Sites de compra coletiva apostam em pacotes turísticos; vale a pena?

Sites de compra coletiva apostam em pacotes turísticos; vale a pena?

Atualizado: Quarta-feira, 3 Agosto de 2011 as 10:38

No Brasil desde o ano passado, os sites de compras coletivas explodiram comercializando produtos e serviços, como rodízio de comida japonesa, serviços em salão de beleza e entradas para o teatro, com até 90% de desconto. Com a consolidação dos sites, se tornou possível barganhar descontos em produtos de maior valor, como pacotes de viagem para destinos nacionais e internacionais, que são vendidos prometendo até 60% de desconto.

Alguns sites, como Tripz, Viajar Barato e Turista Coletivo   (veja a lista completa no final da reportagem) , são especializados na venda de pacotes turísticos. De acordo com Sérgio Bracheriene, sócio do Grupo Clube do Desconto que controla o site Tripz, os preços baixos são possíveis graças a acordos com os fornecedores dos serviços, como hotéis e companhias aéreas.

“No Brasil, a maioria dos descontos são de hotéis que querem ter ocupação maior durante a baixa temporada. Mas tem também, principalmente no exterior, os que querem simplesmente promover o hotel, ou quando tem cassino junto e o objetivo é fazer a pessoa gastar dinheiro lá”, diz o sócio do Tripz, que foi criado no início desse ano e comercializa em média 2,5 mil pacotes por mês.

O presidente do Groupon no Brasil, Florian Otto, afirma que a tendência é que as ofertas fiquem cada vez mais atraentes para os consumidores. “No começo focávamos mais na hospedagem, mas aos poucos fomos percebendo que o consumidor queria um pacote com a passagem aérea também, e começamos a oferecer”.

Atuando em 43 países, o Groupon mantém seções exclusivas para turismo nos portais de outros países, como os EUA. O consumidor pode inclusive aproveitar as ofertas dos sites de compra coletiva estrangeiros, mas se submetendo às regras e leis de cada país. Sites como Travelzoo, Yipit.com e Dealery agregam as ofertas internacionais.

Procon recomenda cuidado na hora de comprar; saiba seus direitos 

Segundo Patrícia Álvares Dias, assistente de direção do Procon-SP, o consumidor tem até sete dias para desistir de qualquer compra online, sem a necessidade de dar qualquer tipo de justificativa. Portanto, no caso de comprar um pacote e não encontrar uma data disponível que o agrade, basta entrar em contato com o serviço de atendimento e solicitar o reembolso.

Após os sete dias determinados pelo Código, não é mais obrigação da empresa efetuar o reembolso. Entretanto, sites como o Groupon e o Tripz estornam o pagamento mesmo após o prazo, visando a satisfação do consumidor. “Para fidelizar e evitar dor de cabeça, devolvemos o dinheiro para o consumidor que não conseguiu reservar hotel em uma data que lhe convenha”, diz Bracheriene, do Tripz. “Fica mais barato estornar o cupom do que sofrer reclamação nas redes sociais”.

Para evitar possíveis problemas, a assistente de direção do Procon aconselha os consumidores a olharem detalhadamente o que promete a oferta, como período em que pode fazer a viagem, se envolve finais de semanas e feriados ou se restringe segunda a sexta-feira.

No caso da viagem não corresponder ao que estava sendo ofertado pelo site, o consumidor pode até entrar com uma ação por danos morais contra a empresa. “Às vezes o consumidor agendou as férias, esperou um tempo para fazer a viagem, então cria uma expectativa grande”, afirma o advogado especialista em direitos do consumidor Leonardo Amarante. “Se chega na hora e não recebe o que esperava, há uma frustração e sofrimento grande. Ela pode entrar com uma ação por danos morais, pois tem o direito de ser recompensada por esse sofrimento”.

Sites de leilão virtual também oferecem oportunidades de desconto

Imagine a possibilidade de passar dois dias em um luxuoso hotel na cidade mineira de Monte Verde por apenas R$ 4,31. É o que promete o site de leilão virtual especializado em pacotes turísticos Embarque Nessa. Mas não é tão simples assim.

Os sites funcionam por meio de lances, que podem ser dados no período em que o leilão está aberto, dentro da contagem regressiva de 10 ou 15 segundos. Os preços normalmente começam com menos de R$ 0,10, e ganham alguns centavos a cada lance dado pelos usuários. Cada lance também faz a contagem regressiva começar tudo de novo. E assim vai, até que o vencedor faça seu lance e ninguém mais o faça dentro do período da contagem regressiva.

Parece fácil, mas o site cobra em média R$ 1 por cada lance, que são vendidos em pacotes que vão de 10 a mil lances. Para arrematar o produto, dependendo da sorte e concorrência, é necessário efetuar diversos lances e, muitas vezes, é possível terminar a aventura com as mãos vazias.

Por outro lado, o diretor do site Embarque Nessa, Vitor Shida, revela que já viu pacotes serem arrematados com os cinco lances que o usuário ganha ao se cadastrar no site. “É uma questão de estratégia. As pessoas que arrematam estudam mais a fundo e conseguem pacotes melhores em função disso”. Sem contar os lances, o valor dos pacotes sai, em média, por 95% do valor total.

Shida, que resolveu investir no ramo por ser um entusiasta de sites de leilão, dá as dicas para quem quiser ter sucesso no arremate dos pacotes. “As pessoas não podem sair dando lances a torto e a direita, pois a possibilidade de não ganhar é grande”, conta. “É preciso focar em um pacote, ter paciência e uma quantidade de cliques grande”.  

veja também