Projeto Baleia Franca avista 61 baleias francas em sobrevoo

Projeto Baleia Franca avista 61 baleias francas em sobrevoo

Atualizado: Quarta-feira, 5 Agosto de 2009 as 12

Um sobrevoo saindo de Torres (Litoral Norte do RS) e chegando até Garopaba (Litoral Central de Santa Catarina), realizado na última quinta-feira, resultou em um recorde de avistagens de baleias francas para o período do mês de julho. No total, a bióloga Karina Groch, diretora de pesquisa do Projeto Baleia Franca, contou 61 indivíduos, dos quais 20 eram filhotes e um deles era albino. Os números e a identificação de algumas ''velhas conhecidas'' do catálogo do PBF foram comemorados pela instituição.

''A Praia de Itapirubá, situada entre os municípios de Imbituba e Laguna, foi onde registramos o maior número de indivíduos, 18 no total'', disse Karina, que comanda o Centro de Pesquisas da instituição, sediado na Praia de Itapirubá Norte, em Imbituba. ''As fêmeas tem um filhote a cada 3 anos e o retorno de várias fêmeas e o nascimento de novos filhotes representa para nós um crescimento real da população das francas. Nossa expectativa é de que muitas baleias que estiveram aqui em 2006 retornem nesta temporada. O retorno dos indivíduos à nossa costa representa que as francas reconhecem o litoral catarinense como um bom local para parir e amamentar os seus filhotes'', afirmou Karina.

Uma das fêmeas que em 2006 visitou as águas catarinenses é a mãe do filhote albino avistado neste voo. ''Em 2006 ela estava com um filhote albino, retornou agora com outro filhote. A fêmea demora um ano para se recuperar e retornar ao ciclo reprodutivo, enquanto o filhote deve retornar no futuro, por volta dos 6 ou 7 anos'', completou a bióloga. Nos últimos anos, o PBF vem registrando a presença de um albino em cada temporada de avistagem, que vai do mês de julho até novembro. ''Eles nascem bem branquinhos, mas com o tempo eles vão ficando acinzentados'', contou.

Além de registrar a presença das francas, identificá-las e catalogá-las por meio dos sobrevoos, o Projeto Baleia Franca também mantém um intercâmbio de informações com a Argentina e o Uruguai. Por meio desta troca é que se faz possível saber se um indivíduo que há três anos visitou a costa da Argentina, retornou ao Atlântico Sul e foi visto no Brasil, por exemplo. ''Temos um trabalho de cooperação técnica e comparamos estes dados, pois existem baleias que compartilham destas diferentes áreas'', afirmou Karina.

A diretora de pesquisas do PBF defendeu em 2005 sua tese de doutorado, a qual contém análises de sobrevoos desde 1987, concluindo que a taxa de crescimento populacional das francas é de 14% por ano, considerando os indivíduos que frequentam a costa brasileira. "A tendência é de que, no mínimo, esta taxa se mantenha. Além da presença das fêmeas que vêm para amamentar os seus filhotes, muitos dos quais nascem aqui, também estamos registrando indivíduos adultos que vêm para acasalar", concluiu a diretora.

Números

O número máximo de avistagens de francas nos sobrevoos realizados nos meses de julho dos anos anteriores foi de 57, em 2007. No ano passado, 33 baleias foram avistadas neste mesmo período. O recorde de avistagens em todos os voos realizados pelo Projeto Baleia Franca desde 2003 é de 194 indivíduos, no mês de setembro de 2006, registrados entre o litoral de Cidreira (RS) até Florianópolis (RJ).

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