Velho Chico forma praia em cidade histórica do sertão alagoano

Velho Chico forma praia em cidade histórica do sertão alagoano

Atualizado: Sexta-feira, 8 Janeiro de 2010 as 12

Em qualquer época do ano, o calor ultrapassa facilmente os 30 graus. Pudera, a cidade alagoana de Piranhas está no meio do sertão, a 280 km de Maceió, bem na fronteira com Sergipe. Por sorte, essa linha desenhada no mapa não é apenas imaginária: quem faz a divisa é o rio São Francisco, que nessa parte do país é um verdadeiro cartão-postal.

As montanhas às margens e as águas profundamente verdes são a marca registrada dessa região. Pouco antes, o Velho Chico cruza o lago de Xingó, criado com a finalidade de abastecer a hidrelétrica de mesmo nome. Ali a erosão formou grandes cânions, que são pano de fundo para viagens de barco pelo "Nilo brasileiro".

Em Piranhas, o refresco é concedido por uma prainha. O nome da cidade sugeria tudo menos uma aventura por essas águas, mas, como o risco de ataques de peixes carnívoros está afastado, nada melhor do que um mergulho em um dia de sol escaldante. Depois, se tiver fôlego, suba um dos mirantes da cidade para ter uma visão panorâmica dessa beleza encravada na caatinga.

Não é só o rio que justifica a viagem, muito pelo contrário: Piranhas é uma cidade ímpar. Seu conjunto de casinhas coloniais está bastante preservado e a história que ele conta é riquíssima. A cidade alagoana possui, por exemplo, uma estação ferroviária centenária, construída nos moldes das paradas de trens inglesas. Hoje, o edifício abriga o Museu do Sertão, onde é possível se embrenhar na vida de um dos mais ilustres personagens da tradição local: Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião.

Foi de Piranhas que partiram os soldados encarregados de fazer a emboscada final ao cangaceiro, em 28 de julho de 1938. Como a investida foi bem sucedida, os combatentes retornaram à cidade carregando seus "troféus": as cabeças de Lampião, Maria Bonita e de outros nove membros do bando. Estas ficaram expostas na escadaria da atual prefeitura de Piranhas, e ainda é possível encontrar testemunhas oculares desse dia dispostas a dar seu relato.

Quem não se contentar em apenas ouvir, pode ingressar em uma excursão à Grota do Angico, local exato onde os cangaceiros foram alcançados pela tropa. Cada passo ali é um ponto da narrativa e, olhando bem, as marcas de bala ainda estão nas pedras.

Por: Gisele Lobato

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