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Uma vida sem remendos, mas de vestes novas

Ao invés de recebermos o novo de Deus em um todo, estamos apenas querendo partes daquilo que nos convém.

fonte: Guiame, Melina Botteghin

Atualizado: Quinta-feira, 12 Março de 2020 as 1:34

(Foto: Konstantin Kirillov/Dreamstime)
(Foto: Konstantin Kirillov/Dreamstime)

“Então lhes contou esta parábola: "Ninguém tira remendo de roupa nova e o costura em roupa velha; se o fizer, estragará a roupa nova, além do que o remendo da nova não se ajustará à velha.” Lucas 5:36

Umas das coisas mais incríveis no jeito que Jesus tratava os seus, era o quanto palavras tão simples e algumas vezes tão óbvias, se tornavam verdades tão profundas e esclarecedoras. Claro que temos que nos lembrar que a Bíblia foi escrita em um contexto cultural judaico e para saber o verdadeiro sentido do ensinamento precisamos ir a fundo ao que aquilo significava para o judeu daquela época.

Roupas, diferentemente do que temos hoje na indústria têxtil, não eram fáceis e nem rápidas de ser produzidas. As pessoas possuíam em geral poucas peças, as quais acabavam envelhecendo com elas no corpo. Lavagem era feita nos rios, e muitas vezes no próprio momento do banho.

Se vocês se lembrarem da trajetória de Josué na conquista da Terra Prometida, houve um momento que ele foi enganado justamente por causa da roupa envelhecida. Alguns homens gibeonitas (Js 9:13) com medo de serem dizimados pelo povo de Israel fingiram ser peregrinos do deserto, e por isso usaram roupas envelhecidas para que Josué acreditasse que eram povos de terras longínquas, o que criou o primeiro e único povo escravizado ao invés de extinto em toda conquista daquela terra.

Ok. Já entendemos o contexto, e agora?

Pense comigo, no âmbito natural, ninguém seria louco de recusar uma roupa nova e querer apenas pedaços dela para consertar a sua própria veste. “Não obrigado, não preciso dessa túnica de linho fino, apenas desses pequenos remendos para cobrir os meus buracos dessa roupa desgastada”, e nem na cultura da época, já que o judaísmo ensina que qualquer judeu - homem ou mulher - deve guardar a limpeza corporal e se vestir com recato. O sábio, em especial, tem que trajar roupas limpas e respeitáveis, pois se usar sapatos e roupas remendados estará trazendo vergonha à sua erudição (Tratado Shabat, 114a), mas no mundo espiritual isso é mais comum do que pensamos.

Jesus veio e vem entregando algo totalmente novo. Uma vida nova. RENOVO, mas ao invés de recebermos o novo de Deus em um todo, estamos apenas querendo partes daquilo que nos convém. Um Deus de prosperidade me interessa, mas um Deus de santidade não!

Forte? Mas muito real.

Queremos viver as promessas, mas não a condicional para que ela se cumpra.

2 Crônicas 7:14 diz: “ E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.”

Aí pegamos essa palavra, cortamos ela em etapas, declaramos que o Senhor vai perdoar os nossos pecados e sarar a nossa terra. Colamos o versículo no espelho, ou numa legenda no instagram, ou quem sabe até em alguma tatuagem, mas esquecemos que para isso se cumprir existe uma condição exposta por Deus.

Se o meu povo....se humilhar, orar, buscar a minha face e se CONVERTER DOS SEUS MAUS CAMINHOS...

Hoje em dia virou moda o evangelho dos remendos, ao invés do evangelho do renovo. A graça apagar a lei ao invés de cumpri-la. A santidade ser substituída pela prosperidade terrena. Até o nível de importância das coisas têm sido medidas pela quantidade de likes que recebemos e não sobre o que Deus pensa a respeito delas.

Vou ser mais profunda, as pessoas querem os milagres de Deus, mas não querem o Deus dos milagres, por isso vivem remendadas ao invés de renovadas. As pessoas querem soluções para os seus problemas, mas não querem se converter dos seus maus caminhos. As pessoas querem ser populares e não serem crentes. Por isso está cheio de gente que poderia ter roupas novas, mas andam com suas velhas roupas cheia de remendos.

Ninguém quer esperar o casamento para ter relações sexuais, ninguém quer respeitar pai e mãe mais, ninguém quer se submeter a vontade de Deus nas coisas. A igreja está vivendo de migalhas ao invés de viver no banquete do Senhor.

Mas existe esperança. Eu anseio por um despertar da nação. Por pessoas que entenderam o recado como o cego Bartimeu na beira da estrada

“Depois, foram para Jericó. E, saindo ele de Jericó com seus discípulos e uma grande multidão, Bartimeu, o cego, filho de Timeu, estava assentado junto do caminho, mendigando. E, ouvindo que era Jesus de Nazaré, começou a clamar, e a dizer: Jesus, filho de Davi, tem misericórdia de mim. E muitos o repreendiam, para que se calasse; mas ele clamava cada vez mais: Filho de Davi! tem misericórdia de mim. E Jesus, parando, disse que o chamassem; e chamaram o cego, dizendo-lhe: Tem bom ânimo; levanta-te, que ele te chama. E ele, lançando de si a sua capa, levantou-se, e foi ter com Jesus. E Jesus, falando, disse-lhe: Que queres que te faça? E o cego lhe disse: Mestre, que eu tenha vista. E Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E logo viu, e seguiu a Jesus pelo caminho” ( Mc 10:46 -52)

A Bíblia diz que quando Jesus o chamou ele “lançou sua capa”. Parece uma bobeira, mas se você pensar que aquela capa para aquele cego era TUDO o que ele tinha, desde seu cobertor até seu guarda sol, você começa a entender que quando Jesus nos chama, Ele chama para uma mudança real. Aquele homem sabia que um encontro com Jesus jamais o faria ser o mesmo de antes e ele aceitou as novas vestes. Não mais cego, mas seguidor de Jesus.

Por Melina Botteghin, publicitária e estudante de Teologia. Esposa, mãe e missionária por vocação.

* O conteúdo do texto acima é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: O propósito de Deus também se cumpre entre os coadjuvantes

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