Torres del Paine: um paraíso quase desconhecido no sul do Chile

Torres del Paine: um paraíso quase desconhecido no sul do Chile

Atualizado: Quinta-feira, 11 Novembro de 2010 as 2:13

É estranho que a maioria dos brasileiros nunca tenha ouvido falar de Torres del Paine. O parque nacional no sul do Chile é um destino turístico onde se tem a mesma sensação de quando se está no Grand Canyon ou em Machu Picchu: a certeza de que não existe outro lugar parecido no mundo. É aquela típica "paisagem de quebra-cabeça", só que os lagos têm um azul inigualável – muito claro e leitoso, porque a água tem quartzo e carbonato de cálcio – e as montanhas nevadas ao fundo passam dos 3 mil metros de altitude. Mas, para admirar as torres de pedra que dão nome ao local, primeiro é preciso vencer uma trilha desafiadora.

Criado em 13 de maio de 1959, o Parque Nacional Torres del Paine foi declarado Reserva da Biosfera, pela UNESCO, em 1978. Ele fica na XII Região chilena (ou Região de Magalhães e Antártida) e tem 181 mil hectares, que reúnem quatro lagos principais e um sistema de montanhas independente dos Andes, formado há 12 milhões de anos por uma erupção de rocha numa falha da Placa Magalhânica. Por esta razão, os picos e cristas do lugar têm formatos exóticos.

Uma das formações mais incríveis, visível da maior parte do parque, é conhecida como Cuernos del Paine, uma sequência de cumes rochosos que variam de 2.200 a 2.600 metros de altura e parecem ter sido recortados propositalmente na forma de imensos retângulos de granito. Ao seu lado está o Cerro Paine Grande, um enorme maciço que supera os 3 mil metros de altitude e abriga em suas encostas o Glacial do Francês. Para curti-los, é só fazer uma trilha de cerca de meia hora.

É possível conhecer o parque todo numa grande caminhada, que pode durar de três a nove dias, dependendo da disposição do visitante – o recomendável é fazer em sete dias. No percurso, pode-se ficar em acampamentos e abrigos feitos para ajudar os aventureiros. Mas a maioria dos turistas se hospeda num dos hotéis da região e percorre, a cada dia, uma das 20 trilhas que o parque oferece.

As caminhadas mais tranquilas são aquelas para a observação da fauna. Nas planícies de Torres del Paine, há animais como o puma, o condor e o guanaco, uma espécie de lhama que está em toda parte. "O encontro com o puma é mais raro e não é perigoso, a menos que se trate de uma fêmea com filhote", explica Francisco Muñoz, gerente do Patagônia Camp, um hotel com conceito de acampamento de luxo (mais no box). Além disso, aves como o flamingo, o cisne e o nhandu (que parece uma ema) podem ser admirados livremente em seu habitat. Outras trilhas curtas levam a lagos onde icebergs azuis boiam, após se desprenderem de geleiras da região.

A trilha mais difícil é aquela que leva ao pé das torres, mas é a única forma de vê-las por inteiro. A caminhada de ida tem 9 km e dura 4h se feita a passo rápido – a volta costuma tomar 3h30. No último trecho, o visitante precisa passar por um aclive formado por rochas de diversos tamanhos, quase sempre cobertas por neve, que leva cerca de 45 minutos para ser vencido. É a parte mais difícil da caminhada. Mas, assim que termina, a vista faz todo esforço valer a pena.

De pé no mirante onde a trilha termina, o turista tem à direita o Vale do Silêncio, uma clássica vista de um vale coberto por neve, cercado de montanhas brancas e triangulares. À frente, fica o Almirante Nieto, um monte que chega a 2.500 metros de altitude – lembrando que você está a 866 metros. E à esquerda, as Torres del Paine, três imensos "dedos" de rocha avermelhada fincados sobre uma geleira – o Glaciar Torres. A diferença entre o pico da torre mais alta – a Torre Sul, com 2.850 metros – e o observador é de cerca de 2 mil metros, o que causa uma deliciosa vertigem e cria um problema para a reportagem: nenhuma foto é capaz de transmitir a dimensão da paisagem.

