Washington, Por que o mundo está de olho na capital americana?

Washington, Por que o mundo está de olho na capital americana?

Atualizado: Sexta-feira, 8 Abril de 2011 as 11:30

Pela TV, “ela” entra diariamente, ou quase, na casa de milhões de pessoas ao redor do mundo, de modo que muitos de seus monu­mentos são tão familiares quanto o Cristo Redentor é para os brasileiros. E com a posse do 440 presidente americano, Barack Obama, que assumiu como símbolo da esperança e da mudança em tempos de crise glo­bal, o mundo está ainda mais de olho “nela”: a capital dos Estados Unidos, Washington D.C., fincada entre os Estados de Maryland e Virgínia, na porção leste do país.

Uma agitação que certamente não assusta essa cidade de 650 mil habitantes, uma das mais poderosas do mundo e que está acostumada a ser palco de decisões políticas e econômicas – e de escândalos e polêmicas – que vira-e-mexe entram para a história. É assim na Casa Branca, muito mais que a mera moradia oficial dos presidentes americanos e de suas famílias.

Além de reuniões com assessores, apoia­dores e estrategistas e de recepções fabulosas para autoridades internacionais e chefes de Estado, a residência – definida pelo mo­rador anterior, George W. Bush, como um lugar “muito branco” – ficou associada a episódios da vida privada de alguns de seus ocupantes. Diz-se que certa vez a ele­gante ex-primeira-dama Jacqueline Kennedy mandou jogar fora um sutiã que uma das empregadas encontrara na casa e saiu-se com essa: “Não é o meu número”, teria dito ela ao des­cobrir mais um caso extraconjugal do marido e ex-presi­dente John Kennedy.

Nesse quesito, no entanto, nada foi mais avassalador que o episódio envolvendo Bill Clinton e a então estagiária Monica Lewinsky, que tiveram mais que uma conversa na Sala Oval. Isso levou o então presidente a responder, entre 1998 e 1999, a um processo de perjúrio na Suprema Corte – e Clinton escapou por um triz de perder o mandato.

Escândalos à parte, a Casa Branca está entre as paradas obrigatórias em Washington. E não apenas para ser vista do lado de fora, já que alguns de seus cômodos – os salões destinados a receber convidados, a sala de jantar de Thomas Jefferson, a bi­blioteca e os jardins criados a mando de Jackie Kennedy, entre ou­tros – estão abertos à visitação.

O passeio é grátis, mas deve de ser agendado com bastante antecedência (cerca de 30 dias para quem vai por conta própria e bem mais que isso no caso de um tour guiado) no site whitehouse.gov e, no momento da visita, não é permitido portar mochilas, bolsas, máquinas fotográficas ou filmadoras. Deve-se estar apenas com os documentos pessoais.

No Capitólio, construção que abriga o congresso americano e conta com um enorme domo – o qual constantemente aparece como pano de fundo para as reportagens de TV –, as visitas também são permitidas e gratuitas. E sem tanta burocracia, já que até as fotos internas estão autorizadas.

Para fazer o passeio, que inclui um filme sobre a importância dos Estados Unidos no contexto global, mais a passagem por alguns salões com estátuas que retratam personagens importantes na história do país – mas não permite ingresso no local onde os depu­tados se reúnem para discutir e votar –, é preciso telefonar para o centro de visitantes () 00xx1-202-224-4048) e pedir para ser incluído numa das excursões, que ocorrem de segunda a sábado, entre 9h e 17h.

Monumentos para os presidentes

A Casa Branca e o Capitólio são os ícones por excelência de Washington, mas, em muitas outras construções e monumentos, localizados principalmente no The Mall – o corredor verde que vai do congresso ao Memorial Lincoln, às margens do Rio Potomac –, a capital segue exibindo sua veia política, home­nageando presidentes que dedicaram a vida pela consolidação de pilares importantíssimos para o país, como a democracia e a justiça.

Assim, destaca-se na paisagem o Monumento de Washington, um obelisco de 169 metros que homenageia o primeiro presi­dente americano, George Washington. Foi ele quem tomou a decisão de criar uma nova capital federal, em substituição à Filadélfia, e que, inaugurada em 1800, acabou por ganhar seu nome.

O obelisco conta com um elevador que leva até o topo da construção, de onde se tem uma vista esplêndida do Mall. A subida é grátis, mas é preciso retirar, num quiosque junto do monumento, logo cedo, o ingresso, que costuma ser bem disputado.

No extremo oposto do Capitólio, a home­nagem é para Abraham Lincoln, que gover­nou durante a Guerra de Secessão e pagou com a própria vida por defender o fim da escravidão no país. Para abrigar sua estátua feita de mármore, foi erguido um imponente memorial, inspirado nos antigos monumentos gregos.

Ali, em 1963, o líder do movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos, Martin Luther King, fez o célebre discurso I Have a Dream (Eu Tenho um Sonho), com trechos como “eu tenho um sonho que mi­nhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter”.

Levou tempo, mas o sonho de Luther King virou mais que realidade com a chegada de Barack Obama ao poder, totalmente apoiado pelas mais dife­rentes etnias que povoam e votam nos Estados Unidos da América.

Os combatentes das muitas guerras em que os EUA se envolveram ao longo do século 20 também são lembrados em vários pontos do The Mall, como os que lutaram na Coreia e no Vietnã, cujo memorial traz o nome de todos os 58 mil soldados norte-americanos que morreram nesse confronto.

