Turismo deve integrar projeto econômico forte e amplo no Nordeste, diz ministro

Turismo deve integrar projeto econômico forte e amplo no Nordeste, diz ministro

Atualizado: Segunda-feira, 26 Janeiro de 2009 as 12

Um dos conceitos difundidos pelo ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, em sua viagem a estados do Nordeste para discutir um novo plano de desenvolvimento regional, é o papel a ser cumprido pela exploração da atividade turística. Segundo Unger, o fato de o turismo gerar receitas significativas não pode servir para desmobilizar a construção de alternativas complementares e sólidas.

"Não é uma crítica, mas uma coisa simples. O turismo pode ser um componente excelente num projeto ou uma calamidade. Ele será extraordinário se for complemento de projeto econômico e social forte, mas será uma calamidade se usado para substituir esse projeto", alertou Unger.

"Exemplos de muitos países do mundo mostram isso. Na ausência um projeto econômico e social, [o turismo] desorganiza a economia e cria uma dependência de dinheiro transitório de atividades que não exercem efeito transformador ", acrescentou o ministro.

O governador de Alagoas, Teotônio Vilela disse a Unger que pretende evitar no estado uma exploração turística massiva e desordenada, nos moldes da ocorrida na região de Porto Seguro, na Bahia. Tal modelo, segundo ele, compromete o meio ambiente ao apostar simplesmente na quantidade de turistas.

"[Atrair] turistas de alto poder aquisitivo é o nosso foco", resumiu Vilela. "É um turismo sustentado, onde o meio ambiente é preservado e as comunidades existentes são integradas ao projeto e não mera fornecedoras de mão-de-obra. Ele emprega mais, gera mais renda, preserva o meio ambiente a as qualidades locais."

Até amanhã, o ministro Unger terá passado pelos estados da Bahia, Alagoas, Pernambuco e Rio Grande do Norte, acompanhado de uma comitiva de representantes dos ministérios da Casa Civil, Agricultura, Desenvolvimento Social, Integração Nacional e Educação, do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Outros estados serão visitados pelo grupo nas próximas semanas. Ao final roteiro será formado um grupo executivo para elencar possíveis ações concretas a serem implementadas por meio de colaboração entre o governo federal e os estados. A proposta deve ser consolidada no Fórum de governadores do Nordeste e posteriormente encaminhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A iniciativa está inserida no objetivo traçado pelo presidente Lula de encerrar o seu mandato com um plano nacional de desenvolvimento a ser implementado até 2022. "No passado, esses projetos vinham prontos de Brasília e o mais adequado é aproveitar a experiência regional bem-sucedida. Fazer com que a sociedade não seja mera receptora de propostas, mas protagonista. Se errarmos, que seja com erros novo", afirmou o presidente do Ipea, Márcio Pochmann.  

veja também