Queen Elizabeth ganha o mundo com conforto e diversão aos passageiros

Queen Elizabeth ganha o mundo com conforto e diversão aos passageiros

Atualizado: Quarta-feira, 8 Dezembro de 2010 as 1:37

O nome Queen Elizabeth, que batiza o novo transatlântico da Cunard Cruise Line, inaugurado no dia 11 de outubro, carrega muito mais que suas 90 mil toneladas: são 64 anos de história e o peso da dinastia real inglesa. O primeiro da linhagem, criado para o transporte de passageiros, em 1938, mudou de destino em fevereiro de 1940, para transportar tropas britânicas durante a Segunda Guerra Mundial. Seis anos depois, o Queen Elizabeth passou a fazer a rota Southampton (Inglaterra)-Nova York (Estados Unidos), sendo substituído em 1969, pelo Queen Elizabeth II, hoje parado no Porto Rashid, em Dubai, e cujo destino ainda está sendo decidido.

Os três navios têm em comum a tradição e o glamour que os tornaram top de linha da Cunard, assim como outros da empresa: o Queen Mary e o Queen Victoria. O conforto oferecido por um transatlântico de luxo como o Queen Elizabeth que, desta vez, é o único sem algarismos romanos, passa a ser o ponto alto quando se pretende conhecer o mundo, com a vantagem de não ter de andar com malas para cima e para baixo. O navio é um hotel flutuante. Basta desembarcar e conhecer os lugares.

Um clube animado digno da realeza Queen's Room: imensos lustres de cristal enfeitam o salão que, à noite, é usado como pista de dança / Foto: Vera Araújo

Depois de atravessar um longo tapete vermelho até a entrada do navio, ancorado no porto de Southampton, de onde o Queen Elizabeth parte para os cruzeiros, há o esplendor do Grand Lobby, uma sala central que atinge três dos 12 andares do navio. O átrio majestoso chama a atenção com suas escadarias feitas com sete tipos de madeira, obra criada especialmente para o navio, no estilo art déco, como no anos 1930. É lá que uma harpista, um pianista e violinistas preenchem os corredores com clássicos de Vivaldi, Mozart e Bach. Uma delicada mensagem de boas-vindas anunciando que a partir dali começa uma viagem de sonhos.

Ao percorrer os 294 metros de comprimento do navio, o equivalente a três campos de futebol, constata-se que nada foi esquecido para proporcionar conforto e lazer com qualidade digna da realeza. Das acomodações aos restaurantes, passando pelo jardim de inverno - inspirado no Kew Gardens de Londres - clubes e cassinos, tudo foi planejado para transformar a experiência a bordo num momento memorável.

Aliás, o próprio presidente da Cunard Line, Peter Shanks, fez um comentário durante a entrevista coletiva de inauguração do navio, que define o tipo de público que quer atender:

- A ideia é oferecer tratamento e serviço de qualidade excepcional, acompanhando a história do Queen Elizabeth. Criar um fantástico clube.

É justamente o cuidado nos detalhes que chamam a atenção de quem visita cada espaço do navio onde não faltam galeria de arte, lojas de grife - inclusive joalheiras - e uma biblioteca que guarda mais de seis mil títulos.

A elegância impera até na hora de tomar um café ou chá, no autêntico estilo inglês, servido no Café Corinthia, um salão com lustres de cristal e cortinas de seda. O hóspede-passageiro tem várias opções de culinária internacional. Cada um com seu charme especial, os restaurantes oferecem a escolha entre menu a la carte, como no Britannia ou Verandah, grelhados ou serviços temáticos com especialidades sul-americanas, mexicanas ou pan-asiáticas oferecidas no Lido.

À noite, a dica é assistir a um espetáculo produzido pela própria companhia teatral do Queen Elizabeth, formada por 21 artistas que atuam no musical "A slice saturday night", inspirada nos anos 1960. O espetáculo é garantido tanto pela performance dos atores como pela grandiosidade do teatro de três andares e balcões belamente decorados, com capacidade para 830 pessoas. Depois do show, vale ouvir boa música ao vivo num piano bar ou dançar no Commodore Club.

