Clarice Ebert

Clarice Ebert

Clarice Ebert (@clariceebert) é psicóloga (CRP0814038), Terapeuta Familiar, Mestre em Teologia, Professora, Palestrante, Escritora. Sócia do Instituto Phileo de Psicologia, onde atua como profissional da psicologia em atendimentos presenciais e online

O tempo que não se mede

Entre relógios e calendários, há um tempo invisível em que dores ganham sentido, a alma amadurece e aprende a descansar.

Fonte: Guiame, Clarice Ebert Atualizado: sexta-feira, 17 de abril de 2026 às 13:44
(Imagem ilustrativa gerada por IA)
(Imagem ilustrativa gerada por IA)

O tempo cronológico é mecanicamente programado e acontece numa causalidade permanente. Ele marca o tempo no relógio e no calendário e nos lembra que estamos confinados ao tempo e ao espaço, vivendo uma repetição sem fim.

Maria e José do Egito conhecem bem o peso do tempo que se mede. Maria viveu os dias comuns da gestação, os meses de espera, o crescimento do filho e a rotina em Nazaré. José do Egito atravessou anos de esquecimento: foi vendido como escravo, aprisionado injustamente e serviu sob dura realidade. Ambos experimentaram o Chronos quando ele parece apenas repetição e demora.

O tempo cronológico serve para organizar os dias, mas é no desenrolar dos tempos kairótico e kenótico, onde o tempo não se mede, que nossas emoções são redimidas, as dores ressignificadas, as cargas aliviadas, os recursos internos fortalecidos, e as sombras dissipadas.

O tempo kairótico acontece na subjetividade, pelos acontecimentos significativos. Ele revela o tempo ontológico do ser. É quando o eterno visita o histórico. Para Maria, esse instante irrompe na Anunciação: o momento em que Deus entra em sua história e a transforma para sempre. Para José do Egito, o kairós chega quando seus dons emergem diante de Faraó e a trajetória marcada pela dor revela um sentido maior: preservar a vida em meio à fome.

No tempo kairótico, somos acompanhados e habitados por um amor que nos guia por verdes pastos e nos sustenta nos vales sombrios. Experimentamos a constância da bondade e da misericórdia do Bom Pastor, presente em todos os dias, mesmo quando não percebemos.

Já no tempo kenótico acontece o esvaziamento. É o desapego daquilo onde antes depositávamos nossas seguranças. Maria vive a kenosis ao dizer “Eis aqui a serva do Senhor”, abrindo mão do controle e aos seus próprios projetos. José do Egito vive a kenosis ao renunciar à vingança e escolher o perdão, esvaziando-se do ressentimento para cooperar com a vida.

No kenótico, saímos do “modo garra” (tensão) e entramos no “modo entrega” (relaxamento). Enquanto o tempo cronológico passa, no kairótico experimentamos a vida. E no kenótico, finalmente, nos rendemos ao descanso.

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Texto de Carlos José Hernández (médico psiquiatra, doutor em medicina) e Clarice Ebert (terapeuta familiar e de casais, mestre em teologia, formação em psicologia).

 

Clarice Ebert (@clariceebert) é psicóloga (CRP0814038), Terapeuta Familiar, Mestre em Teologia, Professora, Palestrante, Escritora. Sócia do Instituto Phileo de Psicologia, onde atua como profissional da psicologia em atendimentos presenciais e online (individual, de casal e de família). Membro e docente de EIRENE do Brasil.

* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: Violência com maquiagem sagrada!

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