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Depois de tudo...

Depois de tudo...

Atualizado: Quinta-feira, 13 Dezembro de 2012 as 1:59

 

Depois de tudo resta esse sentimento inominado muitas vezes confundido com tristeza. Fica a sensação de perda, o oco de algo que nunca ocupou totalmente. Sobra o medo de saber que nada bastará para preencher o vazio avassalador que o tempo sobrecarregou.
 
Depois de tudo remanesce uma saudade, não do que aconteceu, apenas das pessoas que nos tocaram. Fica o desespero de não lembrar nome e de saber que não as reconheceríamos se cruzassem nosso caminho. Sobra uma nostalgia desfigurada, uma vontade de singrar para trás em busca dos anos que a vida sepultou. Sofremos de apetite do passado.
 
Depois de tudo perdura um choro quieto, desses que nunca acontecem totalmente. Fica a carência de precisar de colo e a necessidade de curvar-se em posição fetal. Sobram espírito quebradiço, alma emotiva, coração apertado.
 
Depois de tudo teimam ardência no peito, nó na garganta, borboletar no estômago. E nada senão crepúsculos deslumbrantes, vendavais estonteantes, cenários extravagantes e experiências alucinantes para aplacar a ânsia de infinitude que invade o ser.
 
Depois de tudo, no fim da picada, desfeitas as vitrines, desmontados os cenários, rasgadas as fantasias, baixadas as cortinas, sobra o “Eloi, Eloi, lamá sabactani – “meu Deus, meu Deus, por que me desamparaste” do Nazareno. E a esperança de dizer no próximo fôlego – o derradeiro: “Em tuas mãos entrego o meu espírito”.
 
Soli Deo Gloria
 
 
por Ricardo Gondim
 

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