Mil profissionais fazem parte do staff do navio, incluindo os oficiais britânicos, prontos para atender aos desejos de 2.068 hóspedes, acomodados em 1.034 cabines, sendo mais de 700 delas com varanda. As suítes mais espaçosas e luxuosas são as do tipo Queens Grill com hidromassagem, ampla varanda, closet e serviço a bordo personalizado.

O Queen Elizabeth reservou espaço também para as práticas esportivas. Há uma quadra de tênis e campo de críquete, esporte que utiliza bola e tacos, originada do Sul da Inglaterra, durante o século XVI. Até jogar golfe é possível dentro do navio. Há uma piscina térmica coberta, ao lado do spa, e duas piscinas ao ar livre. Uma delas, situada na área externa, está adaptada para o uso de passageiros mais idosos, com dificuldades de locomoção ou portadores de necessidades especiais. Nela, há um equipamento com uma cadeira desenhada especialmente para facilitar a entrada do cadeirante na piscina em segurança.

Não há desculpas para se descuidar do corpo. Uma bem equipada e espaçosa academia de ginástica é disponibilizada aos passageiros. Depois de tanto suar a camisa, relaxar também é preciso. O spa do navio oferece técnicas tradicionais de tratamentos de beleza, como aromaterapia, acupuntura, ioga, tai chi, pilates, massagens tailandesa e de bambu, além de hidroterapia. Do cardápio também faz parte um banho real, para um relaxamento em grupo. As terapias são pagas à parte, desde pilates a US$ 12, a cada meia hora, a massagens tailandesas de 75 minutos, por US$ 179.

Volta ao mundo em 103 noites: aventuras modernas

Quando o francês Júlio Verne escreveu o livro "A volta ao mundo em 80 dias", ele contou a história de um inglês que fez o trajeto ao redor do globo e viveu intensas aventuras. Embora o trabalho tenha sido traduzido em vários idiomas, diz a lenda que este tipo de viagem caiu no gosto principalmente dos ingleses. Não é à toa que a volta ao mundo pelo Queen Elizabeth começa com o embarque justamente no Porto de Southampton, maior cidade portuária da costa sul da Inglaterra.

A principal diferença é que a viagem dura 103 noites, parando em algumas das cidades mais importantes do mundo. A próxima viagem começa no dia 5 de janeiro. Depois do embarque em Southampton, a primeira parada do Queen Elizabeth é em Nova York. A partir daí o roteiro segue pelo Caribe, rumo a Aruba, passa pelo México, parando em Acapulco, volta aos EUA, visitando Los Angeles, Honolulu, antes de seguir para Nova Zelândia, com paradas previstas em Wellington e Auckland. Em seguida, na Austrália, Sydney e Melbourne. O roteiro inclui ainda Bali, na Indonésia; Hong Kong na China e Cingapura. Há passagens também previstas por Kuala Lumpur, na Malásia; Bombaim, na Índia; Dubai, nos Emirados Árabes, Atenas, na Grécia; Roma, na Itália; e Lisboa, em Portugal, antes de voltar a Southampton.

Os roteiros de viagens mais curtas podem ser feitos enquanto o Queen Elizabeth não ganha o mundo em cruzeiros de 13 ou 22 noites, com percursos diferentes, mas com embarque e desembarque em Southampton.

Um exemplo é o roteiro que inclui o réveillon a bordo e vai de 14 de dezembro a 5 de janeiro de 2011. Parte de Southampton, passando por Funchal, na Ilha da Madeira; Road Town, em Tortola; Roseau, em Dominica; Bridgetown, em Barbados; Castries, em St. Lucia; Antígua, em Antígua e Barbuda; Ponta Delgada, na Ilha dos Açores. Se o prazo para dar a volta ao mundo em 2011 ficou apertado e não há interesse de fazer viagens curtas, dá para se programar para 2012. A viagem terá 107 dias de duração e as reservas já estão abertas.

Volta ao mundo:

Com partida em 5 de janeiro de 2011, há cabines externas com varandas a US$ 32.015. Em cabine interna, US$ 19.126 e da externa US$ 23.349. As taxas de porto custam US$ 3.090 e as de governo US$ 512. www.cunard.com

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