Na velocidade do pecado

Para pecar as pessoas aceleram de 0 a 100 em 3 segundos, com a potência de uma Ferrari.

Fonte: Guiame, Edmilson Ferreira MendesAtualizado: quinta-feira, 24 de março de 2022 14:50
(Foto: markusspiske / Pixabay)
(Foto: markusspiske / Pixabay)

Você já se deu conta o que aconteceu com os preços dos carros aqui no nosso Brasil? Fomos dormir e, de repente, quando desavisadamente acordamos, vimos que o descontrole, o abuso e a total falta de noção já tinham dominado os critérios para se precificar um veículo.

Qualquer carro hoje custa cem mil reais, e os vendedores e lojas de carros não têm a mínima vergonha de nos informar. De cem a duzentos mil tem um monte, e trezentos... Eram preços de importados, hoje, um carro simplesinho, com nada de tecnologia, com motor fraquinho, já começa custando seus sessenta mil. Como assim???

Quando vi esses preços, pensei: a venda vai diminuir, são valores impraticáveis. Doce ilusão. Basta um feriado pra vermos estradas lotadas, as pessoas estão viajando muito. As vendas seguem em alta, aliás, a maioria dos modelos tem uma grande fila de espera. É que faltam muitas peças e componentes eletrônicos, argumentam alguns. É verdade, mas só isso não explica, pois o volume de interessados e compradores segue alto.

Então temos este quadro no setor, os preços dobraram, em alguns casos quase triplicaram e, mesmo assim, o povo segue comprando o carro do seu desejo. Não importa o preço, não importa o tamanho da prestação, não importa se vou me endividar além do que consigo pagar, não importa se o carro pretendido não vale nem um terço do que está sendo pedido, nada disso importa! O que importa e realmente interessa é eu manter meu status, minha aparência e meu prazer em possuir a máquina.

Este é um cenário real, assustador, inexplicável. Como metáfora, serve para notarmos a velocidade do pecado entre nós. No caso dos carros, se nos negássemos a comprar pelo preço que se pede eles ficariam abandonados nos pátios, a única opção das montadoras, governo e todos os envolvidos no preço final, seria rever os preços para baixo, mas o desejo é maior, vamos lá correndo pagar cem, duzentos, trezentos mil no modelo do ano.

Com o pecado acontece exatamente a mesma coisa. Há dez anos pensávamos que estávamos no limite, porém as maldades, as formas, os meios, aumentaram assustadoramente na prática e realização de pecados que jamais pensamos que poderiam acontecer. Hoje acontecem nor-mal-men-te, triste realidade, decadente sociedade, perdida geração.

Para pecar as pessoas aceleram de 0 a 100 em 3 segundos, com a potência de uma Ferrari. Os custos que estão sendo pagos também subiram muuuuito. Custa muito caro pecar. Por causa do custo pensamos: ahhh, agora as pessoas vão parar, vão rever seus conceitos e valores, vão se arrepender, vão se... Nada! Simplesmente a maioria segue pecando muito e mais, se esbaldando descaradamente em suas práticas.

E os custos altos, quais são? Uma juventude jogada no lixo da existência, um casamento exposto a ridicularização pública, um corpo na liquidação de noites que engolem sonhos, jogos de poder e falsidades prendendo cada vez mais pessoas, gente se matando, gente matando, gente enganando pra se dar bem, gente destruindo gente inocente que se desenvolve no ventre, gente sufocando a inocência de crianças indefesas. Tudo isso produz um custo alto, muito alto e, como no caso dos carros, cada vez mais cegas pelo objeto do desejo, as pessoas estão dispostas a pagar o preço, seja qual for o preço pedido.

Ainda que machuque, salte fora deste carro chamado pecado, a velocidade dele é perigosa, incontrolável e a qualquer momento vai dar ruim, vai falhar, vai capotar, vai dar perda total. Haverá sobreviventes? Oro e espero que sim. Mas pra quê esperar pelo pior? Desacelere, volte para as velocidades que Deus estabeleceu, siga as orientações, respeite as leis e vá em frente, com Cristo o caminho sempre será melhor e mais seguro.

Edmilson Ferreira Mendes é escritor, pastor, teólogo, observador da vida.

* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: Por que convivemos com pessoas difíceis?

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