Pirenópolis 40GO41 revela sua história, gastronomia e artesanato

Pirenópolis 40GO41 revela sua história, gastronomia e artesanato

Atualizado: Sexta-feira, 4 Dezembro de 2009 as 12

Pirenópolis é um dos segredos mais bem guardados do Brasil Central. No interior de Goiás, a 150 quilômetros de Brasília e 130 de Goiânia, a cidade encanta pelo legado histórico, com casas centenárias muito bem preservadas, a bela natureza ao redor e o próprio jeito de ser dos moradores locais. Durante muito tempo longe da influência dos grandes centros, a cidade pouco mudou. Em Piri, como ela é carinhosamente chamada, é comum ver artesãs tecendo em rocas de fiar, como nas histórias de carochinha, e pessoas ainda tentando encontrar ouro na beira do rio - igualzinho ao Brasil de duzentos anos atrás.

Criada em 1727, a cidade viveu por séculos da extração de ouro, pedras preciosas e de quartzito, mais recentemente. Mas todas essas riquezas foram se esgotando, e Pirenópolis decidiu se abrir aos visitantes para incrementar a economia.

Com a ajuda de programas do Ministério do Turismo e do Sebrae, a cidade há alguns anos investiu na capacitação para o turismo. Surgiram operadoras, pousadas - hoje, são mais de cem -, restaurantes, bares e ateliês de artesanato, muito deles voltados para a preservação da cultura local. Hoje, cerca de 20 mil pessoas visitam a cidade entre o Natal e o Ano Novo, na alta temporada, e outras cinco mil vão um mês e meio depois da Páscoa, para assistir ricas comemorações do folclore nacional da época dos bandeirantes, como a Festa do Divino e as Cavalhadas. Nos finais de semana, a cidade também é bastante procurada, geralmente por moradores de Brasília e outras capitais, em busca de sossego, boa comida e passeios ao ar livre, em meio à natureza do cerrado.

Atrativos

Além de mergulhos em piscinas naturais e caminhadas por trilhas na mata, Pirenópolis oferece um estilo de vida naturalista, em parte herdado dos hippies que foram para lá nos anos 70 e acabaram ficando. Muitos acabaram incentivando práticas como a da não utilização de agrotóxicos e de hormônios para o crescimento dos animais. A moda pegou em Pirenópolis, onde há diversas hortas orgânicas.

Os visitantes que vão a restaurantes de comida orgânica são inclusive convidados a colher a verdura na horta, em uma experiência que dá um sabor extra à refeição. Vivências como essa são oferecidas em pacotes montados pelas operadoras locais, como a Brasil Central. "Também levamos o turista a casas de artesãs e fazemos passeios em fazendas históricas", comenta Alessandra Scheneider, da Brasil Central. Em 2006, ela participou de uma viagem a Portugal para operadores brasileiros, promovida pelo Ministério do Turismo, e voltou de lá cheia de boas idéias. Alessandra e outros operadores lançaram roteiros diferenciados, que buscam aproximar o visitante do modo de vida local.

O que não pode faltar em nenhum roteiro são as visitas às fazendas históricas que servem fartos cafés coloniais, com doces e salgados do tempo dos bandeirantes. É assim na Fazenda Babilônia, a meia hora de carro de Pirenópolis, que já se tornou referência em receitas da tradicional culinária brasileira. É a dona da fazenda, a simpática Telma Lopes Machado, que prepara os quitutes nos finais de semana. Tudo o que é consumido vem dali mesmo - a propriedade tem horta, galinheiro e criação de gado.

Gastronomia

Saem da cozinha delícias difíceis de serem encontradas fora dali, como paçoca de carne, requeijão feito no tacho de cobre e almôndega guardada em lata - era assim que se fazia antigamente, para conservar a comida, em tempos pré-geladeira. Enquanto os visitantes degustam a refeição, Telma conta saborosas histórias da época de seus antepassados.  

