Planejada para impressionar como a capital do país, Brasília é patrimônio cultural da humanidade.

Planejada para impressionar como a capital do país, Brasília é patrimônio cultural da humanidade.

Atualizado: Sexta-feira, 6 Agosto de 2010 as 10:42

rasília é uma cidade como nenhuma outra. Ali as grandes extensões de prédios e áreas verdes se conectam num   elegante traçado . Cidade planejada para impressionar como a   capital   do país, é patrimônio cultural da humanidade desde 1987.

No meio do cerrado do Planalto Central, o cenário dearquitetura imponente   abriga as decisões dosPoderes   Executivo, Legislativo e Judiciário. Brasília sofre de superexposição nos telejornais. Percorrê-la como visitante permite a visão horizontal dosmonumentos   nacionais (o Congresso, a Catedral, o Palácio da Alvorada) normalmente vistos recortados pelas câmeras.

Por conta do   clima seco , com a umidade do ar caindo a níveis alarmantes de junho a setembro, o urbanista Lúcio Costa e o arquiteto Oscar Niemeyer projetaram espelhos d'água do tamanho de lagos e mesmo um lago artificial, o   Paranoá . Em Brasília, o céu real parece estar ao alcance da mão. Na luz do dia, as águas do solo e os vidros espelhados nas alturas dos prédios fazem a gentileza de multiplicar os azuis virtuais.

Nos anos 40, Niemeyer já havia abalado as estruturas da arquitetura modernista com o Complexo da Pampulha, em Belo Horizonte. Uma década depois ele começou a desenhar a nova capital federal a pedido do presidente Juscelino   Kubitschek , permitindo-se ousadias de variada estirpe.

A   Catedral   Metropolitana, por exemplo. No mundo, os fiéis costumam subir degraus para ingressar num templo católico. Em Brasília, é preciso descer abaixo do nível do solo. O   Supremo   Tribunal Federal é um lugar de decisões peso-pesado. Pois no prédio de Niemeyer a leveza dá ordens nas fachadas, com pilastras duplamente arqueadas que parecem recusar o suporte do chão e ainda   suspender o teto na ponta dos dedos.   A imagem de Juscelino Kubitschek paira sobre o cenário de sonho que, quase 50 anos após a inauguração, em abril de 1960, é futurista e retrô ao mesmo tempo. O nome do ex-presidente batiza o aeroporto, um hotel, uma bonita ponte do   Lago Sul , coberta por estruturas brancas que lembram pernas cruzadas. Femininas, supostamente. JK também surge em estátua, diante de seu Memorial, num pedestal gigantesco com contornos de foice soviética, mais uma provocação do arquiteto comunista nascido em 1907.

Para espairecer de tanta arquitetura, a cidade oferece grandes áreas de lazer ao   ar livre , como o Parque da Cidade, o Zoológico e o Parque Nacional de Brasília, este a 10 km do centro, com trilhas e piscinas naturais de água gelada. Quem se dispõe a viajar um pouco mais encontra ótimos pontos de mergulho no Parque Municipal de Itiquira, em Formosa, diante de uma das mais altas   cachoeiras   do país.

Como quase todas as metrópoles, Brasília ganha ànoite   belezas insuspeitadas na correria do horário comercial. No pôr-do-sol, nos meses da seca, o céu fica da cor do fogo. Nas redondezas da Praça dos   Três Poderes , pontos de luz duplicados nos espelhos d'água realçam as linhas curvas e retas dos palácios e também as famosas esculturas diante deles.

A noite amplia os espaços de convivência, seja em banquetes oficiais ou nas dezenas de   bares e restaurantes   dos setores comerciais, alguns com música ao vivo, outros diante da paisagem privilegiada do Lago Paranoá. É quando os turistas têm a chance de interagir com uma parte de Brasília ausente dos telejornais, os moradores, chamados   candangos , por terem nascido ou se estabelecido ali.

O Distrito Federal tem cerca de 2,4 milhões de habitantes, somando Brasília e as   cidades-satélite . Entre os setores comercial, residencial e hoteleiro, circulam milhares de funcionários públicos, políticos e assessores de políticos, instalados provisória ou permanentemente. Com sotaques e figurinos que representam as cinco regiões do país, os habitantes são guardiões da   memória viva   de uma cidade única no mundo.    

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