Peru retira mais 800 turistas ilhados em Machu Picchu; chuvas matam dez

Peru retira mais 800 turistas ilhados em Machu Picchu; chuvas matam dez

Atualizado: Quarta-feira, 27 Janeiro de 2010 as 12

No title As autoridades peruanas planejam resgatar nesta quarta-feira mais 800 turistas ilhados há três dias em Machu Picchu, mais famoso ponto turístico do Peru, depois que fortes chuvas causaram deslizamentos de terra que bloquearam a única ferrovia de acesso ao local. Nesta terça-feira, 475 dos cerca de 2.000 turistas na região foram resgatados. O grupo inclui de cem a 120 brasileiros, segundo o Itamaraty.

Segundo a agência de notícias Associated Press, o grupo de turistas inclui ainda cerca de 400 americanos e 700 argentinos. Há ainda "entre cem e 120" brasileiros --nenhum doente ou ferido--, de acordo com o Ministério de Relações Exteriores.

O governo de Cuzco confirmou na noite desta terça-feira que a argentina Lucia Ramallo, 23, e o seu guia peruano, Washington Huaraya, morreram em um dos deslizamentos de terra na região turística. A barraca onde os dois dormiam foi levada pela terra, que ainda deixou outros três feridos. Com isso, chega a dez o total de pessoas mortas nos últimos dias no país em decorrência das chuvas, embora ainda não haja números oficiais de vítimas.

O governo e helicópteros privados retiraram 475 turistas nesta terça-feira, segundo o ministro do Turismo, Martin Perez. "Amanhã [esta quarta-feira], se Deus nos ajudar e o tempo permitir, nós conseguiremos tirar entre 700 e 800 turistas em oito horas", disse Perez,

Os quatro helicópteros americanos, estacionados em Peru para ajudar em ações contra tráfico de drogas e para treinamento policial, atuarão ao lado de outras quatro aeronaves peruanas.

A empresa ferroviária Perurail também alugou dois helicópteros para levar suprimentos e retirar turistas, segundo comunicado da companhia.

"Felizmente, pelo que fui informado pelas autoridades peruanas, não há brasileiros mortos, nem feridos. O que sabemos é que devem existir brasileiros na cidade de Machu Picchu, que fica em uma região de difícil resgate, porém que dispõe de uma infraestrutura mínima, com alguns hotéis", afirmou o embaixador do Brasil na capital peruana, Lima, Jorge Taunay Filho, em entrevista à Agência Brasil.

O embaixador disse que pediu à Defesa Civil peruana que priorize o resgate dos turistas que estão em Machu Picchu, já que o estoque de água e alimentos é limitado --as aeronaves que trabalham na retirada de pessoas têm ido ao local carregadas de suprimentos.

O Itamaraty enviou ainda à cidade e Cuzco, a mais próxima de Machu Picchu, dois diplomatas que irão reforçar o trabalho do consulado brasileiro.

Os turistas ficaram ilhados nas vilas próximas a Machu Picchu, nas montanhas dos Andes, no domingo (24), quando deslizamentos de terra bloquearam a única ferrovia que liga a região a Cuzco. Muitas pessoas dormiram na estação de trem de Machu Picchu e na praça central depois que as hospedarias lotaram. Os restaurantes aumentaram os preços e a comida ficou escassa.

O porta-voz da cidade, Ruben Baldeon, disse nesta terça-feira que os viajantes "ficaram nervosos e preocupados e alguns estão ficando desesperados".

Cinco dias de chuvas torrenciais na região de Cuzco destruíram ainda pontes, 250 casas e centenas de acres de plantações. Perurail suspendeu o serviço de trem no domingo.

Alberto Bisbal, diretor de prevenção de desastres da Defesa Civil do Peru, disse que a Perurail e o governo trabalham para retirar as pedras e lama dos trilhos e o serviço pode ser retomado já nesta quarta-feira.

A chuva deu uma trégua na manhã desta terça-feira, mas os meteorologistas indicam que a semana terá chuva leve.

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