Tire dúvidas sobre planos de milhagem

Tire dúvidas sobre planos de milhagem

Atualizado: Quarta-feira, 6 Abril de 2011 as 9:05

Lançado nos cinemas brasileiros em janeiro de 2010 e com seis indicações ao Oscar, o filme Amor Sem Escalas conta a história do executivo Ryan Bingham (George Clooney), que está prestes a conquistar o mais alto cartão de fidelidade da American Airlines, até então concedido apenas a seis pessoas no mundo que já acumularam 10 milhões de milhas voadas pela companhia.

Com a frase “eu não gasto um centavo que não seja de algum modo convertido em milhas no meu cartão de fidelidade”, Bingham resume a técnica mais eficaz – e mais usada por quem entende da coisa – para juntar muitas milhas (ou pontos). Por isso esqueça a ideia de que só dá para acumulá-las voando, o que vale especialmente para quem, ao contrário do personagem do filme, não viaja tanto a trabalho. O mais importante é conhecer todas as ferramentas e parcerias que permitem o acúmulo de milhas (e a consequente conquista de bilhetes-prêmio) sem ter de viver no aeroporto.

Essa é a técnica do advogado paulistano Francisco Lima, 27 anos, que aproveita as viagens pela empresa e parcerias das companhias aéreas com cartões de crédito para bancar as escapadas de férias e fim de semana. Ele é um dos recordistas de voos com bilhetes-prêmio do programa Smiles, da Gol/Varig, com 93 viagens realizadas em 2009.

Para aproveitar as promoções e escolher a companhia mais vantajosa para determinada viagem, Lima participa ainda dos programas de fidelidade da TAM (com o qual fez cerca de 40 viagens no ano passado), da TAP e da Ameri­can Airlines. O advogado também fica atento aos planos de fidelidade dos hotéis, como o do grupo Accor – dono de bandeiras como Sofitel, Mercure, Ibis e Formule 1 –, que concede diárias e upgrades para seus clientes mais fiéis.

Pode parecer mais difícil acumular milhas sendo sócio de tantos programas dife­rentes, já que o crédito não vai para o mesmo lugar. O advogado Lima discorda. “Cada companhia tem a sua política, suas promoções, e isso muda o tempo todo, toda semana. Participando de vários planos de fidelidade, eu tenho a possibili­dade de escolher a companhia que ofere­ça a troca mais vantajosa no momento da compra”, explica. Isso porque muitos cartões de crédito permitem que se acumule mi­lhas sem vinculá-las a nenhum plano – você opta em qual vai colocá-las na hora que esco­lher o destino da viagem e a companhia.

Mas, antes de sair se cadastrando nos planos de inúmeras companhias, confira nesta reportagem os principais programas no Brasil e no mundo e avalie qual a me­lhor forma para você acumular milhas – seja pelo tipo de viagem ou pelas parcerias com bancos, hotéis e até postos de gasolina que fazem parte do seu dia a dia. E comece a juntar.

O maior plano nacional é o Smiles, que a Gol herdou da Varig: são mais de 6,5 milhões de usuários cadastrados. Nele, para acumular milhas, basta voar pela Gol, Varig  ou por uma das compa­nhias parceiras (Air France, KLM e American Airlines). Vale ressaltar que, se você já  é sócio do plano de milhagem de uma dessas companhias, não pode acumular pontos nos dois planos, precisa escolher um só.

No Smiles, cada trecho voado garante no mínimo mil milhas. Há cinco tarifas diferentes e a pontuação conquistada varia de acordo com o tipo de passagem paga. As categorias Confort e Livre, as mais caras e com maior flexibilidade para eventuais mudanças na passagem, garantem um acúmulo de 150% da distância em milhas. Na Flexí­vel, o acúmulo é de 125%, enquanto na Programada é de 100% e na tarifa Promocional, apenas 30%.

