Região Serrana se mobiliza para receber turistas após tragédia

Região Serrana se mobiliza para receber turistas após tragédia

Atualizado: Quinta-feira, 24 Fevereiro de 2011 as 2:21

Após a madrugada do dia 12 de janeiro, as imagens que ficaram da Região Serrana do Rio de Janeiro foram de destruição. Assustados, os turistas minguaram, hotéis e lojas ficaram vazios. Só que nem tudo foi levado pelas águas das chuvas em Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo. Boa parte dos encantos das cidades, que atraíam uma multidão aos finais de semana, permanece lá, intocada.

Petrópolis e Teresópolis preservam várias atrações que não foram afetadas pelas chuvas, como o Museu Imperial e a tradicional Feirinha do Alto. Nova Friburgo, que teve os principais pontos turísticos atingidos, aposta no turismo em distritos mais afastados. Descontos são oferecidos na rede hoteleira como forma de atrair os turistas de volta. Confira na reportagem a situação de cada cidade e as oportunidades disponíveis.

Em Petrópolis, os casarões tombados ao longo das avenidas imperiais continuam belos e grandiosos. Assim como o Museu Imperial, que apesar da queda de 90% no número de visitantes nos primeiros dias, não parou de funcionar. A cidade com 167 anos de história não teve seu centro histórico afetado pelas chuvas. Os deslizamentos de terra e as enchentes atingiram a região de pousadas e mansões de luxo do Vale do Cuiabá e arredores, no distrito de Itaipava.

Situação semelhante vive Teresópolis. Os turistas ainda podem fazer as trilhas do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, comprar artesanatos na Feirinha do Alto e aproveitar os hotéis e restaurantes da cidade, atrações não atingidas pelas chuvas. O cenário de destruição de locais como Campo Grande, Caleme e Vieira fica afastado dos pontos mais visitados. Das áreas turísticas da cidade, apenas a estrada RJ-130, conhecida Terê-Fri, sofreu com enchentes, a partir do km 30, no sentido de Nova Friburgo.

O município mais atingido pela tragédia, Nova Friburgo, no entanto, viu seu centro ser invadido por lama, em imagens que chocaram o País. As ruas já foram limpas, mas a movimentação de operários e engenheiros responsáveis pela reconstrução ainda é constante. Com isso, as lojinhas de moda íntima da cidade e distritos turísticos afastados, como Lumiar e São Pedro da Serra, não atingidos pela chuva, têm sentido o impacto econômico da debandada dos turistas.

Com a tragédia, a estimativa de prejuízo para a temporada de janeiro a março é de US$ 30 milhões no faturamento da rede hoteleira da Região Serrana, segundo cálculos da Secretaria de Turismo e da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro (ABIH-RJ).

Para ajudar na recuperação, a ABIH-RJ fez uma campanha para oferecer 50% de desconto nas diárias de hotéis da Região Serrana no mês de fevereiro. Cerca de 30 empreendimentos aderiram à promoção.

“O desconto oferecido é uma forma de fazer uma campanha de marketing para os hotéis. Os turistas sabem o quanto eles vão economizar se forem agora”, diz Alfredo Lopes, presidente da ABIH-RJ. Segundo ele, a expectativa é que o Turismo em Petrópolis e Teresópolis esteja normalizado para a temporada de inverno. “Nova Friburgo demorará um pouquinho mais. Acho que coisa de um ano para voltar à taxa de ocupação de antes da tragédia”, diz.

Outras tragédias

Recuperar a confiança dos turistas é um processo lento e trabalhoso. Em Ilha Grande, que sofreu com deslizamentos de terra na praia do Bananal, na madrugada de 1º de janeiro de 2009, foram necessários sete meses para que os visitantes voltassem em número equivalente ao período anterior à tragédia.

“A cidade fez ações intensivas de propaganda e participação em feiras e workshops. O turismo já está normalizado. Com isso, para o Réveillon deste ano, a taxa de ocupação foi de 90 a 92%. Esperávamos um número menor, já que este período foi mais emblemático, simbólico”, afirma o presidente da TurisAngra, Daniel Santiago.

Outra cidade afetada por enchentes, São Luís do Paraitinga, no interior de São Paulo, ainda trabalha para a recuperação total do turismo na cidade. Para a edição de 2011 de seu famoso carnaval de marchinhas, é esperado metade do número de turistas de 2009. Por conta da tragédia, o município não teve carnaval em 2010.

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