Acampamento de luxo

Entre as diversas opções de hospedagem em Torres del Paine, a mais inusitada é o Patagônia Camp. A propriedade, à beira de um lago próximo à entrada do parque, tem 19 yurtes, um tipo de "oca" de tecido, redonda e com um furo no teto. Mas é uma oca cinco estrelas, com cama king size, banheira, aquecedor e todas as amenidades de um hotel – só não tem TV, porque não precisa: com a vista da janela, você não iria assistir mesmo. Esse conceito de camping de luxo permite total integração com a natureza ao redor – o hóspede ouve o vento no fim de tarde, vê as estrelas pelo vidro superior à noite e acorda com o sol pela manh㠖 e, ao mesmo tempo, conforto digno de um rei (o príncipe da Holanda já ficou hospedado lá).

A melhor época para ir a Torres del Paine é entre março e novembro. É o verão local. Ainda tem neve nas montanhas e, apesar de os ventos chegarem a 130 km/h, é considerado a alta temporada pelos chilenos. "Acho que poucos brasileiros vêm ao parque porque é um lugar selvagem, um pouco afastado", diz Manuel García-Huidobro, gerente geral do Patagônia Camp. "Mas justamente por isso vale a pena vir", completa.

Informações úteis

- COMO CHEGAR

A forma mais fácil de chegar ao Parque Nacional Torres del Paine é pegar uma conexão até a cidade de Punta Arenas. Há vôos diários pela Lan Chile partindo de Santiago. A viagem dura cerca de 4h15 de duração, com escala em Puerto Montt.

Do aeroporto de Punta Arenas até Torres del Paine são mais de três horas de viagem por terra. Os hotéis da região costumam disponibilizar o traslado até o parque.

Aeroportos

Em Santiago

Aeropuerto Comodoro Arturo Merino Benítez (Aeropuerto Pudahuel)

Casilla 1152, Santiago

A 17 km de Santiago

Tel. +56 2 690-1752

Traslados: Ônibus expresso, vans, limusines e táxis

Em Punta Arenas

Aeroporto Carlos Ibanez Del Campo

Punta Arenas Casilla 108 D, Punta Arenas

A 20 km de Punta Arenas

Tel: +56 0 611-9131

Traslados: Ônibus, microônibus e táxis

- ONDE FICAR

Patagônia Camp

Tel: +56 2 334.9255

Hotel Las Torres

Tel: +56 61 360360

Hotel Rio Serrano

Tel:- +56 61 240 528

Hostería Lago Pehoé

Tel: + 56 2 2350252

- QUEM LEVA

7 noites em Punta Arenas e Torres del Paine

O que inclui: sete noites de hospedagem, sendo uma em Santiago, duas em Puerto Natales, uma em Punta Arenas e três em Torres del Paine, passagem aérea, passeios e traslados. Preço: a partir de US$ 2.317 por pessoa. Quem leva: Adventure Club

5 noites na Patagônia

O que inclui: cinco noites de hospedagem, sendo duas em Punta Arenas e três em Torres del Paine, passagem aérea, passeios diários e traslados. Preço: a partir de US$ 2.824 por pessoa. Quem leva: TerraMundi

8 noites em El Calafate e Torres del Paine

O que inclui: oito noites de hospedagem, sendo uma em Buenos Aires, quatro em El Calafate e três em Torres del Paine, passagem aérea, passeios diários e traslados. Preço: a partir de US$ 3.196 por pessoa. Quem leva: Freeway

6 noites em Santiago e Torres del Paine

O que inclui: seis noites de hospedagem, sendo duas em Santiago e quatro na Patagônia, passeios diários, open bar e traslados. Não inclui aéreo. Preço: a partir de US$ 3.370 por pessoa. Quem leva: Interpoint

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