
Clarice Ebert (@clariceebert) é psicóloga (CRP0814038), Terapeuta Familiar, Mestre em Teologia, Professora, Palestrante, Escritora. Sócia do Instituto Phileo de Psicologia, onde atua como profissional da psicologia em atendimentos presenciais e online

Além das violências já amplamente conhecidas, como a física, a sexual, a psicológica, a moral e a patrimonial, ainda tem uma forma de violência que muitas vezes permanece invisível: aquela que se esconde atrás de discursos religiosos e interpretações distorcidas da fé, a violência religiosa e espiritual contra a mulher.
Ainda existem narrativas de fé que colocam homens e mulheres em posições desiguais, como se eles tivessem sido criados para comandar e elas para obedecer. Quando essa visão encontra terreno fértil em estruturas masculinistas, o resultado pode ser devastador. O controle passa a ser chamado de cuidado e liderança, a submissão de virtude e obediência, e o sofrimento de resiliência espiritual.
No mês do Agosto Lilás, campanha de conscientização e combate à violência contra a mulher, é fundamental reconhecer que todas as violências são graves, deixam marcas e precisam ser reconhecidas e combatidas.
A violência religiosa e espiritual contra a mulher pode acontecer por meio da distorção de dogmas, quando versículos ou ensinamentos são usados de forma isolada para exigir submissão cega ao parceiro ou para defender a permanência em relacionamentos violentos a qualquer custo. Também se manifesta na culpabilização da mulher, quando é levada a acreditar que sofre por falta de fé, por não orar o suficiente ou por não ser submissa o bastante. Em alguns contextos, ocorre ainda a atribuição de castigos divinos, associando doenças, dificuldades financeiras ou crises conjugais a supostos erros da própria mulher. Há também o controle de crenças e decisões, quando se tenta impedir sua autonomia por meio de ameaças de condenação espiritual, regras abusivas ou restrições à sua liberdade.
A fé jamais deveria ser usada para silenciar ou legitimar qualquer tipo de abuso. Espiritualidade saudável promove vida, dignidade, respeito, liberdade e responsabilidade, nunca medo, culpa ou submissão forçada. Homens e mulheres foram chamados para caminhar lado a lado em relações baseadas na mutualidade do amor, da cooperação, da honra, do respeito e da dignidade.
Ajude a combater todas as formas de violência contra a mulher. Isso pode salvar vidas!
Em situação de violência ou ameaça ligue 180.
Clarice Ebert (@clariceebert) é psicóloga (CRP0814038), Terapeuta Familiar, Mestre em Teologia, Professora, Palestrante, Escritora. Sócia do Instituto Phileo de Psicologia, onde atua como profissional da psicologia em atendimentos presenciais e online (individual, de casal e de família). Membro e docente de EIRENE do Brasil.
* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.
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