Turistas "do bisturi" vão à Argentina para fazer plásticas

Turistas "do bisturi" vão à Argentina para fazer plásticas

Atualizado: Segunda-feira, 7 Fevereiro de 2011 as 1:14

Alheias à recente escolha do atacante Lionel Messi como o melhor jogador de futebol do mundo ou aos encantos do tango e da gastronomia de Buenos Aires, adolescentes e mulheres estrangeiras têm buscado, com a desvalorização da moeda argentina (o peso), a oportunidade de construir um corpo perfeito esculpido em cirurgias plásticas. A Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) aponta o país latino como o 11º no ranking dos maiores adeptos à realização de intervenções cirúrgicas.

Em território argentino, aproximadamente 517 cirurgiões fizeram em 2009 - dado mais atualizado disponibilizado pela ISAPS - 27,9 mil operações para aumento dos seios, 23,7 mil lipoaspirações e 19 mil cirurgias de remoção de pele sob os olhos, por exemplo.

Ainda que insumos cirúrgicos e próteses sejam importadas - no caso dos silicones, boa parte, inclusive, é da brasileira Silimed - os honorários dos médicos e enfermeiros, cobrados em peso, contribuem para que o custo final da cirurgia seja até 60% menor que operações estéticas fora da Argentina.

Para atrair turistas estrangeiros ávidos por um retoque, agências de turismo chegam a oferecer pacotes "weekend touch up tours" - viagens curtas ou de fins de semana em que o hóspede consulta médicos e pode realizar cirurgias plásticas. Com o lema "retorne para casa uma nova você", o Centro de Cirurgia Plástica de Buenos Aires, por exemplo, apresenta diversos tipos de pacotes para turistas. Se o paciente optar por "combos", combinação sugerida pela própria entidade a cada caso em especial, os valores podem ser ainda mais modestos.

"De fato, o paciente descobre que oferecemos maior suporte e serviços do que em sua terra natal e por um preço menor. Oferecemos economia sem comprometer o resultado final", anunciam os médicos Diego Steinberg e Martin Chavanne na carta de boas-vindas aos "turistas do bisturi". Nas clínicas especializadas, os procedimentos administrativos para as cirurgias são todos feitos em inglês para, segundo seus administradores, "minimizar a burocracia e facilitar o processo de ingresso do paciente no procedimento médico".

Em 2008, em meio ao boom de cirurgias plásticas, o país foi até surpreendido com uma festa na província de La Rioja que, para atrair mais público, anunciou o sorteio de uma cirurgia plástica de seios para as convidadas.

No Brasil, agências de turismo no Rio de Janeiro e em São Paulo também realizam o que classificam como "turismo estético". Para o Ministério do Turismo, a realização de viagens com o objetivo de se submeter a plásticas é classificada como "turismo médico-hospitalar". Ainda que não haja estatísticas precisas sobre a prática em território brasileiro, as autoridades apontam que 7% dos turistas em viagem doméstica dizem visitar outras cidades por motivos de saúde. Em contrapartida, a média de entrada no Brasil de turistas de outros países por razões de saúde foi de apenas 0,78% entre os anos de 2004 e 2008.

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