Ritmo flamenco e muita história em Madri, na Espanha

Ritmo flamenco e muita história em Madri, na Espanha

Atualizado: Segunda-feira, 25 Janeiro de 2010 as 12

Madri disputou com o Rio a candidatura mais "quente" das Olimpíadas: o verão é agudo e seco, passando fácil os 35 graus. A capital e maior cidade espanhola, tem população de cerca de 3,2 milhões de habitantes. Fica às margens do rio Manzanares, que corta o centro do país e numa altura de 667 metros acima do nível do mar.

Pela sua história, pela gastronomia, pelas artes e pela vida noturna, Madri é um destino turístico dos mais movimentados do planeta. Como pano de fundo, o cenário é composto de arquitetura histórica, prédios antigos com janelas grandes e sacadas em todas as portas, cores fortes e molduras, com grades retorcidas e curvilíneas. Madri é cheia de praças antigas, como La Puerta del Sol, o quilômetro zero da Espanha.

Há também a Plaza Mayor, com bons restaurantes à sua volta. O Parque de Buen Retiro é hoje o mais importante de todos os que existem na cidade. Há os edifícios famosos como o Palácio Real e os museus, que não podem faltar, como o Museu Tyssen Bonemiza e o Monasterio de las Descalzas Reales. Mas a visita mais que obrigatória é do grande cartão postal madrilenho, o Museu do Prado. É uma das primeiras pinacotecas do mundo, instalada num grande e esplêndido edifício do século XVIII. Nele estão as mais importantes escolas de pintura européia dos séculos XII a XIX, como Francisco Goya e Picasso.

Quem chega pela primeira vez logo se surpreende com a quantidade de bares e restaurantes. Os mais tradicionais (e os turísticos também), oferecem violões de estilo flamenco, acompanhado das dançarinas com suas castanholas, vestidos coloridos (las batas de cola) e os leques (abanico).

Em termos de gastronomia, destacam-se as tortillas e os churros (estes doces), originários das comunidades de Madri. Representam à madrilenha o estilo espanhol de cozinhar, com a presença de ingredientes como alho, azeite, carnes, marisco e peixes, além de assados, que fazem parte dos recheios. Vale experimentar ainda os "puchero"; as tortilhas de batatas, tapas (sanduíches) e a paella (feita com arroz e ingredientes do mais diversos: de frango a frutos do mar). Sopas e sobremesas à base de frutas são outros elementos característicos. As refeições são geralmente acompanhadas com vinhos, mas é típica a "sangria", uma bebida, feita de frutas frescas em vinho tinto, com água simples ou gasosa.

Mas é a história, presente em cada canto da cidade, o que marca esta como uma cidade única entre as quatro candidatas olímpicas. Uma história que se inicia no século IX. Durante a ocupação árabe da região, o Rei Mohamed I ordenou a construção de uma fortaleza, de onde se poderia avistar possíveis invasores. Em 1085, a cidade foi reconquistada por Alfonso VI e a fortaleza tornou-se o Palácio Real. Mas o estatuto de capital só veio mesmo em 1561, com a reunificação feita pelo Rei Carlos I. O seu filho, Felipe II, transferiu a Corte Real de Valladolid para Madrid, desde então a capital da Espanha.

O primeiro crescimento populacional se deu entre os séculos XVI e XVII, os chamados séculos de ouro do Império Espanhol. Coroando este primeiro impulso, foi no século XVIII, com Carlos III, que esta etapa dourada alcançou os seus melhores momentos, situando Madri e a Espanha numa rota estável de comércios.

Notavelmente, até meados do século XIX a Espanha tinha traços rurais. É a partir de então que uma onda de urbanismo toma conta de Madri e do país, sob o reinado de Isabel II. Novas empresas e construções se sobrepuseram a pequenos palacetes. Até as primeiras décadas do século XX, Madri caminhava com vagar para um processo de industrialização e urbanismo.

Neste âmbito histórico, as perspectivas nacionalistas e republicanas travaram o debate espanhol até o estouro da Guerra Civil, entre 1936 e 1939. O resultado foi o de décadas seguintes sob a tutela da ditadura do General Franco, e Madri como a porta-voz deste período. Somente em 1975, após 40 anos, é que a democracia foi restaurada sob um regime de Monarquia Parlamentar. Mesmo com os traços monárquicos e históricos gravados na sua história e nas suas ruas, Madrid é hoje uma cidade cosmopolita, aberta, e moderna.

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