Pioneira em revoltas, Tunísia tenta atrair turistas pelo bolso

Pioneira em revoltas, Tunísia tenta atrair turistas pelo bolso

Atualizado: Terça-feira, 7 Junho de 2011 as 8:32

Mais de quatro meses depois da revolta popular que derrubou o ex-ditador da Tunísia, Zine El Abidine Ben Ali, o país está lentamente tentando se recuperar.

Busca restaurar a estabilidade, escolher novo governo e reconstruir sua economia, com foco no setor de turismo. O setor é o que mais emprega, depois da agricultura.   Mas com as chegadas de estrangeiros 50% inferiores enquanto chega a temporada de verão, a Tunísia pós-revolucionária não vê o apoio que esperava da Europa --o típico fluxo de milhares de turistas da França, Espanha e Alemanha.

"Os tunisianos sentem-se muito desapontados, porque eles foram os primeiros a começar as revoltas [no mundo árabe], a lutar pela democracia, e agora eles são esquecidos", disse o gerente de grupos turísticos Can Deniz, andando pelas ruas da vila de Sidi Bou Said.

Deniz estava com o único grupo estrangeiro encontrado na vila, que geralmente atraía centenas de turistas diariamente, por suas belas vistas sobre a baía de Túnis, as casas brancas e azuis e o mercado agitado.

Ainda assim, as pessoas que ele conduzia pelo mercado não eram turistas, mas outros guias turísticos. Estavam em um tour patrocinado pelo conselho de Turismo da Tunísia e pela companhia aérea nacional, em uma tentativa de mostrar que o país está seguro e é um bom destino novamente.   6,5% do PIB

O turismo normalmente contribui com entre 6% a 7% do produto doméstico bruto (PIB), e o setor é um importante fornecedor de trabalho temporário no país, onde 14% estão desempregados -fator importante para a revolta.

Deniz disse que os agentes de turismo estavam mirando casais buscando viagens de alto nível na última hora, mas vendidas a preço bem reduzido. Como uma semana em um hotel costeiro de cinco estrelas por US$ 322, ou até a metade desse valor.

"As pessoas estão sendo atraídas mais por preços que por real interesse no país", conclui ele tristemente.

As visitas podem ter caído pela metade, mas alguns ainda estão vindo para o país no norte da África --252.000 em março--, apesar da presença militar, eventuais ordens com hora de recolher, greves de táxi bloqueando a estrada principal ao aeroporto e guerra além da fronteira com a Líbia.

No museu Bardo, da capital, lar de mosaicos e estátuas da época do Império Romano, é encontrado o executivo de banco Francois-Xavier Marchand, 26. Vindo de Paris, ele passa alguns dias explorando Túnis, antes de alguns compromissos a trabalho.

"Minha empresa tem um escritório em Túnis, então eu conheço pessoas aqui e recebi algumas dicas antes de viajar", diz ele. "Não estou assustado, mas é razoável dizer que não vou ficar perambulando pelo centro." Também admite que não teria vindo se não fosse pelo trabalho.

HAMMAMET

A uma hora de viagem de carro, na cidade costeira de Hammamet, hoteleiros preenchem os quartos ao baixar os preços entre 20% a 30%.

No hotel de luxo El Mouradi, onde a ocupação ficou com a metade do nível normal em maio, encontram-se alguns caçadores de pechinchas relaxando sob guarda-sóis junto da piscina.     "Você pode ver que as pessoas estão assustadas", disse o francês Alain Barret, apontando para a piscina e as cadeiras vazias em volta dele e de sua mulher Francoise, que estão na terceira viagem em Hammamet.

"Depois de todos os esforços que tiveram os tunisianos", agora as pessoas estão preocupadas pela sua proximidade com a Líbia", conta ele. "Uma terrível tristeza caiu sobre este lugar."

Mas o casal diz sentir-se longe o suficiente dos problemas da Tunísia para poder curtir a viagem a dois. Mesmo estando os comerciantes mais agressivos e desesperados em busca de fregueses.

"Estamos aqui realmente para curtir um ao outro, puramente por razões egoístas", diz Françoise, com seu braço com tatuagem henna descansando no braço da cadeira.    

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