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Ninguém foi criado para o inferno

Ninguém foi criado para o inferno

Atualizado: Terça-feira, 3 Março de 2009 as 12

"Então ele dirá aos que estiverem à sua esquerda: ‘Malditos, apartem-se de mim para o fogo eterno, preparado para o Diabo e os seus anjos" - Mateus 25.41.

Naquele sábado o sono insistia em não chegar. A ansiedade de pregar o sermão do domingo agitava-me internamente. Terminei meus estudos, reli o papel escrito arduamente sempre com aquela sensação de não estar devidamente preparado. Orei, tomei um copo de leite quente e liguei a televisão, tentando conciliar-me com o travesseiro.

Acertei com um programa de reportagens sobre a noite paulista. O repórter entrevistava travestis, mostrando a vida e os meandros sórdidos dessa forma de prostituição. Recordo-me de uma cena em que um travesti tentou injetar silicone nas maçãs do rosto, mas o produto não esterilizado necrosou causando-lhe danos irreparáveis na aparência. Numa operação que mesmo dando certo o resultado não deixaria de ser menos bizarro. Suportei apenas alguns minutos naquela viagem aos porões imundos da noite paulistana. Depois de contemplar os becos e os cortiços promíscuos, a tristeza e a exploração do ser humano por cafetinas e cafetões malvados, voltei para minha cama com a sensação de que visitara o inferno.

Deitei minha cabeça no travesseiro pensando se Deus havia criado o ser humano pensando em fazer deles uma escória tão suja. Será que o plano inicial de Deus envolvia uma miséria tão absoluta? Hoje tenho certeza que não! Quando Deus nos criou pensava em nos fazer filhos e filhas íntimos e próximos de seu coração. Deus não nos criou para a desgraça, fomos feitos para partilharmos da felicidade divina. O inferno não foi construído para que os Josés, os Silvas, as Marlenes ou as Cátias morassem nele. O inferno foi construído para o Diabo e seus anjos.

Quando as pessoas transformam seus lares, relacionamentos e a vida em um inferno, não cumprem um desígnio secreto e sinistro de Deus. O inferno frustra Jeová. Deus não quer que ninguém se perca, não se alegra com a morte do ímpio. Pelo contrário, fez tudo o que poderia ser feito para que as pessoas saíssem da estrada que lhes leva para o mais absoluto terror e infelicidade.

Se o inferno não foi projetado por Deus, se ninguém já nasceu para ser destruído, todos os que querem ou que ajudam outros a saírem do inferno, contam com o cuidado do céu. Nenhuma pessoa que queira reverter os processos de morte estará só em sua empreitada

Ricardo Gondim é pastor da Igreja Betesda de São Paulo e presidente da Convenção Nacional da denominação. Presidente do Instituto Cristão de Estudos Contemporâneos. Gondim é casado com Silvia Geruza Rodrigues, pai de três filhos - Carolina, 29; Cynthia, 27; e Pedro, 19 - e avô de Gabriela, Felipe e Felipe Naran. Nascido em 1954, em Fortaleza, Ceará, é formado em Administração de Empresas. Viveu nos Estados Unidos onde obteve formação teológica no Gênesis Training Center em Santa Rosa, Califórnia. Ministra palestras e conferências. É colunista das revistas evangélicas "Ultimato" e "Enfoque Gospel". Como escritor, Gondim é autor de livros como "O Evangelho da Nova Era", "Santos em Guerra", "Saduceus e Fariseus", "Creia na Possibilidade da Vitória", "É Proibido" - obra indicada ao prêmio Jabuti, de literatura brasileira -, "Artesão de uma Nova História", "Como vencer a Inconstância", "A presença imperceptível de Deus", "Do Púlpito 5", "O que os evangélicos (não) falam", "Creio, mais tenho dúvidas", e "Sem perder a Alma", o mais recente.

Site oficial:

www.ricardogondim.com.br

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