Área de proteção em SP vira centro de esportes de aventura

Área de proteção em SP vira centro de esportes de aventura

Atualizado: Terça-feira, 28 Abril de 2009 as 12

No meio de colinas e vales cobertos por mata atlântica habitada por antas, onças, capivaras, quatis e tucanos, praticantes de rafting remam por corredeiras de águas cristalinas. A cena é típica de um lugar selvagem e remoto, mas acontece dentro de São Paulo, a cerca de 55 km do centro.

A floresta é a Área de Proteção Ambiental Capivari-Monos, no extremo sul do município. Os botes são da Associação dos Empreendedores de Turismo da APA Capivari-Monos (Aecotur), e as quedas-d'água são do Capivari, o último rio limpo da cidade.

A "expedição" é um teste executado pela Aecotur e pela Subprefeitura de Parelheiros, que, em breve, passarão a organizar passeios pela região. "Estamos vendo em quais épocas é possível realizar esse tipo de esporte e qual será o impacto ambiental", explica o consultor Oswaldo Fazio, 52, diretor da Liga Nacional dos Esportes de Aventura.

O rafting realizado no rio Capivari no final de março foi o primeiro acompanhado por uma equipe de reportagem. "Não queremos que ninguém venha sozinho. Estamos treinando o pessoal e preparando a estrutura", explica Oswaldo.

A ideia é limitar o número de visitantes e só fazer excursões monitoradas, como em Bonito (MS). "Lugar que, mesmo com visitação intensa, continua sem poluição e sem a degradação que a exploração turística infelizmente traz."

A APA ocupa uma área equivalente a um sexto do território do município de São Paulo. É fonte de 25% da água que os paulistanos bebem.

O rio Capivari tem suas nascentes no Parque Estadual da Serra do Mar, dentro do município de São Paulo, na divisa com Itanhaém. ''Esse lugar é um santuário ecológico e precisa ser preservado. Não dá para acreditar que ainda estamos dentro de São Paulo", surpreende-se o engenheiro Rodrigo Bastos, 32, diante da riqueza natural, a uma hora e meia de carro do centro.

O passeio que está sendo formatado pela Aecotur dura de três a quatro horas e percorre 6 km pelo leito do rio Capivari. Vai da prainha que fica na entrada de uma fazenda da Sabesp, no bairro de Engenheiro Marsilac, até a foz do rio Monos.

Nesse trajeto, há pelo menos quatro emocionantes corredeiras e quedas-d'água. O primeiro salto é o do Esconde-Esconde. Seu nível de "radicalidade" é 1 (numa escala de 1 a 5). Depois vêm as cachoeiras do Casarão (nível 2), da Ilha (nível 2,5) e, por fim, a do Jamil, com uma queda de cerca de 5 m e nível 3,5.

Ao final do tour, é hora de tirar os botes da água, carregá-los até o carro que faz o resgate dos excursionistas e viajar durante 40 minutos por esburacadas estradinhas de terra de volta ao ponto de partida da expedição.

"Para circular por aqui é preciso conhecer muito bem a área", explica o monitor da Aecotur Giuliano Prado, 26.

Depois da prainha onde termina o rafting, o rio segue em direção à Baixada Santista, com cachoeiras de até 80 m. Só é possível acompanhar seu trajeto por terra ou fazendo canoagem pelo meio da água e das pedras. Mas essa é outra aventura!

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