Rio Grande do Norte, a bela e a exuberante

Rio Grande do Norte, a bela e a exuberante

Atualizado: Segunda-feira, 24 Maio de 2010 as 9:53

"Mãe, não aguento mais ficar aqui. Por que a gente não muda para aquela cidade para onde nós fomos nas férias?" Colocada na parede dessa maneira pelo filho, a espanhola Elis Ruz resolveu trocar de vez o Rio (de Janeiro) por outro, o Grande do Norte. E agora que completou seis anos em Natal a professora de espanhol do SENAC não demonstra arrependimento por ter substituído o Pão de Açúcar pelo Morro do Careca e o calçadão de Ipanema pelo da Ponta Negra. Falam a favor da capital potiguar, diz ela, a segurança e o porte da cidade, de apenas 800 mil habitantes - 1,3 milhão se considerada a região metropolitana.

É uma escala mais humana, feliz, bem menor que a das vizinhas, adensadas e roblemáticas Recife e Fortaleza. Mas, para quem (ainda) não pensa em mudar de cidade, é bom saber que a estrutura turística de Natal não deixa nada a desejar. Ali estão alguns dos resorts urbanos mais confortáveis do Brasil, como o primeiro hotel do grupo espanhol Serhs no Brasil, o Serhs Natal Grand, com seus 396 quartos, o classudo Pestana Natal, entre outros. Para comer, são três restaurantes com a marca de distinção do GUIA BRASIL, as estrelas. A CVC, maior operadora de viagens do país, confirma a força da cidade: Natal é seu segundo destino no Brasil, atrás apenas de Porto Seguro.

Há quem não queira nem pensar em carro quando está em férias, mas dirigir em Natal não tem nada do estresse do trânsito insuportável das capitais do Sudeste. E do carro você dificilmente escapa, já que não há metrô e os táxis são caros. Três vias paralelas, as avenidas Engenheiro Roberto Freire e Hermes da Fonseca e a Via Costeira, ligam o centro às praias do sul. Pela Hermes chega-se, por exemplo, ao Memorial Câmara Cascudo, ao restaurante estrelado Mangai e ao Midway Mall, o melhor shopping da cidade. Já à Fortaleza dos Reis Magos, do século 16, uma construção em forma de estrela, vai-se pela Via Costeira, tendo o Atlântico como companhia. Saindo da Ponta Negra, são 10 quilômetros beirando a praia até que apareça o gigante branco encravado no encontro do mar com o Rio Potengi.

De carro, você ainda pode explorar bairros boêmios, como Petrópolis, na área central. E as melhores mesas de Natal, regionais, que ficam longe da turística Ponta Negra. O já citado Mangai, por exemplo, serve carne de sol e paçoca entre suas mais de 100 opções de prato. O carro também ajuda bastante na hora de fazer passeios bacanas nos arredores da cidade, como o mergulho nos parrachos (bancos de coral, em "potiguar") de Pirangi - onde também está o famoso "maior cajueiro do mundo" - ou de Maracajaú. Só deixe mesmo o carro na garagem para fazer um city tour com alguma agência de receptivo. Vale estar com um guia para conhecer a história peculiar da cidade, que, na época da Segunda Guerra Mundial, serviu de base para as forças navais e aéreas dos Estados Unidos. Em 1942, 200 soldados americanos deram expediente em Natal. A posição estratégica da cidade, quase no vértice do Brasil, contou na decisão do encontro dos presidentes Getúlio Vargas e Franklin Roosevelt, em 1943, quando o Brasil entrou com seus pracinhas na guerra. A excursão também vai esclarecer por que um filho da terra, Luís da Câmara Cascudo, é nome de instituto, museu, memorial, rua, faculdade e livraria em Natal. O maior folclorista brasileiro nasceu e viveu até seus 87 anos na cidade, onde publicou 140 livros. Diz-se que lia um livro por dia, deitado na rede da casa na Avenida Junqueira Aires. Convidado a lecionar na USP e na Sorbonne, agradeceu, mas o diabo é que essas universidades ficavam em São Paulo e Paris, não em Natal.

O carro também fica parado no dia de seu passeio de bugue, item obrigatório no roteiro de quem debuta ou volta pela enésima vez a Natal. Mesmo parecendo exagero, compre o itinerário completo, que dura oito horas. O tempo não é suficiente pra você enjoar no sobe e desce das dunas, da praia e do mar. O roteiro passa pelo Parque das Dunas de Genipabu, Barra do Rio, Pitangui e termina em Jacumã, onde se faz o aerobunda - uma tirolesa de 100 metros que leva a um tchibum na Lagoa de Jacumã. A volta de lá é em jangada.

Natal tem planos de investir em campanhas publicitárias para pular do atual 1,3 milhão de visitantes para 2 milhões em quatro anos. O turismo é crucial para a economia local - responde por cerca de 40% do PIB. Já existe um Passaporte Verão, que dá descontos em serviços durante a estação e uma versão natalense da Virada Cultural paulistana, prevista para 2012.

Por: Camilla Veras Mota

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