Peru reúne diversidade étnico-cultural e geográfica

Peru reúne diversidade étnico-cultural e geográfica

Atualizado: Quinta-feira, 8 Julho de 2010 as 1:11

Poucos países receberam tanto do resto da humanidade. No passar dos séculos, chegaram as imigrações de europeus, de africanos, de asiáticos que se mimetizaram com as culturas indígenas e entre si.

Cada uma delas trouxe uma grande mistura para o idioma, a arte, os costumes. Essa variedade cultural do Peru tem seu correlato na variedade geográfica. Poucos países oferecem tantos tipos climáticos e geográficos.

A selva amazônica de Loreto, onde se pode ver os golfinhos no rio, a selva alta de Tarapoto, Chachapoyas e suas cachoeiras, as "punas" (tipo de planalto) do lago mais alto do mundo, o lago Titicaca, as cadeias de montanha e as passagens andinas, e os enormes desertos da costa, com os 52 rios que desembocam em algumas de suas espetaculares praias.

Um dos parques perto de Cusco, o Manu, tem a maior biodiversidade do planeta, com 200 espécies de mamíferos, mil tipos de aves e 200 tipos de árvores por cada hectare e meio.

Parque Nacional do Manu

Até há alguns anos se falava 2.000 línguas no Peru, a maioria delas concentradas nas áreas de serra e selva.

"PERU NÃO ESQUECE SEUS FRAGMENTOS"

Das cerca de 2.000 línguas que eram faladas no Peru até há alguns anos, muitas desapareceram. Mas, línguas como o machiguenga, o aguaruna e, obviamente, o quéchua e o aimará, têm ainda dezenas ou centenas de milhares de falantes.

Um dos frutos mais óbvios das fusões dos imigrantes é a gastronomia. Os primeiros escravos marroquinos criaram o seco de carne (carne cozida com molho), com o uso de coentro; os chineses trouxeram o costume do arroz (acompanhamento obrigatório para qualquer peruano que se apresenta como tal) e inventaram o prato lomo saltado; os negros produziram os tamales (pratos que lembram a pamonha) e as humitas (à base de milho). Os italianos fizeram de Lima um dos melhores lugares para comer massa.

Outro fruto é a música. Hoje é possível escutar, nos teatros da capital Lima, músicos que cantam em quéchua e se pode assistir a programas de TV com flautas, "zampoñas" e "charangos" (instrumentos peruanos), incorporados ao violino, à arpa e ao saxofone.

Na história do Peru, por último, todos os caminhos conduzem a Machu Picchu, o templo apoiado não só por seus muros, escadas e portas, como também pelo sítio natural em que está encravado, sobre um sólido céu azul, no pé de uma montanha verde --e junto ao vale sagrado.

A história do Peru, como a do Brasil, é um experimento da humanidade por mostrar que pessoas de todos os cantos do planeta podem conviver e criar, em meio às diferenças, num país com tantas geografias, uma cultura. Uma só alma que não esquece seus fragmentos. (Tradução de LUISA ALCANTARA E SILVA)

ALONSO CUETO, 56, escritor peruano, é autor de "A Hora Azul" e publicou, entre contos e romances, 12 livros

Por: Alonso Cueto

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