Na hora de trocá-las por um bilhete gratuito – o passageiro só terá de arcar com as taxas aeroportuárias –, o mínimo necessário é 10 mil milhas, referente a viagens dentro do Brasil e nos países da América do Sul, na classe econômica. Para ir de algum ponto da América do Sul para a América Central é preciso possuir de 15 mil a 22.500 milhas, de acordo com a classe. Se não tiver a quantidade suficiente, é possível completar a tarifa com dinheiro. E se estiver com mi­lhas sobrando e pouca antecedência para a emissão do bilhete, é possível usar o dobro das milhas exigidas para garantir um lugar na data de sua prefe­rência, independentemente dos assentos destinados a atender os clientes do programa de fidelidade – a grande dificuldade para adquirir bilhetes-prêmio de última hora, especialmente na alta temporada.

Fique atento ainda às promoções: a Gol é a companhia que mais oferece condições especiais por tempo limitado. Até 31 de março de 2010, por exemplo, tíquetes para as regiões Sul (exceto Navegantes e Florianópolis, ambas cidades em Santa Catarina), Sudeste e Centro-Oeste do País podem ser adquiridos com 8 mil mi­lhas. Por isso, sempre consulte o site antes de reservar uma passagem. De 15 de março até 10 de maio, a emissão de bilhetes da Gol e Varig deve ser realizada através do site do Smiles (smiles.com.br). Lá você encontra um passo a passo bem explicadinho.

O programa Fidelidade da TAM é bem semelhante ao da Gol e vem crescendo consideravelmente. Também pudera: o Fidelidade tem um número bem maior de parceiros. Só de companhias aéreas, são dez: United Airlines, TAP, Lufthansa, LAN, Air Canada, Swiss, Austrian Airlines, BMI, Brussels Ailines e US Airways. Há ainda convênio com os postos de gasolina Ipiranga, Livraria Cultura, hotéis Accor e os bancos Bradesco, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Citibank, HSBC, Itaú, Nossa Caixa, Santander e Unibanco. Vale ressaltar que, desses, apenas o Itaú e o Bradesco não têm convênio com o Smiles.

No plano da TAM, cada trecho no Brasil e na América do Sul acumula de mil a 1.500 pontos na classe econômica (e de 3 mil a 4 mil na primeira classe). Nas Américas Central e do Norte, o acúmulo mínimo é de 5 mil pontos e o máxi­mo, de 20 mil (em voos longos em primei­ra classe). Viagens para a Europa acumulam no mínimo 6 mil pontos, podendo chegar a 24 mil.

Para adquirir o bilhete-prêmio você precisa de pelo menos 10 mil pontos para voar no Brasil e na América do Sul, qualquer que seja a época do ano. Para a América do Norte, a partir de 20 mil na baixa temporada e 30 mil na alta. Na Europa, de 30 mil a 40 mil pontos na menor tarifa.

É importante ressaltar que, em todos os planos, as milhas/pontos têm prazo de validade. No Smiles, da Gol, o prazo para utilização é de três anos e 11 meses. No TAM Fidelidade, dois anos.

As outras companhias brasileiras também têm seus planos de fidelidade, bem mais simples do que os já mencionados. Desde 2007, a Ocean Air oferece o Programa Amigo, que tem como maior dife­rencial a Conta-Família, que permite a inscrição de até quatro parentes de 10 grau adicionais no mesmo plano (nas demais companhias crianças também podem se associar, mas com contas indivi­duais). Com a possibilidade de somar os pontos adquiridos por várias pessoas, torna-se mais rápido acumular o suficiente para ganhar um trecho.

A matemática do Programa Amigo é simples: cada trecho, independentemente da distância, vale mil pontos – a compa­nhia opera apenas destinos nacionais. Tari­fas promocionais não acumulam pontos. A validade das milhas é de dois anos e, para resgatá-las, é necessário o acúmulo de 10 mil pontos, que dão direito a um trecho em qualquer destino operado pela empresa. Ou seja, a cada dez viagens, uma sai de graça.

O programa da Azul, Tudo Azul, também é bem fácil de acompanhar, já que a vantagem é somada em reais, e não em milhas. Ao se inscrever no programa, o usuário já começa com R$ 20 na conta. A cada viagem, acumula 5% do valor pago na passagem – um trecho que custou R$ 200 rende R$ 10, por exemplo. A cada R$ 50 de créditos acumulados é emitido um voucher, que pode ser usado para des­contar o valor de uma passagem ou, junto com outros vouchers, completar o valor total. A vantagem é que não é preciso esperar acumular tanto e que, mesmo se o trecho for adquirido com desconto, ainda acumula-se 5% sobre o que foi pago. E os créditos não têm data de validade.

