Turismo alternativo na Palestina

Turismo alternativo na Palestina

Atualizado: Segunda-feira, 6 Abril de 2009 as 12

A Palestina é singular em vários aspectos, de modo especial por causa da sua história, religiões e culturas. O que tornou essa região tão famosa é sua rica história humana, juntamente com o fato de que é a pátria de três grandes religiões monoteístas: cristianismo, judaísmo e islamismo. Infelizmente, são os constantes conflitos que essa região vivencia que a colocam no foco da mídia internacional de forma negativa.

Esse quadro acaba prejudicando o turismo na região, que poderia ser um dos principais pilares da economia palestina. O setor não apresenta nenhum crescimento considerável desde 1967 por causa das restrições impostas pelas autoridades da ocupação israelense, lamenta Rami Kassis, diretor executivo do Grupo de Turismo Alternativo (GTA), uma organização não-governamental palestina especializada em viagens e peregrinações que incluem pesquisas sobre a história, cultura e política da Terra Santa.

O GTA nasceu em 1995 com objetivos tais como oferecer novas alternativas de turismo. Ele tem como metas principais estabelecer um turismo mais humano, colocar turistas estrangeiros com contato direto com a população a fim de ajudá-los a compreender melhor a cultura e a história árabe-palestinense.

Mas também ajuda a derrubar estereótipos negativos da Palestina e de seu povo predominantes no Ocidente, a desenvolver entre os turistas um conhecimento da cultura e da situação sociopolítica na Palestina. O GTA oferece aos turistas a oportunidade de trocar experiências únicas com palestinos através de trabalho voluntário com organizações não-governamentais (colheita nas oliveiras, plantio de árvores etc.).

Desde sua fundação, o GTA já atendeu milhares de pessoas de todo o mundo, o que mostra o grande sucesso da iniciativa e prova que o conceito de turismo alternativo é extremamente interessante para as pessoas.

Em 1997, o GTA administrou a recuperação de 30 quartos em casas de palestinos na área de Belém. Essas casas servem, desde então, como locais para acomodar turistas e peregrinos junto a famílias locais, para interagir com a população e enriquecer seu conhecimento sobre a cultura palestina, estender seu círculo de amizades e apreciar a hospitalidade palestina.

Apreciar a hospitalidade foi uma experiência que teve o grupo de seis jornalistas estrangeiros que, a convite do Conselho Mundial de Igrejas, visitou em março a Palestina. Eles foram hospedados em casas de famílias de Betsahor (cidade vizinha de Belém) por uma noite.

Cinco jornalistas ficaram na casa do operador de câmera Raed Hanna Aurvad e de sua companheira, a professora de inglês Vivine Afife Aurvad. Raed e Vivine têm um casal de filhos e junto na casa ainda moram a mãe de Raed, a avó e a família de um irmão.

É uma família cristã, vinculada à Igreja Ortodoxa Grega. Raed contou que 90% da população local são cristãos. A família dele costuma hospedar periodicamente turistas estrangeiros, encaminhados pelo GTA. Ela recebe uma compensação financeira por isso, o que significa um reforço no orçamento.

Rami Kassis entende que o turismo social tem um papel importante na construção da imagem da Palestina. A atividade é fundamental no desenvolvimento de uma imagem positiva da Palestina no plano internacional e um elemento essencial na preservação e exaltação do orgulho e do espírito nacionais.

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