Principal destino das Filipinas, ilha Boracay exclui nativos

Principal destino das Filipinas, ilha Boracay exclui nativos

Atualizado: Terça-feira, 24 Maio de 2011 as 8:24

Perto de uma praia da ilha filipina de Boracay, principal destino turístico do país --a ilha teve cerca de 780 mil visitantes em 2010--, vivem hoje em estado de quase reclusão dezenas de famílias da etnia que habitou o local durante séculos.

Os atis, chamados aetas na maior parte das Filipinas, já povoavam esta ilha quando há 500 anos chegaram os colonizadores espanhóis que os chamavam de "negritos" por sua pele escura e cabelo encaracolado.

Além disso, alguns antropólogos acham que os atis, são os descendentes dos primeiros habitantes do arquipélago, estabelecidos há cerca de 30 mil anos antes da chegada por mar de povoações de origem malaia e chinesa.   Em Boracay, foram construíram hotéis de todos os gostos e preços, mas as famílias da etnia autóctone vivem em um pequeno povoado composto por míseros casebres, que nos dias de chuva viram um verdadeiro lamaçal.

Afastada do resto da população, a comunidade aeta está proibida por ordem das autoridades de entrar na floresta para colher plantas e lenha, e também não é permitida nas praias.

"Quando tentamos entrar no mar, os empregados dos hotéis próximos nos dizem para sairmos porque espantamos os turistas. Dizem que passamos uma imagem suja de Boracay, e nem sequer jogamos lixo na praia", disse à Agência Efe Mona Lisa, uma atis de 30 anos que assumiu o papel de líder da comunidade tribal.

"Já não somos livres. Tivemos que deixar de ir à igreja porque as pessoas nos olhavam feio e perguntavam se também éramos católicos. Agora voltamos a frequentar a pedido de uma das freiras que nos ajuda", denunciou a mulher.

RESERVA   Uma normativa oficializada em fevereiro determinou um terreno de 2,1 hectares para que cerca de 200 atis que se recusam a abandonar Boracay se estabeleçam --apesar da marginalização que sofrem e das ameaças de homens armados pagos por empresários.

"Nos ajudaria muito ter pelo menos um lugar no qual poderíamos transitar livremente na ilha. Além disso, com uma terra fica perto do mar, seria mais fácil sair para pescar. Mas não nos atrevemos nem a nos aproximar, pois podem atirar na gente", explica Mona Lisa.

Nesta ilha de aproximadamente dez quilômetros quadrados, os hotéis e restaurantes proliferam desde que começou a ser explorada pelo turismo há 15 anos.

A marginalização levou dezenas de famílias a abandonar a terra em que viveram seus antepassados para ir à ilha vizinha de Panay, maior que Boracay.

"Há famílias que decidiram sair por cansaço. Mas também porque corre um boato de que Boracay está a ponto de afundar e desaparecer para sempre", explicou Mona Lisa.

Os habitantes atis viveram à margem do resto das comunidades pertencentes à própria etnia, que está disseminada por diversas regiões do arquipélago.

"Graças ao governo pude ir a uma convenção de atis e me surpreendi muito quando descobri que há muitos filipinos iguais a nós. Pensava que éramos os únicos com esta aparência", disse Mona Lisa.    

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