Dezenas de companhias aéreas do mundo todo estão conectadas em três grandes “alianças”: a Star Alliance, a One World e a Sky Team. Se você é associado a uma companhia-membro, tem direito às vantagens de todas as outras, além de poder juntar milhas em um mesmo programa voando por diferentes companhias-parceiras.

A primeira e maior aliança é a Star Alliance, formada em 1997, que reúne 26 companhias aéreas, entre elas a United, US Airways, Air Canada, Continental, TAP, South African Airways, Lufthansa e Swiss.

Basta inscrever-se no programa de uma delas para fazer parte da Star Alliance, com direito a benefícios exclusivos como lounge e concessão de franquia extra de bagagem. Para brasileiros, uma boa opção é associar-se à portuguesa TAP, que tem vários voos partindo do Brasil e uma parceria com a TAM. O programa Victoria permite o acúmulo de até 200% das milhas voadas, de acordo com a classe. No entanto, a porcentagem sobre bilhetes em tarifas promocionais é bem pequena: apenas 10% da distância percorrida em milhas.

Voando com outros parceiros da Star Alliance, o acúmulo no plano da TAP é um pouco menor, mas, para compensar, a companhia tem convênio com hotéis, bancos (HSBC, Unibanco, Real, Santander, Itaú e Safra), locadoras de carros, e a operadora de viagens Abreutur, empresas nas quais cada dólar gasto rende uma milha.

A One World foi criada em 1999 e, apesar de não ter tantos membros como a Star Alliance (são “apenas” 11 parceiras), reúne algumas gigantes da aviação: American Airlines, British Airways, Iberia, LAN, Qantas, Finnair e Japan Airlines. Se você viaja mais pela América do Sul, associe-se à LAN, que tem diversas vantagens para brasileiros, inclusive os preciosos convênios com empresas do País. Voos com mais de sete horas de duração acumulam no mínimo 100% das milhas voadas, até na menor tarifa. Com menos de sete horas, a tarifa promocional garante apenas 25% de acúmulo. Voos com membros da One World ou com as parceiras TAM, AeroMéxico e Alaska Airlines também valem milhas.

Por fim, a Sky Team é a aliança mais recente, feita em 2000 e composta por dez associados, entre eles Air France-KLM, Alitalia, Delta, AeroMéxico e Aeroflot.

O esquema é o mesmo: basta ser membro do plano de uma dessas companhias para acumular milhas ao voar por qualquer uma delas. Membro-fundador, a Air-France possui um dos maiores programas de milhagem, o Flying Blue, que reúne a companhia e a KLM – adquirida pela Air France em 2004 –, além da Air Europa, Kenya Airways e Aircalin.

No Flying Blue, o acúmulo de milhas pode ser de 100% ou de meros 25% na classe econômica, podendo chegar a 300% na primeira classe. Com os cartões mais “exclusivos”, pode haver o acúmulo de até 100% a mais do que o valor básico válido no trecho. As milhas não têm prazo de validade, desde que o usuário não ultrapasse 20 meses sem voar pelas companhias do Flying Blue ou da Sky Team.

Na realidade, os planos de milhagem internacionais somente compensam para quem viaja muito para o exterior. Os planos brasileiros, além de oferecerem mais destinos no País, contam com uma variedade de parceiros que são muito mais utilizados do que, digamos, um hotel nas Bahamas. Na hora de eleger o seu, pense num plano que tenha convênio com o seu banco, livraria e os hotéis onde costuma se hospedar. Ou, ainda, um com mais opções de voo para os seus destinos mais frequentes.

Ter muitos horários de voo é essencial por causa do número limitado de assentos na categoria de bilhetes-prêmio, o que torna uma verdadeira loteria conseguir um tíquete de última hora ou em períodos de alta temporada. Aproveite os parceiros e programe-se com antecedência – não há forma melhor de tirar o benefício máximo do seu plano de milhagem.

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