Visite Mindelo, em Cabo Verde

Mindelo faz as vezes de capital cultural de Cabo Verde

Atualizado: Terça-feira, 24 Julho de 2012 as 9:59

Com apenas 4.033 km2 e clima tropical, o arquipélago de Cabo Verde, independente de Portugal desde 1975, pode ser explorado a partir de Mindelo, cidade ligada à música que, na ilha de São Vicente, cresceu em volta de um porto que já foi antigo entreposto de carvão de companhias inglesas no trajeto entre a Europa e a América do Sul nos séculos 19 e 20.

"Não há ilha mais saborosa que São Vicente", cantou a diva da música cabo-verdiana, Cesária Évora.


Desde logo, o desenvolvimento comercial na baía de Mindelo, conhecida como Porto Grande, conferiu ao local ares de capital da cultura cabo-verdiana. Ali, há estrutura para receber iates e aportam cruzeiros internacionais, embarcações de carga e ferries que fazem viagens entre as ilhas principais que constituem o arquipélago.


Segunda maior cidade do país, Mindelo é rodeada por uma cintura de montanhas -e num dos extremos da baía a erosão esculpiu o Monte Cara, cujo formato lembra um rosto humano com olhos voltados para o céu.
Na parte oriental da ilha de São Vicente, o Monte Verde é o pico mais alto da região.


As avenidas do centro são largas e pontilhadas de palmeiras. O recorte irregular da orla marítima forma baías de águas límpidas e compreende um porto abrigado, de águas profundas.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística de Cabo Verde, o país recebeu, no primeiro trimestre deste ano, quase 30 mil turistas a mais do que no mesmo período de 2012. A maior parte dos visitantes veio do Reino Unido.

HERANÇAS LUSAS
As praças e as construções locais guardam traços da arquitetura colonial do século 19 e a graça do estilo português. Já os telhados inclinados e as janelas arredondadas denotam a marca da colonização britânica.
O tipo de vida cosmopolita que se instalou em Mindelo foi decisivo para fixar ali a elite cultural e intelectual de Cabo Verde. No único liceu das ilhas do Barlavento, estudaram os intelectuais a quem se atribui o surgimento da consciência nacional cabo-verdiana, caso de Amílcar Cabral, figura de proa do processo de independência.


"Quem ca conchê Mindelo, ca conchê Cabo Verde" (quem não conhece Mindelo, não conhece Cabo Verde), escreveu Manuel de Novas, um dos mais importantes compositores do país.


Na rua da Praia, senhores jogam cartas cercados pela multidão curiosa a acompanhar as rodadas. As mulheres, de saia até os joelhos e lenço na cabeça, carregam frutas e legumes. Elas também estão no mercado de peixes, onde jovens limpam espécies como o atum. Ao lado, fica a Torre de Belém, réplica do monumento lisboeta. Na praça Estrela, quiosques vendem artesanato e há painéis de azulejos. E basta seguir pelas ruas estreitas para chegar à igreja de Nossa Sra. da Luz, a mais antiga de Mindelo.

OFICIALIAZAÇÃO DO CRIOULO BARRA EM DIFICULDADES
A língua materna crioulo cabo-verdiano guarda fonologia e semântica do português falado entre os séculos 15 e 17, com traços de línguas da África Ocidental, como o wolof, falado no Senegal.
Cada ilha tem uma variante. Paulo Jorge, 25, morador de Assomada, município da ilha de Santiago, conta que os cabo-verdianos de diferentes localidades têm dificuldade em se compreender em um diálogo. "Há variantes da língua no centro e nos bairros mais afastados de Assomada, por exemplo."


O português de Portugal ainda é a língua oficial empregada na escola e na administração pública, marcando um processo de descaracterização do crioulo cabo-verdiano em todas as variantes. O governo pretende oficializar a língua, mas tem barreiras culturais.


Os falantes se opõem a praticar uma variante que não a sua, e não há normas que estabeleçam a forma e grafia corretas a serem aplicadas em cada palavra.


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