Parte do Muro de Berlim resiste ao tempo e atrai turistas

Parte do Muro de Berlim resiste ao tempo e atrai turistas

Atualizado: Sexta-feira, 13 Novembro de 2009 as 12

Guerra Fria, Capitalismo X Socialismo, Cortina de Ferro, Alemanha Dividida. Todos esses acontecimentos que marcaram a história do final do século XX são representados pelo Muro de Berlim, símbolo da divisão do mundo em dois blocos, espalhado até hoje pelas ruas da capital alemã. O legado da estrutura é o tema da quinta e última reportagem especial que o Terra publica sobre os 20 anos da queda do Muro de Berlim.

O muro foi construído pelo governo da República Democrática da Alemanha (RDA) e cercava toda a extensão de Berlim Ocidental. O objetivo não era apenas separá-la apenas da parte socialista da cidade, mas de todo o resto da Alemanha Oriental. A construção, que, começou a ser erguida no dia 13 de agosto de 1961, possuía 155 km de extensão e cerca de 300 torres de controle.

Com a queda em 9 de novembro de 1989, o muro se tornou um dos símbolos turísticos de Berlim. Fabiane Kulicke, diretora da Ideário Service Agentur Berlin - agência de turismo especializada para brasileiros -, afirma que o muro gera uma grande curiosidades nos visitantes em função da sua importância histórica. Mas eles só passam a compreender o seu impacto ao estar frente a frente com ele.

"O muro provoca muitos impactos e, para cada caso particular, há muitos significados, mas, acima de tudo, ele delata uma experiência contemporânea de intolerância e negação da liberdade em estado bruto. Através de sua existência, o turista tem a oportunidade de ver e entender melhor uma cidade que, no coração da Europa, vivenciou mais do que qualquer outra a dura realidade da Guerra Fria", explica. "Mesmo hoje, 20 anos depois da queda, as consequências deste período da história alemã ainda não são totalmente conhecidas e controladas, e as marcas pessoais, sociais, políticas e psicológicas herdadas pelas gerações atuais e futuras ainda estão longe de serem resolvidas. Para o turismo histórico, Berlim é uma enciclopédia fascinante e uma cidade ainda em processo de busca de si mesma", acrescenta Fabiane.

Com a queda, o que não foi abaixo ou virou souvenir tornou-se memorial daqueles tempos em que famílias, amigos e pessoas queridas foram separados de um dia para o outro em função de uma guerra ideológica em que muitos deles não tinham nenhum interesse. Hoje, após completar 20 anos do dia em que as fronteiras foram abertas, os arredores de Berlim onde o muro ainda existe ganharam um significado ainda mais importante.

East Side gallery

Um dos cartões postais mais famosos de Berlim e a maior galeria a céu aberto do mundo. Aproximadamente 106 pinturas de artistas de todas as partes se dividem entre os 1,3 km do muro. Uma das mais populares é o beijo entre o líder soviético Leonid Brezhnev e Erich Honecker feita pelo artista russo Dimitri Vrubel. Este ano, a galeria passou por uma grande reforma. Em função da erosão e do vandalismo de alguns turistas, que insistem em grafitar ou levar um pedaço do muro, os painéis estavam seriamente danificados. Nas últimas semanas, os últimos detalhes foram finalizados para que a galeria estivesse impecável no aniversário da queda.

Bernauer Str.

Quando a cidade estava dividida pelo muro, a rua Bernauer tornou-se famosa em função das tentativas de alguns cidadãos do leste em escapar pulando das janelas dos apartamentos. O muro em Bernauer Str. foi conservado em seu cinza original, e se tornou parte do memorial "Dokumentationszentrum Berliner Mauer", que possui um acervo de filmes e fotos que mostram o desespero de pessoas tentando escapar da Alemanha Oriental enquanto o muro era construído.

Checkpoint Charlie

A fronteira mais conhecida entre a RDA e a parte americana de Berlim Ocidental, localizada entre a Friedrichstrasse e a Zimmerstrasse é hoje uma das maiores atrações turísticas de Berlim. Além da guarita onde se fazia o controle dos estrangeiros e membros das Forças Aliadas, que iam e vinham para a Alemanha Oriental, lá encontra-se o museu Haus am Checkpoint Charlie e uma galeria a céu aberto com fotos e informações sobre tentativas de fuga e do desenvolvimento da fronteira. Os turistas aproveitam para tirar fotos com atores vestidos de soldados aliados, para carimbar seus passaportes com o selo da RDA ou para comprar souvenirs como quepes, boinas e bonecas russas.

Potsdamer Platz

Durante os anos da Alemanha dividida, a praça que liga bairros centrais de Berlim virou terra de ninguém em função do muro. A estação de metrô foi desativada e se tornou mais uma das "estações fantasma". Próxima ao Portão de Brandemburgo, lá foi um dos primeiros lugares em que o muro foi derrubado. Em 1990, ocorreu o show The Wall do cantor Roger Waters, um dos maiores concertos da história do rock.

Portão de Brandemburgo - Berliner Mauer Weg

Onde o muro não está mais fisicamente presente, há o Berliner Mauerweg (caminho do Muro de Berlim) para representá-lo. Placas de sinalização e marcas no asfalto representam exatamente o caminho que o muro traçava ao separar Berlim, como atrás de portão de Brandemburgo.

Não é difícil encontrar outros pedaços da cortina de ferro, em menores proporções, espalhados pela cidade. Dizem que, após a liberação das fronteiras, vários blocos foram vendidos pelo mundo para acervos particulares. Nas lojas de souvenirs, é possível comprar partes do muro em diversos tamanhos, em que os vendedores insistem em dizer que ainda são peças originais.

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