Vancouver, Montreal e Toronto são ímãs de turistas, e chamam a atenção em 2010

Vancouver, Montreal e Toronto são ímãs de turistas, e chamam a atenção em 2010

Atualizado: Sexta-feira, 7 Maio de 2010 as 11:32

No momento, o mundo está de olho em Vancouver, Norte do país, onde as Olimpíadas de Inverno foram encerradas no final de fevereiro e as Paraolimpíadas se estendem até meados de março. Mas não só Vancouver chama atenção no Canadá, em 2010. Este ano será todo especial para a segunda maior nação do planeta. No verão nórdico, a política mundial se concentrará em Huntsville, perto de Toronto, para as reuniões de cúpula do G-8 e do G-20. E depois de a província francófona do Quebec ter celebrado seu jubileu de 400 anos, em 2008, o Canadá de língua inglesa convida agora para seu aniversário de 400 anos: os primeiros imigrantes chegaram à Terra Nova em 1610.

A nação canadense está em festa. Mas a verdade é que ela sempre foi atraente. Tanto que, em 2008, recebeu o maior número de turistas de sua história. E de acordo com uma avaliação feita em 2009 por uma empresa de assessoria empresarial americana, entre 100 países, o Canadá foi novamente classificado como o segundo melhor destino de viagem do mundo.

Mas o que atrai os turistas? As cidades! Compras e roteiros turísticos urbanos são as atividades favoritas. Só depois disso o visitante americano e de outras partes do mundo é atraído para a natureza.

A preferência recai sobre os três maiores centros: Toronto, Montreal e Vancouver, onde meio ambiente e natureza e a vida urbana talvez contrastem mais frontalmente do que em qualquer outro lugar da Terra. Logo atrás da silhueta edificada de Vancouver começam as densas florestas, onde os encontros com ursos não são raros. Fora do continente, diante da Ilha de Vancouver, enfileiram-se nada menos do que 225 outras ilhas.

Os "Vancouverianos" são os cidadãos canadenses que mais investem dinheiro no lazer em mountain bikes, paragliders, equipamentos de alpinismo e mergulho, caiaques. A revista britânica The Economist nomeou Vancouver diversas vezes como a cidade de melhor qualidade de vida do mundo. "É fantástico morar em uma metrópole e estar simultaneamente em meio ao verde", declara entusiasmada a estilista de moda Jen Mac Cormack. "Por exemplo, no Parque Stanley, que, com sua área de 400 ha, é o maior parque urbano do Canadá".

Vista da cidade de Vancouver

Programa contrastante é o oferecido pelo Jardim Clássico Chinês Dr. Sun-Yat-Sen, onde lagos verdes como jade e elegantes pagodes transmitem uma sensação de quietude que favorece a meditação. E, claro, um toque asiático. Vancouver também se chama "Hongcouver", pois 37% de seus habitantes são de origem asiática. A cidade é plenamente cosmopolita: quase a metade da população pertence a uma "visível minoria". Também nela ocorre o maior número de casamentos interculturais do Canadá.

A segunda maior metrópole canadense apresenta, igualmente, essa característica multicultural. Contudo, Montreal é mais elegante e internacionalizada, com orquestras e festivais famosos, como o maior encontro de jazz do mundo. E ela transmite uma sensação de vida europeia, o que pode ser creditado ao seu bilinguismo: 80% dos habitantes falam francês, apenas 20% dominam o inglês. Entre os francófonos (especialmente os mais idosos) há os separatistas, que lutam pela separação de Quebec do Canadá, no referendo de 1995, a posição que eles defendiam perdeu por estreita margem. A nova geração é menos politizada e começou a misturar os dois idiomas. As frases são iniciadas em francês e finalizadas em inglês, ou vice-versa. Vale a pena escutar.

E degustar. A cidade, de 1,6 milhão de habitantes, às margens do Rio São Lourenço, é tida como paraíso gourmet - tanto no bairro portuário, cortado pelas ruelas de paralelepípedos e fachadas do séculos XVIII, como na maior cidade subterrânea do planeta, protegida dos rigores do inverno. A comida seduz. "Antigamente só existia a cozinha francesa: foie gras (fígado de ganso) em gelatina de caldo de carne. Hoje, fritamos e temperamos tudo com muitos condimentos, ou combinamos com molhos incomuns", conta Joe Merceuri, um grande chef de Montreal.

Uma volta pelo marché Jean-Talon ou pelo mercado Atwater revelam a rica variedade de iguarias: vinhos caríssimos feitos de uvas congeladas, manteiga de leite de cabra ou limonada preparada com tenras folhas de pinheiros, os produtos locais conferem um toque especial à culinária. Quem quiser se exercitar depois da comilança pode subir até o Monte Royal, que emprestou seu nome à cidade, fundada em 1642 pelos franceses para sediar o comércio de peles.

Do topo do monte é possível divisar o estádio dos Jogos Olímpicos de Inverno, de 1976, ou os edifícios da Expo Mundial de 1967, eventos que transformaram Montreal e desencadearam a "revolução silenciosa": a separação entre a sociedade local e a Igreja Católica, que durante muito tempo dominou toda a província quebequense.

Quem quiser ver as estrelas arquitetônicas do Canadá, deve visitar Toronto, o centro econômico da nação. A maior cidade do país, de 2,5 milhões de habitantes, está experimentando um Renascimento arquitetônico de inigualável design. "A grande virada aconteceu em 2002", informa a renomada arquiteta Marianne McKenna. "O governo fez uma licitação de sete mega-projetos e os financiou", a iniciativa atraiu para a cidade às margens do Lago Ontário, grandes nomes, como Daniel Libeskind, Norman Foster e Frank O. Gehry, este, um filho de Toronto. O Museu Royal Ontario, de Liebeskind, lembra uma explosão de cristais. E, para os estudantes de Farmacologia, Foster, ao projetar o Leslie L. Dan Pharmacy Building, escolheu uma ótica inspirada em pílulas: duas enormes esferas que servem como salas de aula e de leitura. Devido a prédios revolucionários como esses, Toronto ganhou o apelido de "Torontopia".

A cultura também se beneficiou da onda arquitetônica inovadora. A Universidade, a Ópera, o Balé Nacional, o Conservatório e o Teatro Municipal foram todos reformados, bem como o edifício em que se realiza o Festival Internacional de Cinema. Toronto desfruta de uma agitada vida cultural. No circuito de língua inglesa, seu mundo de artes cênicas só perde para Londres e Nova York; e sua Parada Gay-Pride é uma das maiores do planeta. O ambiente literário também goza de excelente reputação. Afinal, no início da década de 1920, Ernest Hemingway morava na cidade, e iniciou sua carreira jornalística no Toronto Star.

Porto de Montreal

VANCOUVER

A sede das Olimpíadas de Inverno de 2010 é a metrópole verde do Canadá e a cidade com o tempo livre mais valorizado do país. Em nenhum outro lugar, o agitado ambiente urbano e a natureza estão ligados por um vínculo tão intenso

TORONTO

A maior metrópole canadense também é o centro econômico do país. O governo municipal frisa isso, ao aprovar mega-projetos e contratar arquitetos de renome internacional

MONTREAL

A mais europeia das cidades canadenses é um paraíso gourmet. Crêpe Suzettes são coisa do passado; os restaurantes de Montreal deixaram de ser français de France há muito tempo. Jovens grand chefs conferem um novo toque à cozinha local, que também vive das especialidades da Província de Quebec

Por: Torsten Schäfer

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