais imperdível.

veja também