O chef Uiará Ayere, filho de um casal de hippies que foi morar em Pirenópolis nos anos 70, é outro craque com as panelas. Ele prepara um sofisticado brunch na fazenda de seus pais, a Vagafogo, uma enorme área de 46 hectares com mata preservada, a 15 minutos de Pirenópolis. Uiará leva à mesa mais de 40 itens, todos feitos no próprio local, muitas vezes com ingredientes colhidos ali mesmo.

É o caso dos chutneys, dos mais de dez tipos de geléia e do creme de leite feito na hora, simplesmente de dar água na boca. Nenhum item leva produtos químicos. E quem quiser pode comprar tudo lá mesmo, na loja da fazenda. Mas há mais a fazer na Vagafogo do que apenas desfrutar dos prazeres da mesa. A área conta com equipamentos para a prática de rapel e arvorismo, além de trilhas para caminhadas. "Cerca de 40% dos visitantes vêm para praticar os esportes de aventura", diz Uiará. A fazenda também tem uma queda d?água no Rio Vagafogo, que forma uma piscina natural de fácil acesso.

Cachoeira do Abade

A Cachoeira do Abade, a meia hora de carro da cidade, é outro ponto alto da natureza em Pirenópolis. A queda d?água fica ao final de uma trilha fácil, percorrida em menos de dez minutos. Chegando à piscina natural formada pela cachoeira, com fundo de areia e uma pequena praia, ninguém resiste a um mergulho. A queda d?água fica dentro da Fazenda Cabaçais, que possui um centro de visitação com banheiros e uma varanda com mesas e vista para a mata. Até o final do ano, deverá ser aberta uma lanchonete no local.  

Artesanato

Pirenópolis também surpreende pela qualidade do seu artesanato. Jóias em prata e pedras preciosas, tapetes, colchas de cama, almofadas e objetos decorativos como máscaras e bonecas saem das mãos de fada das artesãs goianas. Muitas, como Sandra Carvalho, especialista em bonecas de cabaças, e Celestina de Alvarenga, mestre no tear manual, fazem seus trabalhos em casa mesmo. Os visitantes podem acompanhar o passo a passo da confecção dos produtos. Quem vai à casa de Celestina, por exemplo, pode ver o algodão que é plantado no quintal da casa para virar fios na roca de fiar. Daí eles seguem para o tear manual, onde Celestina dá vida a sua criações. Sandra Carvalho também trabalha em casa. Ela começou a fazer bonecas de cabaça, um tipo de fruto, depois de participar do programa Artesanato de Goyazes, do Ministério do Turismo, que visa incentivar a preservação da cultura local.

A designer Cristina Galeão, que tem uma loja de objetos de cerâmica na cidade, também participou das oficinas. "Aprendi muito sobre embalagens criativas e as melhores maneiras de apresentar meu trabalho", conta. Cristina passou a fazer azulejos de cerâmica que tem sido procurados por arquitetos e decoradores de Brasília e de outras cidades. Ela também faz objetos utilitários, como vasos, copos e pratos. A artesã utiliza matéria-prima da própria região, rica em minérios que dão um tom especial à sua produção.

Quem quiser também pode conhecer Mercedes Monteiro, que trocou São Paulo por Pirenópolis. Ela e sua equipe tecem fios, manualmente, usados na criação de bolsas, casacos, tapetes e cortinas. Os produtos sofisticados de Mercedes já chegaram a Nova York, onde são vendidos em uma loja do Brooklin. Em Pirenópolis, são encontrados no próprio ateliê da artesã.

Ao lado do Centro do Atendimento ao Turista, os balcões da loja Piretur contam com uma grande diversidade de artesanato de Goiás, entre colchas feitas em tear manual, tapetes de todos os tamanhos, bolsas, objetos de decoração e até chapéus. Mas atenção: o pagamento só pode ser feito em dinheiro ou cheque. Como antigamente, e bem ao gostinho de Pirenópolis.  

Por: Carla Aranha

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