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Jogados na existência

Jogados na existência

Atualizado: Quinta-feira, 1 Novembro de 2012 as 10:10

 

Heidegger falou sobre sermos jogados na vida. Não me considero nenhum especialista em Heidegger, mas concordo. Sim, a vida parece mesmo um fortuito acontecimento. Chegamos aqui sem escolher cor da pele, cidade onde nascemos, estrutura social que nos antecedeu e religião que nossos pais praticaram ou não.
 
Ademais, o Universo não toma conhecimento da gente. Enchentes, tsunamis, secas, terremotos, sacodem, inundam, estorricam sem se darem conta do sofrimento de ninguém. Isso tudo gera angústia, sofrimento, perplexidade.
 
Eis a saia justa: angústia existencial. Dizemos, não à banalidade de viver, não ao Fado, não às Moiras, não ao Maktub, não ao Carma, não ao Destino. Nesse exercício de dizer não ao inexorável, tecemos nossas redes de sentido. A trancos e barrancos caminhamos. No insólito vagar pela vida, encontramos pessoas, tangenciamos outras experiências. E mudamos de curso, apesar do vento indomado que nos empurra adiante.
 
Encontramos pessoas que jamais imaginamos; semelhante a dois círculos, nos tocamos minimamente para depois partir. Talvez nunca mais nos veremos, mas as marcas ficam. Na casualidade absurda, inexplicável, de tomar conhecimento de um pedacinho do outro, a vida muda. O abraço, a foto, o sorriso, são jeitos de esticar os dedos e nos tocar mutuamente. Queremos beijar com poesia. A vida parece não fazer muito sentido, mas faz.
 
Cada encontro, até os virtuais e talvez inacontecidos, deixam estigmas bons e ruins. Na indiferença do universo, pessoas fazem diferença. Algumas levam a gente a olhar para trás e dizer, valeu.
 
(ao povo de Sobral)
 
Soli Deo Gloria
 
 
por Ricardo Gondim
 

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