Além do icônico trabalho de bronze que reproduz a foto tirada de soldados americanos hasteando a bandeira do país em Iwo Jima – ilha que os Estados Unidos tomaram do Japão numa das mais significativas bata­lhas da Segunda Guerra –, outros monumentos home­nageiam, sob a ótica americana, claro, esse marcante conflito mundial. Entre eles está o Memorial Nacional da Segunda Guerra, inaugurado em 2004 e também dedicado aos milhares de ianques mortos no conflito.

O monumento fica logo à frente do Memorial Lincoln e contém um “muro da liberdade”, em que 4 mil estrelas douradas relembram as vítimas americanas. Nos lados do muro estão retratadas, em bronze, cenas das batalhas, enquanto blocos de granito trazem trechos do discurso do ex-presidente Franklin Delano Roosevelt, quando do ataque japonês a Pearl Harbor, e do general Douglas McArthur anunciando, em 2 de setembro de 1945, o fim da guerra.

Museus incríveis e gratuitos

Se em Washington pululam monumentos cívicos, o mesmo se pode dizer dos museus. Só o Instituto Smithsonian – cujo acervo foi montado a partir da herança doada à cidade, no século 19, pelo mili­o­nário inglês James Smithson que, curiosamente, nunca botou os pés nos Estados Unidos – oferece 17 museus. Abrangendo áreas tão diversas como arte, paleontologia e tecnologia, os museus do Smithsonian são todos incríveis. E gratuitos.

Entre os destaques estão os museus do Ar e do Espaço – com itens como o módulo Colúmbia, da espaçonave Apollo 11, e o protótipo de teste do telescópio espacial Hubble –, o de História Natural (cujo acervo vai do “zoológico” de insetos a esqueletos de dinossauros), de História Americana e dos Índios Americanos, além da Portrait Gallery.

Essa última reúne 20 mil esculturas e fotos de pessoas que fizeram (e fazem) a história americana, incluindo Barack Obama, cuja colagem criada pelo artista Shepard Fairey para a campanha eleitoral acaba de ser incorporada à coleção. Trata-se de um quadro com as cores da bandeira americana pintadas sobre o rosto de Obama e com a palavra hope (esperança).

Entre os museus pagos, há uma série de opções divertidas e que propiciam a participação ativa do visitante. No Museu do Crime (ingresso a US$ 17,95), a experiência vai além de conhecer a galeria dos grandes criminosos americanos. Lá, é possí­vel circular numa réplica fiel de um presídio, com direito a ver uma cadeira elétrica e uma máquina de injeção letal, e até testar as habili­dades para o crime, com o visitante podendo atirar, arrombar um cofre ou se passar por um hacker para invadir um computador.

Também há a possibilidade de participar da CSI Experience, atividade baseada na série do canal pago AXN, em que o turista se transforma num “investigador”, explorando as evidências da cena do crime e os recursos mais avançados da ciência forense.

Já o Museu da Notícia (com ingresso a US$ 20) propicia um mergulho no mundo da informação desde a entrada, onde é possível conferir as notícias mais importantes do dia em 80 jornais do mundo.

Muitos documentários e entrevistas estão disponíveis no museu, assim como as fotos que já ganharam o Prêmio Pulitzer (principal premiação do país para a área de jornalismo e literatura) e artefatos ligados a importantes momentos históricos, como um pedaço do muro de Berlim. Para quem se empolgou com o mundo jornalístico, dá até para “fazer” sua própria reportagem.

Ainda há os museus da Espionagem, do Holocausto e Madame Tussauds, onde o presi­dente Obama e sua secretária de Estado, Hillary Clinton, já foram reproduzidos em cera. E lugares como o Zoológico Nacional, casa de raros ursos-pandas, e o emblemático cemitério militar, próximo ao complexo do Pentágono, localizado no outro lado do Rio Potomac, na cidade de Arlington.

Lá estão enterradas mais de 300 mil pessoas, entre soldados mortos nas diversas guerras travadas pelo país e veteranos desses conflitos, além do ex-presidente John Kennedy (junto de seu túmulo, uma pira fica cons­tan­temente acesa) e seu irmão, Robert Kennedy. Sem falar de Jackie Kennedy e dos astronautas do ônibus espacial Challenger, que explodiu em 1986, entre outros.

Do momento político, que volta a encher a América de esperança e orgulho, aos conhe­cidos e imponentes monumentos que lembram os homens e os momentos heroicos que consolidaram uma nação, além dos acer­vos fantásticos descortinando toda sorte de arte e ciência, não faltam motivos para esticar até Washington, que está a cerca de 2h50 de Nova York a bordo do trem Acela Express.

A visita fica ainda mais especial na prima­vera, que no Hemisfério Norte começa em 20 de março, período no qual a cidade ga­nha um suave contorno rosa-bebê por causa do florescimento das cerejeiras. As árvores, que totalizam mais de 3 mil pés nos arredores do lago Tidal Basin, são tão associadas à paisa­gem local que até ganham, todos os anos, entre março e abril, um festival – consulte a programação no site nationalcherryblossomfestival.org –, com direito a uma parada que, em 2009, rola em 4 de abril.

Presente do governo japonês, em 1912, à capital americana, como forma de celebrar a amizade entre os dois países, ninguém

diria que essas belas cerejeiras, quase um século depois, continuariam a inspirar o mesmo tipo de desejo: das boas relações dos Estados Unidos não só com o Japão, mas com o resto do mundo.

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